Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Chicotadas no 22 de Junho

17 de Novembro, 2016
A opção das chicotadas psicológicas, mais do que uma opção solidamente assente numa estratégia consolidada de desenvolvimento de um projecto desportivo, parece ser mais o produto de decisões normalmente extemporâneas e condicionadas pela indignação e contestação derivada de resultados desportivos menos conseguidos.

O problema é que no desporto nem todos ganham e não é pelo facto de não se ganhar que se deve pôr em causa a competência de um profissional.
Pessoalmente acho que quando tal acontece, perde-se uma excelente oportunidade de desenvolver e consolidar uma visão estratégica para o clube que se dirige, atrasando, por vezes, um processo de trabalho que, ainda que não estivesse a produzir os resultados pretendidos, talvez pudesse, eventualmente no futuro, permitir a consolidação de toda uma estrutura.

Vem este intróito a propósito das chicotadas que alguns dirigentes da nossa praça futebolística vem como melhor solução para salvaguardarem, principalmente as suas posições sempre intocáveis.

E como tal, as primeiras vitimas que estão desgraçadamente mais a mão de alguns dirigentes, alguns dos quais incompetentes, pelos maus resultados verificados pelas equipas, são sempre os treinadores.

Um caso concreto e o que se passa no Interclube que no espaço de três anos contratou quatro técnicos!
Como pode uma equipa concretizar as metas traçadas se muda constantemente de treinador? Em 2014, Alves Simões contratou o croata Mirsad Omerhdzic.

A meio da primeira volta foi chicoteado, passando a equipa a ser dirigida pela dupla angolana Luís Borges e Abílio Amaral. Não contente e porque os resultados não apareciam, Alves Simões foi buscar o búlgaro Ilian Iliev, que comandou a equipa durante toda a segunda volta. Na época seguinte, 2015, o búlgaro iniciou a nova temporada a frente do leme. Contudo, as coisas não correram de feição e foi também chicoteado.

A alternativa foi contratar um técnico que conhece perfeitamente o futebol nacional. Veselin Vesko, que alcançou um honroso quinto lugar na tabela classificativa. Foi, por assim dizer, a melhor classificação da equipa do Roch Pinto dos últimos cinco anos.

Como o "chicote" é uma "imagem de marca" do 22 de Junho, Vesko tomou o mesmo rumo dos seus antecessores. Contrariando todas as expectativas, o sérvio regressou à procedência e em 2016 foi contratado um novo técnico, o croata Zdravko Logarusic, que não fez melhor. Colocou a equipa no modesto sétimo lugar, o pior dos últimos três anos.

Os referidos técnicos que foram postos na rua e atirados para o desemprego, de certeza que foram bem indemnizados. Também não deixa de ser verdade que, muita das vezes, deixam os cofres dos clubes numa situação de completa penúria. E isso só é possível, muita das vezes, por completa incompetência de alguns dirigentes, como já atrás referi.

Algo que gostaria de perguntar, porque ainda não cheguei a entender, e o porque que as principais vitimas, pelos maus resultados verificados pelas equipas, são sempre os treinadores, que não devem ganhar assim tão pouco, e com as chicotadas recebem boas indemnizações. Ou estarei errado?

Na minha modesta opinião, mais do que um eficaz instrumento de gestão motivacional e técnica dos recursos humanos, a "chicotada psicológica" pode, em muitas situações, contribuir para um incremento da instabilidade, fragilidade e perda de organização de um processo de trabalho que se procura desenvolver.

Para terminar desejo que os nossos dirigentes tenham a lucidez de aceitar que a competitividade e a competência do funcionamento de uma estrutura levam o seu tempo, e ate por vezes bastante tempo.

Que seja dado aos profissionais, particularmente aos treinadores, tempo. Porque no futebol, como na vida, o sucesso não aparece de mão beijada nem de um momento para o outro. O exemplo do 1 de Agosto fala por si. Ate para a semana.

Policarpo da Rosa

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