Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Clubes com denominaes inoportunas

11 de Abril, 2019
Barcelona de Cacuaco, Manchester City da Samba, Camarões do Cazenga, Manchester United da Corimba, FC do Porto do Casseque e assim por diante, são denominações que alguns jovens amantes do futebol escolheram ou escolhem, para os seus clubes de bairro. À primeira vista, parece não haver nada de anormal, porque afinal de contas é uma forma de determinado grupo de jovens demonstrar a sua simpatia por tais clubes e pelos jogadores que os representam.
Quando por exemplo, um Barcelona do Rangel defronta um Real Madrid do Sambizanga, podemos calcular o que vai na mente dos jovens rapazes que participam do referido “dérbi”. Muitos deles revêem-se em jogadores, como, Messi, Suarez, Benzema Sérgio Ramos e outros.
Até aí, tudo bem. Entretanto, existem pormenores ligados a esse tipo de pensamento, que podem ser prejudiciais à cultura dos nossos jovens. Por exemplo, poucos sabem que os dois clubes que conhecemos como Manchester City e United, pertencem a uma cidade da Inglaterra, que atende pelo nome de Manchester.
Daí, que Manchester City, significa Cidade de Manchester e Manchester United, Unidos do Manchester. Podiamos comparar os dois clubes ingleses com o Futebol Clube de Luanda, ou com o União da Catumbela (equipas há muto desaparecidas do cenário futebolístico angolano).
Portanto, não há lógica possível, de denominar uma equipa destas, como União da Catumbela, Manchester ou Futebol Clube de Luanda de Madrid. É um autêntico disparate. É, globalmente descabido, inconcebível. É muito mais grave, quando nós media damos força a este tipo de erros, por publicitar as actividades de tais clubes ou seja, pronunciar tais denominações em rádios, jornais ou outros meios de difusão.
Na realidade, por agirmos assim, contribuímos para manter os nossos jovens na ignorância, nesse campo e não só. Antes, porque a nossa função como homens da comunicação social também é educar ou instruir, devemos reprovar esse tipo de pensamento, por parte dos nossos jovens. É com este tipo de pensamento, que a juventude se torna facilmente maleável, à qualquer tipo de conduta e cultura. Aliás, vemos como está a nossa juventude, em termos de cultura geral e não só.
Muito recentemente tivemos dois casos que chocaram a sociedade, quando em uma ocasião, 100 por cento dos candidatos à uma determinada vaga da Universidade Agostinho Neto reprovaram e noutra, cerca de 1.300 médicos reprovaram num teste de cultura geral, ou algo parecido.
Isso implica dizer, que temos de prestar muita atenção ao que se ensina aos jovens. O que aprendem e quais as fontes de tais ensinos! Quem aceita de bom grado que o seu clube se chame Brasil do Kioxi ou Alemanha do Bita Tanque, está totalmente descontextualizado.
Podemos aceitar que alguém se auto - denomine Messi, Ronaldo ou que alguém o apelide com tais nomes. É normal aceitar denominações, como Benfica de Luanda, Atlético da Camunda, do Bita ou Sporting de Cabinda, do Uíge, Académica do Lobito, da Samba ou mesmo Juventude do Prenda e assim por diante. Agora, aceitar que nos peçam para escrever tolices como as acima referenciadas, é muito grave da nossa parte.
É com preocupação que ouço, em algumas fontes de informação, como rádios e jornais, informações de campeonatos ou torneios de bairro, com equipas com essas denominações. Temos de ajudar os jovens a saber o que é errado e ensinar como as coisas devem ser. Por outro lado, os organizadores de tais torneios, como o Girabairro, devem ser os primeiros a rejeitar tais ideias, não permitir ou não inscrever clubes com denominações descabidas, pois, todos os integrantes de tais clubes serão associados à tamanha ignorância.
Com tacto e paciência devem mostrar o perigo que está por detrás desse tipo de pensamento. Os erros não devem ser tolerados, pois, são transmissíveis. A iniciativa de organizar tais campeonatos é louvável e merece todo o apoio.
Entretanto, temos de primar pelo rigor, nas denominações de tais clubes. Nós os da imprensa desportiva e não só, podemos e devemos fazer a nossa parte, ajudar os jovens ao não noticiar eventos desportivos que tenham participação de equipas com denominações inoportunas. Augusto Fernandes

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