Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Clssico no fecho da temporada

09 de Novembro, 2017
O Girabola encerrou no passado fim-de-semana, com a consagração do 1º de Agosto. O título assenta, perfeitamente, ao clube do rio seco, por tudo o que fez durante a temporada.
Por detrás de mais este título, o segundo consecutivo, está a mentalidade de quem sabe que o preparo é a parte mais importante, e os resultados são os frutos de tudo que se faz longe dos holofotes. Refiro-me ao técnico Dragan Jovic, que por razões de saúde, vai abandonar o leme da equipa militar.
“Primeiro, está a saúde, mas esta análise não significa que a porta está fechada. Nos próximos um ou dois anos, se o 1º de Agosto precisar de mim, podemos trabalhar novamente”, disse o técnico que ainda vai orientar a equipa na final da Taça de Angola, que se disputa no sábado, no Estádio 11 de Novembro.
Antes de falar, concretamente, da final da Taça de Angola, que opõe por ironia, o campeão e o vice campeão da presente temporada, nomeadamente, o 1º de Agosto e o Petro de Luanda, peço ao órgão reitor do nosso futebol, no caso a FAF, que a época de 2017 termine com dignidade. Que o problema que envolve o Progresso da Lunda - Sul não manche a verdade desportiva da prova.
Parabéns ao campeão. Honra aos vencidos. Para todos profunda reflexão. Que haja vontade de trabalhar mais e melhor, para a próxima temporada. Que a época de 2018 seja preparada com qualidade, envolvimento e sabedoria, para que possa constituir como um marco exemplar de transparência e de prestígio.
Há toda a necessidade de reduzir, fortemente, os efeitos colaterais que tanto afectam a imagem do nosso futebol. Imprescindível, mesmo. O meu apelo não é apenas para a FAF, estende-se igualmente aos clubes que na próxima época, largam da grelha de partida para mais uma edição do Girabola.
A festa do futebol, infelizmente, termina no sábado, quando se disputar o troféu da segunda prova mais importante do calendário da FAF. A Taça de Angola, em que são finalistas, os dois colossos do futebol nacional: Petro de Luanda e 1º de Agosto.
Se o clube do rio seco apostar na conquista da dobradinha (juntar a Taça ao Girabola), o conjunto do eixo viário, por sua vez, tem na Taça de Angola a oportunidade de salvar a temporada, depois de voltar a fracassar na conquista do grande objectivo, o Girabola.
É, por assim dizer, um jogo de alto risco, em função da performance que as duas equipas representam no nosso futebol. A matemática ordena prudência, em termos de favoritismo. O imprevisto, é algo que acontece em jogos que envolvem duas equipas, e a produtividade depende de intermináveis factores.
Quando a disputa se resume a candidatos equilibrados, é difícil apontar um favorito. Aliás, a configuração psíquica é o factor que mais desempata a contenda entre as duas equipas, em qualquer fragmento temporal.
Se a isto, adicionarmos o contexto global desportivo, de um Petro pressionado pela imperial necessidade de vencer a Taça de Angola, para salvar a época, aliás, um propósito defendido pelo seu treinador, e um 1º de Agosto consolidado e tranquilo (é bi campeão), podemos inclinar-nos para um favoritismo militar.
Como analista, sinto-me impotente para dizer que é de facto assim, no final dos 90 minutos ou do prolongamento, ou mesmo depois da marcação das grandes penalidades.
Neste autêntico carrossel que é o futebol, o raciocínio lógico e dedutivo nunca deve descurar as infinitas variações, que resultam do acaso. Digo isto, porque num jogo acontecem vários casos, como por exemplo, a bola que bate no poste e sai, a bola que bate no poste, gira e caprichosamente entra.
Temos ainda, o ressalto que engana, o dia mau deste ou aquele jogador. Enfim, uma série de factores que felizmente para uma equipa e infelizmente para outra, acabam por ditar o vencedor de uma partida. Tudo isso, porque o desafio é jogado por pessoas, nas suas múltiplas circunstâncias contextuais.
É por isso, que em extrema análise, a previsão é o mais inapto e vazio exercício intelectual que se pode fazer. Só espero, que o vencedor seja a equipa que no final da partida mereça ganhar, que não seja “empurrada” por ninguém. Policarpo da Rosa

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