Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Policarpo da Rosa

Comear do zero novamente

23 de Novembro, 2017
Os amantes do futebol e do desporto no geral estão ansiosos em conhecerem o novo pastor dos Palancas Negras. A saída prematura do “patriota” Beto Bianchi surpreendeu tudo e todos, principalmente pelos escassos dias que nos separam do início da fase final do CHAN.
Tudo vai começar do zero novamente, porque o trabalho iniciado por Beto Bianchi não terá continuidade. O novo treinador terá pouco tempo para introduzir as suas ideias e mesmo assim não será nada fácil a sua tarefa, em função da data de início da competição.
É verdade que a saída de Bianchi apanhou todos com a calça nas mãos, inclusive o órgão reitor do futebol nacional, segundo o seu Secretário Geral, Rui Costa.
“A saída do treinador surpreendeu-nos a todos. Contávamos tê-lo à frente da equipa técnica até ao CHAN. Mas acabou por deixar a selecção nacional, porque o Petro de Luanda tem interesses a defender na próxima época futebolística”, adiantou o responsável da FAF.
Contudo, também é verdade que a FAF tem a sua dose de culpabilidade, porque sabia de antemão que o conjunto do eixo viário iria disputar uma das competições africanas, cujo início acontece logo depois do termino da fase final do CHAN.
Com a dupla função, dificilmente Beto Bianchi iria conseguir conciliar as duas tarefas, isto é treinar ao mesmo tempo o Petro e os Palancas Negras. Uma delas seria sacrificada. E foi aí que a direcção do Petro apareceu e tomou a decisão mais acertada, por ser o patrão do treinador.
Não me parece muito difícil perceber os benefícios da estabilidade que o presidente do Petro, Tomás Faria, pretende com a sua decisão. Naturalmente, uma equipa com sucesso que transita de uma época para outra, arrisca-se seriamente a continuar a ter sucesso. Também não me parece muito difícil perceber o conceito do “reforço” de Beto Bianchi. Em princípio, será para reforçar o seu espaço como treinador, tornando-o mais forte. Por outro lado e numa opinião muito pessoal, o Petro de Luanda, nos últimos dois anos, evoluiu, por contingência várias, rumo a estabilidade.
Os dois segundos lugares alcançados em 2016 e 2017, e a conquista da Taça de Angola (2017), tudo sob comando de Beto Bianchi, são as provas mais eloquentes. Tudo isso, a meu ver, terá pesado na tomada de posição da sua direcção.
O presidente da FAF, Artur de Almeida, poderá nas próximas horas anunciar o novo pastor dos Palancas Negras. Todos aguardam com alguma ansiedade o seu nome. Será angolano? Será estrangeiro? Esta é a pergunta que cada um faz a si próprio e cuja resposta só a terá quando o patrono da FAF anunciar o seu nome.
Seguramente, cada caso é um caso, com contornos próprios. Refiro-me ao momento em que foi anunciado o nome de Beto Bianchi e os contornos que se seguiram. Mas a ansiedade existe e é muito perturbador, em função do pouco tempo que o novo treinador terá para trabalhar até ao início da fase final do CHAN.
Os amantes do futebol e não só, demonstram, neste momento, um enorme mal estar. Exigem da FAF respostas simples para uma questão complexa e medidas imediatas e parcelares para acudir o problema, que está a mexer com toda sociedade.
Não se trata de ser pessimista, mas de ser realista, admitindo, na actual conjuntura, todas as possibilidades. O que me dá também alento para combater as possibilidades que não queremos, porque nos reconduziriam aos anos de pesadelo porque passaram os Palancas Negras.
A FAF tem uma batalha muito difícil pela frente. As armas ao seu dispor, nesta batalha, são as ideias: os valores e os princípios que os consubstanciam. É por eles que a FAF deve começar, antes de escolher o novo Pastor dos Palancas Negras, que terá pouco menos de 50 dias para encontrar o antídoto que melhor se encaixa nos propósitos delineados pela FAF.
Um outro aspecto importante com que se debate Artur de Almeida é a componente financeira. Segundo dados recolhidos serão necessários aproximadamente 150 mil dólares, para suportar todos os encargos.
Dinheiro este que ainda não existe e que poderá aumentar em função do programa de trabalho a apresentar pelo novo Pastor. Não está nada fácil o dia a dia de Artur de Almeida.

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