Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Clubes \"confessam\" federao assobia

14 de Setembro, 2017
A notícia que hoje publicamos nas nossas páginas 4 e 5, dando conta que alguns clubes afinal estão sem dinheiro suficiente para aguentar as \"encomendas\" dos árbitros, remete-me para crónicas passadas sobre a desordem e autoridade falida que graça no nosso doméstico \"despoto-rei\" - o futebol, portanto.

Certa vez, já não me lembro exactamente quando, até chamei à baila, numa crónica de futebol, cenas protagonizadas no tempo do futebol primitivo: escrevi que o futebol quando era primitivo - naquela época distante - as equipas entravam em campo considerando-se inimigas. Não havia as instâncias e autoridades que civilizaram-no.Eu pergunto: entre nós já não está decidido, há mais de cinco anos, que os clubes efectivamente tinham de ter um orçamento que encaminhariam para os cofres da Federação Angolana de Futebol para esta, por sua vez, pagar aos árbitros?

Julgo que, ao não ser assim, parece termos sido novamente arremessados para aquele mesmo tempo de futebol primitivo, que só passou para as calendas gregas quando ele - o futebol portanto - passou a ter um tratamento \"mais olímpico\". Isto só veio com o tempo, pondo-se cobro às mortes bárbaras em campo, nas bancadas, nos bastidores, entre jogadores, treinadores e adeptos. Lá onde há ordem, onde há autoridade futebolística, onde,há lei, a ordem é acatada.

Mas o que dizer dos ainda resquícios do futebol \"vândalo\", que hoje em dia nos são dados a ver, umas vezes em campo, outras vezes nas secretarias dos clubes, das associações e mesmo nas federações e outros órgãos que lidam e geram este bonito desporto de...jogar à bola?
E entre nós, repito a pergunta, não se acatou a directiva federativa de haver orçamento para clubes porquê? Como é que a federação fica a ver a \"banda a passar\",olhando e ouvindo clubes a alardearem a falta de capacidade para pagar árbitros? A federação não pode estar em cima do muro, não pode assobiar de lado...

Considero que se está assim então é porque não há autoridade da federação e desde logo parece que tudo é virtual no nosso futebol.
Este elenco de Artur Almeida tem de resgatar a autoridade exigida .Não pode ser como a consulado que sucedeu. Este chegou a prometer até que seria implacável, desde 2016, com os treinadores sem carteiras profissionaisde sentarem no banco durante os jogos, mas não passou disso.Era para combater o amadorismo, por ser um dos factores que retardam o desenvolvimento do futebol nacional. O elenco actual herdou este ónus. Mas esta federação já puniu quantos clubes e treinadores nesta condição?

A autoridade da federação deve ser mais abrangente e não limitar-se apenas ao \"cerco\" de agentes que disciplinarmente pagam com multas exorbitantes. Como é a sanção de cerca de um milhão e duzentos mil kwanzas imposta ao técnico Zeca Amaral do Bravos do Maquis só porque tratou de dar uma \"pista\" sobre aqueles árbitros desconfiadamente untados com uma espécie de \"presente envenenado\", à beira de uma bomba de combustível por supostos dirigentes de um grande clube que aqui já não cito porque todos conhecem.

Na gestão de Pedro Neto a federação chegou a impedir já o Kabuscorp do Palanca de ter técnicos sentados no banco dos suplentes até que a direcção do clube resolveu as questões financeiras com antigos treinadores da agremiação. Hoje o novo elenco o que faz com os clubes em falta?
E devido a este silêncio o que pensará , isoladamente, o próprio técnico Zeca Amaral do tempo de serviço do Benfica de Luanda em que foi advertido e tem de pagar uma multa no valor de 200 mil kwanzas, ordenado pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol?

O que pensará, igualmente, o antigo presidente de direcção do Clube Recreativo da Caála Horácio Mosquito que já foi castigado com pena de 300 mil kwanzas, na sequência da denúncia feita sobre corrupção no futebol em Angola? Portanto, é preciso mais autoridade da federação e isto só se concretiza com dirigentes com este rótulo, de cabeça, tronco e membros.

Há anos entrevistei o veterano político ( já falecido) Mendes de Carvalho que era um ferrenho adepto do futebol. Disse que no tempo da outra senhora ele jogou no Benfica do Calumbunze por amor à camisola, mas \"no tempo actual\" há políticos ( políticos no sentido de quem vive na polis) que sem autoridade entram no futebol só para ganharem notoriedade e assim terem público, visando outras ambições individuais.

Não sei se na altura o mais velho tinha acertado na mosca - como se diz - mas me recordo que era numa altura em que no nosso \"léxico desportivo\" apareceu o vocábulo pára-quedistas no futebol. Era para significar que figuras que nada têm de vivência no futebol entravam nas corridas eleitorais para ganhar e ter dividendos. Decididamente falta mais autoridade no nosso futebol!

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