Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinião

Chiazi e Tundavala estão na moda

10 de Outubro, 2017
Qualquer leitor deste jornal, no uso normal das faculdades mentais, conhece o valor da expressão \"estar na moda\", muito usual na oralidade portuguesa, e além do mais, cada um à seu jeito, gosta estar na moda, claro, pelas melhores razões, que elevam ao estatuto de \"estrelas\", apesar de que a fama que dela advém, com raras excepções, não dura para sempre.
E se recuarmos ao ano de 2017, ou seja, 2010 (apenas há sete anos), Angola esteve na moda, por conta da realização do Campeonato Africano de Futebol, que foi também uma página adicionada à história do País, que passou a constar do leque privilegiado das Nações que já albergaram a maior festa do futebol a nível do também chamado \"continente berço da humanidade\".
Para tal, o País esmerou-se em cumprir as exigências impostas pela magnitude do evento, sobretudo as relacionadas com as infra-estruturas, no caso, estádios, cujos padrões devem estar em harmonia do que de mais moderno existe e se exige para competições do género.
Assim sugiram os \"monstruosos\" Estádios da Ombaka, do Chiazi, da Tundavala e 11 de Novembro, respectivamente, localizados em Benguela, Cabinda, Huila e Luanda, nos quais desfilares jogadores da montra mundial tais como, Samuel Eto’o, Geremi Njitap, Kanouté, Seydou Keita, Gervinho, Drogba, Asamoah Gyan, Peter Odemwingie, etc.
De certo que os jogadores referidos no parágrafo precedente e outros que não tiveram iguais honras, caso voltassem ao País e fossem convidados a visitar, neste momento, os Estádios da Tundavala e Chiazi, particularmente, seriam capazes de deixar escapar uma lágrima no canto do olho \"como alguém um dia cantou\".
Tudo pela degradação acentuada em que se encontram os referidos recintos que foram palcos das séries B e D, onde, na primeira fase, de grupos, jogaram respectivamente, Costa do Marfim, Ghana e Burkina Faso; Zâmbia, Camarões, Gabão e Tunísia.
Apesar do muito que já se escreveu sobre o assunto, hoje nos propomos a mais uma incursão ao tema que nos últimos dias está na moda, infelizmente, pelas piores razões, ao que ninguém, com a mínima coerência possível, aplaude, por mais que seja obrigado.
Isto por que as coisas ganharam contornos tão elevados de degradação, e a esta hora ninguém está em condições de apontar, como motivo da situação, a falta de aviso, aliás, isso é o que nunca faltou, sobretudo a partir do segundo semestre do ano de 2016, em que se intensificaram as denúncias, vindas de todos sítios, formas e formatos informativos.
Como quem de direito preferiu assobiar de lado, o Estádio da Tundavala, depois de ficar sem o gerador (ao que se diz levado para a fazenda de um dirigente político) tem a relva em estado de elevada degradação, por falta de irrigação e cuja reabilitação só é possível por via de um processo de reinício.
Em relação ao Estádio do Chiazi, na província de Cabinda, a situação é muito mais grave ao ponto de motivar que uma das primeiras tarefas da agenda do recém-nomeado Governador Provincial, Eugénio Laborinho, fosse justamente, uma visita ao recinto, sem serem publicamente conhecidas, de sua voz, as orientações concretas transmitidas para a inversão do quadro, o que, de certo, terão sido baixadas.
Mais do que encontrar culpados, exercício que entre nós ainda precisa de ser aprimorado, o mais importante é encontrar-se soluções para debelar a situação, antecipando estragos maiores cujas repercussões nem o diabo as gostaria arcar como castigo.
Finalmente, e como não foi possível abordar todos os aspectos da conversa que está na moda, proponho-me a rebater o assunto oportunamente, já com ideias concretas com as quais penso ajudar na minimização da situação, sem qualquer interesse para além do nosso contributo pelo bem comum do fenómeno chamado futebol, que nos une, e nos pode nos colocar na moda, pelas melhores razões.
CARLOS CALONGO

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