Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Coisas do nosso futebol

17 de Janeiro, 2019
De entre os vários acontecimentos desportivos dos últimos dias, fica difícil eleger apenas um, para marcar o meu regresso (espero que seja definitivo) às páginas deste jornal especializado, por tal razão, vou tentar conciliar vários assuntos numa espécie de “balaio com letras”, sem que se atribua a mim a originalidade do termo, entre aspas, que nem tenho memória de onde o retirei.
Na base, como quase sempre, o nosso futebol sénior masculino, por esta altura está marcado com a disputa do Girabola 2018-19 que é tão-somente a maior competição interna do mundo do desporto-rei, que é também das emoções e paixões dos seus gestores, praticantes e apreciadores.
Premindo a tecla da gestão, na senda do que há dias escreveu o Teixeira Cândido, à quem aproveito para mandar um abraço de ano novo e um recado para “deixar de plagiar as minhas intenções de escrever sobre o Inter Clube de Angola”, - assim mesmo, numa salutar brincadeira e como se diz, tudo na paz - .
Dizia, sobre o clube da polícia, já era sem tempo da direcção perceber que se calhar a falha não está apenas nos treinadores, que na gestão de Alves Simões (já nem sei quantos) são metidos e tirados, como se fossem camisas trocadas no pico do Verão no Velho continente, de onde muitos deles são oriundos.
Arrisco em dizer, que a continuidade do técnico Rui Garcia é uma questão de horas, a não ser que haja algum retrocesso na intenção, pois, o que vimos no jogo com o Petro de Luanda, tudo indica que o Inter vai anunciar como novo treinador, o antigo jogador do Benfica de Lisboa, Bruno Ribeiro, que na prática, no passado fim-de-semana, já desempenhou as funções de técnico.
A haver mais coragem no clube do Rocha Pinto, talvez seja a hora de ensaiar a possibilidade do fim de mandato dos actuais corpos gerentes, abrir alas para que outras pessoas mostrem o que sabem e podem dar em prol do Inter clube, que precisa de materializar a intenção de ser, de facto, um grande clube.
De um salto à margem Sul do rio Kwanza, (recuso-me a grafar Cuanza), propriamente na Vila de Calulo, parece-me que as coisas também devem ser melhor alinhadas, para se acautelar as constantes trocas de treinadores que também não promovem a desejada estabilidade que qualquer “grupo” necessita para atingir os objectivos.
Com o fundamento, apenas, nos maus resultados, o treinador do Recreativo do Libolo, Sérgio Boris, foi bem “chicoteado”, não fosse, por altura da decisão, o clube que faz parte do grupo dos campeões nacionais, ocupar a indigna 15ª posição, penúltima se preferirem, disputadas que foram dez jornadas com um pecúlio de 8 pontos, em 30 possíveis, coisa que não é marca na equipa de Calulo. Se ainda existe alguma pinta de sorte, que determina uma possível recuperação do Libolo, reside no facto do pelotão da frente estar a andar numa marcha intermitente, tanto quanto a diferença pontual é de 11 pontos, (por altura da elaboração deste texto) recuperáveis em quatro vitórias, o que não é algo impossível para a equipa que deve ser orientada, interinamente, por André Macanga, outra vez na condição de “bombeiro”.
E, por falar de André Macanga, tenho dificuldade de perceber as razões dos dirigentes da equipa da Vila de Calulo, não apostarem em definitivo na prata da casa, onde até têm quadros como o citado ex. capitão dos Palancas, o Mendes, para não falar da experiência de Nelito Cacharamba, que há muito anda no departamento de futebol.
Enfim, são coisas de outro rosário, pelas quais não temos de decidir nem estar na ingerência, cabe-nos apenas a apreciação por via das páginas deste jornal, no afã de cumprirmos o nosso dever social, enquanto profissionais do jornalismo e nada mais.
Por fim, uma palavrinha de apreço ao 1º de Agosto, eleito o quinto melhor clube africano do ano, facto que deve ser motivo de orgulho nacional e não restam dúvidas, tal feito passa pelo desempenho que os militares tiveram na edição passada da liga dos campeões, em que só não chegou à final, pela malandrice do árbitro zambiano, cujo nome recuso-me citar, em honra e respeito aos adeptos militares que querem, quanto antes, esquecerem-se dele.
Carlos Calongo

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