Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Com elas o mundo melhor

03 de Fevereiro, 2020
Há dias o antigo Presidente dos Estados Unidos da América, Brack Obama, disse uma grande verdade: se as mulheres estivessem em maior número a liderar as diversas instituições, sejam elas políticas, desportivas, económicas ou outras...o mundo seria melhor.
Eu pensei no desporto. Por exemplo, já em 2008 defendia publicamente que os rostos femininos que eram mais visíveis no dirigismo desportivo angolano eram os de Eufrazina Maiato, na altura vice-presidente da Federação Angolana de Futebol, Felícia Pestana, que era vice da Federação Angolana de Boxe, Fátima Jardim, à frente da Mesa da Assembleia do Comité Paralímpico Angolano e Albina Assis, na do Clube de Golfe.
Naquele ano dava então para ver e agitar, no bom sentido que fora do associativismo desportivo - portanto nos clubes, associações e federações - tinha de se trabalhar muito para se ter mais mulheres a dirigir estes órgão.
A professora Fernanda Menezes e mulheres a apitarem partidas de futebol eram também sonantes fora de tais instituições, dominadas por homens , muitos deles eleitos em pleitos fraudulentos .
Se no país era assim, já além fronteira, me recordo que, em nome de Angola, o nome e rosto mais badalado era da ex-Primeira-Dama, Dona Ana Paula dos Santos, devido à distinção que tivera em África e Mundo, na altura em que se notabilizou pela sua entrega ao apoio ao desporto, na categoria feminina e paralímpico.
Hoje, passados que estão doze anos, desde os últimos processos eleitorais no associativismo, quem por esses dias, passar uma vista nas mais diversas listas que estão a ser projectadas para as eleições nos clubes, associações e federação há-de notar que nenhuma mulher voltará a concorrer ou ser apresenta como candidata a liderança.
Será que não temos no país mulheres formadas e capacitadas para, de imediato, assumirem a liderança de várias instituições desportivas?
Sem que estejamos a empolar a questão, diga-se mesmo que esta preocupação ganhou corpo nos meandros da família desportiva do feminino.
Não é fazer política, desde o dia em que o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, em discurso dirigido à Nação, anunciou que próximos Governo e Parlamento as mulheres deverão estar presentes em trinta por cento, pensei no Desporto .
Neste Governo dirigido por João Mauel Gonçalves Lourenço, a aposta, no pelouro desportivo, pendeu para a senhora Ana Paula Sacramento. Bom sinal!
Julgo que a pensar nesta liderança, comparativamente, na maior parte das listas que estão a ser tecidas, elas, as mulheres, não podem ser relegadas para postos de simples vice-presidentes ou vogais, numa altura em que vários organismos se têm assumido como arautos do equilíbrio do género.
É uma questão - essa do liderança desportiva no feminino – que deve constituir preocupação e seriedade, pois, se noutras esferas da vida do país – na economia, cultura, política etc.- a questão parece vir a resolver-se, no desporto não se pode estar a margem.
Porque se até no campo competitivo têm dado provas de liderança e conquistas, como, só para citar uma, se vê no andebol sénior feminino , manda-nos o bom senso dizer que também, no capítulo do dirigismo desportivo, concretamente, a nível das federações, não se justifica a grossa ausência de uma presidente em qualquer delas.
Não é o próprio mosaico feminino que justifica esse deficit nos clubes, associações e federações em maior número à frente.
Deriva de condicionalismos impostos pelo aspecto cultural, particularmente pelos entraves do machismo.
Porque, digo mais ainda, sendo hoje a população angolana maioritariamente feminina, deve-se-lhes dar amplas oportunidades nas horas das eleições.
António Felix

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