Jornal dos Desportos

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Opinio

Cartaz Petro-DAgosto e o rbitro agressor

04 de Abril, 2017
Às vezes acontecem coisas do género. Uma espécie de bloqueio mental em relação ao assunto que merece honras de abordagem neste espaço, sobretudo quando existem vários acontecimentos com possibilidades de serem transformados em produto com valor jornalístico.

Fundamenta ainda o parágrafo anterior o jogo grande da oitava jornada em que o Kaburscorp, depois de estar a vencer por 2-0, viu o Recreativo do Libolo empatar o jogo e impedir a possibilidade da equipa do Palanca alargar o fosso pontual sobre os seus mais directos perseguidores, no caso 1º de Agosto e Petro de Luanda.

Curiosamente militares e petrolíferos, separados na tabela classificativa por apenas um ponto (19/18), com vantagem para o 1º de Agosto, defrontam-se na próxima jornada, no jogo que poderá ditar alteração na classificação, independentemente do resultado, entrando nas contas o resultado que o Sagrada Esperança venha a obter, o que também é um tema de eleição.

Ainda em relação a oitava jornada, e porque na semana passada falei sobre a missão hercúlea de Albano César, em frente ao Progresso da Lunda Sul, pelo facto de ter começado com o pé direito, merecia algumas linhas mais, até por que a vitória representou a entrega da lanterna vermelha ao JGM do Huambo, apesar de terem o mesmo número de pontos (4).

Mas, em retrospectiva, ainda restam os jogos que os Palancas Negras fizeram frente à Moçambique e África do Sul, no aproveitamento das datas FIFA, dos quais são muitas as razões para abordagens, não só por se tratar da equipa de todos, tão pouco por estar a iniciar uma nova era sob o comando de Beto Bianchi e Artur Almeida, mais por outras tantas razões.

E uma delas prende-se com a atitude reprovável do senhor Joshua Bond, árbitro do jogo na África do Sul que agrediu o Natael, lateral esquerdo dos Palancas Negras e do Clube Desportivo 1ºde Agosto, com uma cabeçada e a mão a nível da testa, um acto à todos os níveis reprovável.

As imagens são bem elucidativas da deselegância do árbitro, aliás, não tenho memória de ter visto coisa similar ao longo do tempo (e não é pouco), que me presto a acompanhar, com alguma atenção, o apaixonante mundo do futebol, adjectivado como desporto rei, das multidões que enche e inflama paixões, etc.

Não sei se existirão razões capazes de serem aceitas, com as quais o árbitro possa tentar justificar a sua mal criada atitude, aliás, que não se compadece com a designação de “juiz” por que também são conhecidos e chamados os homens do apito, à quem é atribuída uma subjectiva “soberania”, no exercício da actividade.

Todavia, o que mais me espanta é o silêncio sepulcral d a Federação Angolana de Futebol que, pelo menos publicamente, ainda não se pronunciou sobre o assunto, cujas imagens correram o mundo e, naturalmente, terão suscitado comentários nada abonatórios para a imagem e prestígio do continente africano e seus habitantes.

Levanto a minha voz contra o órgão reitor da modalidade por considerar o acto de tamanha indelicadeza e com valor bastante para promover uma onda de protesto veemente junto dos órgãos competentes, no caso o Comité de Arbitragem da Confederação Africana de Futebol, onde até tem um angolano no Comité Executivo, em referência à Rui Campos.

Não pactuo com situações do género que, para além de serem repugnantes, podem ter o condão de ratificar os discursos errados, muitos deles evocados em outras paragens continentais, segundo os quais os africanos são de uma estirpe pouco polida no que tange a convivência urbana social.

Aliás, não faz muito tempo que o anterior e actual presidentes da Federação Angolana de Futebol, respectivamente, Pedro Neto e Artur Almeida, foram vítimas de assalto em terras de Nelson Mandela, e mais uma vez o silêncio falou mais alto que qualquer outro acto em defesa não só de Natael mas de Angola e dos angolanos que merecem mais respeito. Carlos Calongo

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