Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Comearam as makas na FAF

19 de Janeiro, 2017
A renúncia de Norberto de Castro, vice-presidente para o futebol jovem, há sensivelmente um mês de ter tomado posse no novo elenco directivo da FAF, constitui grande surpresa para os amantes do futebol. Apesar de tratar-se da primeira questão do género, registada no actual elenco federativo, não é entretanto caso inédito na história da Federação Angolana de Futebol.

Segundo Norberto de Castro, a sua exclusão em reuniões de direcção, além de saber por terceiros de que ia passar a ocupar-se do cargo de vice-presidente para o futebol ao nível de municípios e comunas, ao contrário do inicialmente proposto ao longo da campanha eleitoral, que era o de vice-presidente para o futebol jovem, foi um dos motivos que o levaram a apresentar a demissão, com a alegação ainda de que não ia compactuar com “falsidades”.

Aliás, foram por causa dessas falsidades que o caldo entornou, quando o demissionário criticou alguns pontos menos visíveis que constatou ao longo do pouco tempo de vigência do actual elenco.

Quando menos esperava, recebeu um “puxão de orelhas” do presidente Artur de Almeida, que em reacção às críticas dirigidas ao grupo de trabalhos, disse a Norberto de Castro que colocasse o lugar à disposição, se estivesse descontente.

O assunto apanhou desprevenido todos os agentes da modalidade, que não pensaram que isso acontecesse, quando o actual elenco ainda começava a engatinhar.

Até ao momento que escrevia o texto, Artur de Almeida ainda não tinha tomado uma posição, pois só na terça-feira regressou do Gabão, onde esteve a assistir à cerimónia de abertura do CAN/2017, e também por estar completamente fora do conteúdo da carta enviada por Norberto de Castro.

Não vou entrar em pormenores, porque desconheço a reacção de Artur de Almeida. Contudo, devo lembrar ao actual presidente da FAF, que o pedido de demissão de Norberto de Castro, um dos homens fortes da sua campanha eleitoral, constitui um duro golpe para os seus projectos.

O trabalho na FAF, que eu saiba, é voluntário, principalmente, para os vice-presidentes. Cada um dos seus colaboradores dá do seu tempo, força e recursos pessoais para a realização do bem comum, num projecto delineado aquando do processo eleitoral. Ao fazerem parte de um corpo directivo, cumprem com as directrizes estabelecidas durante a campanha eleitoral.

Contudo, uns pecam por excesso e outros, por falta. O meio -termo é um caminho difícil. Extrapolando os limites da função, uns passam por cima de outros. Não percebem o mal que causam à organização, pois o que se sentiu ferido pode perder o entusiasmo. E, foi isso, que esteve por detrás do pedido de demissão de Norberto de Castro, face à "atitude arrogante" de Artur de Almeida, como qualificou.

A tarefa de Artur de Almeida, como número um do organismo, é manter a harmonia entre todos os colaboradores, para que a organização aprenda com os seus erros.

Lembremo-nos de que um erro não corrigido, pode passar por uma verdade. Depois, a correcção fica mais difícil. Aliás, a actual realidade do nosso futebol não é senão reflexo dos muitos erros cometidos pelo anterior elenco federativo.

A prática demonstrou-me ao longo do tempo, que o responsável máximo de um organismo deve ser o primeiro a dar o exemplo. O bom dirigente deve administrar o egoísmo e o apego, colocar-se à disposição dos interesses dos outros. A arrogância e o desprezo não devem fazer parte do dia a dia.
É o meu recado para Artur de Almeida. Que o pedido de demissão de Norberto de Castro faça reflectir, para que casos do género não tornem a acontecer.
Até para a semana.

POLICARPO DA ROSA

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