Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Coisas do nosso Girabola

04 de Outubro, 2013
Isso acontece pelo facto de, ao invés do que acontecia nas edições anteriores, a luta pela permanência no escalão principal do futebol nacional envolver equipas de alguns dos chamados clubes “grandes” e com alguma tradição no meio desportivo nacional, que já se sagraram campeões nacionais, e outros com alguma saúde financeira e que movimentam uma significativa quantidade de adeptos e amigos.

Não constitui novidade que o Girabola de 2013, que começou a descrever já a sua curva descendente, está a provocar emoções e ansiedade desmedida entre os desportistas, com principal incidência para os amantes do futebol. Isso acontece devido ao facto de se estar diante do campeonato principal de futebol mais disputado e equilibrado que há memória nos últimos tempos, apesar da margem considerável de doze pontos que separa o líder (Kabuskorp do Palanca) do segundo classificado (1º de Agosto).

Em nossa opinião, essa expectativa está ligada ao facto de os protagonistas, antes considerados fracos e “animadores da festa”, terem caprichado mais na criação de condições para participarem na luta renhida até a última ronda, numa altura em que faltam 4 jornadas para a conclusão da prova.

O Kabuskorp do Palanca, fundado há dezoito anos, que nas duas edições anteriores se constituiu num “intruso” na luta pela conquista do título, é o exemplo do que atrás está descrito. Ao invés do que aconteceu na maioria dos anteriores campeonatos, onde o 1º de Agosto, Petro de Luanda e mais recentemente o Recreativo do Libolo, cativavam as atenções no que diz respeito à disputa pelo título, no presente, por muitos considerado o mais disputado e equilibrado, os habituais “colossos” do futebol nacional têm a fazer sombra as formações do Kabuskorp do Palanca, FC Bravos do Maquis e Sagrada Esperança.

Tal facto indicia que as equipas capricharam mais na organização desportiva e administrativa, o que se passa também com as formações que se batem pela permanência na “fina flor” da modalidade rainha, onde permanece a incógnita quanto quem na próxima época vai participar nos “provinciais”.

Nesta fase derradeira da competição, como resultado de alguns “casos” que têm surgido, que atrofiam o seu curso normal, é imperioso que os membros do organismo que organiza e dirige o futebol nacional desenvolvam os mecanismos que se impõem, no sentido de que as possíveis situações extra jogo sejam evitadas.

Assim, não só os membros de direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), mas todos os agentes desportivos e os cidadãos anónimos que gostam do futebol, devem empenhar-se na elevação dos sentimentos da verdade desportiva e do “fair play”, pelo facto de começarem a surgir alguns comentários indicadores de que dirigentes e responsáveis de alguns clubes não vão olhar a meios e nem poupar esforços, no sentido de recorrerem a formas fraudulentas, para as suas equipas alcançarem os resultados que no campo desportivo, poderão encarar dificuldades em atingir.

É preciso não esquecer que a pressão a que estarão sujeitos alguns jogadores terá influência no ponto de vista da exibição e do rendimento desportivo, facto que estará na base de, em alguns jogos, as equipas priorizarem a obtenção dos resultados em detrimento da qualidade do nível de futebol.

À medida que a marcha do tempo se encaminha para que o campeonato atinja o seu epílogo, a expectativa aumenta. As direcções dos clubes socorrem-se das calculadoras com o fim de saberem se os investimentos efectuados na pré-época estão a ter a devida correspondência.
Leonel Libório

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