Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Chorar at quando?

29 de Julho, 2016
O coro de gritaria dos clubes do Girabola não surpreende a ninguém, por se tratar de uma ladainha conhecida. A apetece-nos por isso perguntar como é possível fazer-se ao mar sem se aviar em terra. Ou seja, porque razão os clubes se apresentam para competir no Girabola sem quaisquer garantias.

A lista desses clubes já não é constituída apenas por “pequenos”, e clubes das “províncias”. É uma situação transversal, que assola do topo a base. Uns são mais discretos do que os outros, razão pela qual há impressão de serem sempre os mesmos.

Porém, é uma situação conjectural, afecta quase a todos. Digo quase, porque existirão uns poucos que ainda assistem à distância os choros, mas já deviam estar a preparar a forma como irão também chorar. Considero que mais tarde ou mais cedo à crise pode lhes bater a porta. Faço fé que não chegue este dia, para o bem do futebol nacional, sobretudo pelas famílias que dependem disso para viverem.

Um dos grandes que não tem vergonha de chorar é o ASA, Atlético Sport Aviação. A terceira força do futebol nacional, com onze títulos na galeria, três campeonatos nacionais, cinco supertaças e três taças de Angola.

É sem dúvida, a terceira, depois do Petro de Luanda e do 1º de Agosto. Mas está longe de se igualar a esses dois emblemas, por razões que nunca ninguém deu a devida importância. O ASA assim como a maioria dos clubes, o Interclube é dos tais, nunca valorizou os sócios, nunca investiu o suficiente para conquistar, seduzir os sócios. Nunca se preocupou em legalizar o seu património imobiliário. Viveu sempre debaixo das asas da TAAG, invertida a situação hoje, grita por tudo quanto é canto para sobreviver. A TAAG, até então a principal patrocinadora, parece disposta a olhar para outras prioridades, e as outras empresas do Ministério dos Transportes vivem dificuldades mil, dado que reduziram as importações.

Só o futuro poderá determinar o destino do ASA, porque esta mais do que as outras parece já estar nos cuidados intensivos, precisa de uma intervenção de urgência, razão pela qual a direcção do ASA devia usar as suas influencias para tentar legalizar o quanto antes o seu património imobiliário, é quanto a nos a única solução viável.

Os choros do ASA, e de outras equipas que ainda não se manifestaram publicamente devem servir de alerta para outras equipas que desejam estar no Girabola. É necessário ante de qualquer sonho preparar condições infra-estruturais, capazes de suportas as despesas de uma época desportiva ou duas. Deviam os clubes olhar os sócios como activos, fontes de receitas, ainda que não paguem a totalidade das despesas, porque não existe no futebol moderno quem viva unicamente disso, porém é das principais fontes, porque por detrás de um sócio não está apenas a quota, mas também o consumo dos produtos que a equipa tenha eventualmente.

Por outro lado, os clubes já não deviam sofrer calados, é necessário apertar a Federação Angolana de Futebol para que coloque o dinheiro do "naming" da competição a favor dos clubes que fazem a prova acontecerem. É necessário rentabilizar o produto futebol, acabou “a teta” mas também deve acabar o amor à camisola. São tempos difíceis, que exigem pragmatismo dos clubes e pensamento criativo. Agora é que os verdadeiros homens do futebol vão ocupar os respectivos lugares, porque muitos que hoje se dizem presidentes dos clubes tinham em vista outras realizações.

Teixeira Cândido

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