Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Chegamos ao dia do futebol

17 de Dezembro, 2016
Depois do lufa-a-lufa que envolveu o processo de campanha; depois de os candidatos, qual verdadeiros fundistas, terem calcorreado o país de lés-a-lés à caça do voto; depois daquilo que configurou as declarações de cada um sobre que sopro promete dar ao futebol; enfim depois de toda expectativa causada pela natureza do próprio processo, eis-nos chegados ao dia D, aquele que me atrevo a designar, por minha conta e risco, o dia do futebol.

José Luís Prata, Artur de Almeida e Osvaldo Saturnino de Oliveira se perfilam na linha de partida, na corrida que terá como meta o cadeirão de presidente da Federação Angolana de Futebol, ocupado nos últimos seis anos por Pedro Neto. Portanto, todas incertezas serão desfeitas logo mais, quando o escrutínio determinar quem dos três terá argumentos e arcaboiço de tirar outros dois do caminho.

Sabemos que ambos os candidatos são homens do futebol, sendo que cada um à sua maneira, já deu válido contributo à modalidade. Mas agora se prestam em assumir responsabilidades mais elevadas, mais exigentes, pois uma coisa é ser segundo homem na direcção de uma determinada estrutura e outra é ser primeiro. Desde já, deixo aqui escrito, com todas as letras, que qualquer um tem perfil para o cargo.

Talvez a questão possa existir no pragmatismo de cada um, porque seria um desatino dizer que ambos têm a mesma capacidade executiva ou de dar solução aos problemas de que enferma hoje por hoje o nosso futebol, que não são poucos como é sabido. Nos programas apresentados, nos pronunciamentos feitos, foi tudo um mar de rosas perfumadas. Mas há-de convir que da teoria à prática vai alguma distância.

Dai que, aqueles com direito a voto devem saber exercê-lo com alguma frieza e calculismo, e não no embalo de alguns laivos de emoção. Afinal mais do que eleger um presidente, está em primeira instância o dea-after do futebol nacional. Quem por cá anda, com noção real do que se está a passar, saberá que a modalidade carece de um sopro de vitalidade para sair da penumbra em que se acha mergulhada, e este não se trata de um desafio fácil.

Se me faço entender, pretendo dizer que o actual estágio do futebol angolano precisa de uma liderança séria e responsável. Fazer-se ao cargo movido por emoções ou por mero desejo de visibilidade pessoal não se compadece com aquilo que é o desejo da tribo do futebol angolano. Pretende-se uma direcção que a médio ou curto prazo nos leve a perceber que afinal as coisas não estavam boas e a mudança valeu a pena.

Não me compete dar pistas de quem deve constituir a aposta certa, até porque a fazê-lo mais não seria senão um atropelo grave aos princípios que devem nortear um bom jornalismo. A população votante tem esta responsabilidade. Não se deve pensar em agradar a B ou a C, mas ao futebol, porque nenhum dos candidatos se apresenta à beira da falência de valores, mas o futebol está em risco eminente.

Aliás, na minha óptica este pode ser o pleito eleitoral mais complexo já visto na história da Federação Angolana de Futebol. Porque os anteriores candidatos concorriam ao lugar para manter o nível competitivo e qualitativo do futebol ou com compromisso de guindá-lo para um patamar mais sadio. Mas os candidatos de hoje fazem-no para salvá-lo. E esta é, realmente, uma missão hercúlea de que eles têm em mente.

Competitivamente, a Selecção A não se qualifica a um campeonato africano há duas edições, sendo que a sua última participação remonta do CAN'2013 na África do Sul. Isto deve constituir uma preocupação. Da última vez que esteve num Campeonato do Mundo já passam dez anos. Isto deve constituir uma preocupação. A selecção de Sub-20, que também já foi a um campeonato do mundo(na Argentina), há muito caiu na desgraça. Isto deve constituir também uma preocupação.

Aqui chegado, entendo que é a melhoria deste quadro que deve sensibilizar os candidatos. Mas quem sou eu para dar lições a homens melhor entendidos nesta matéria? Interessa-me agora esperar que quem sair da rifa nos devolva aquela alegria contagiante que só futebol é capaz de nos proporcionar. Angola quer voltar a soltar o sorriso futebolístico. Desejo sorte aos candidatos...
Matias Adriano

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