Jornal dos Desportos

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Opinio

Como jogar fora os talentos

04 de Fevereiro, 2019
Se há país que volte e meia queixa-se de talentos ou quadros, de um modo geral, este é o nosso. E a razão é simples. Não se conhece números, não existem pessoas dedicadas ao assunto. Assim acontece com o futebol. Muitos filhos de emigrantes evoluem nas equipas estrangeiras porque a Federação Angolana de Futebol (FAF) nunca prestou atenção ao assunto. Tem vice-presidentes para outros sectores mas nenhum para fazer ponte, “caçar” filhos de angolanos que possam engrandecer o futebol nacional. A melhor selecção que este País conheceu nos últimos trinta anos, estava repleta de jogadores que tinham sido recrutados por alguém que conhecia o beco do futebol português: Carlos Alhinho. Wilson, Fua e outros, por exemplo, que jogaram o primeiro CAN (96) não tinham contacto com o País. Perdemos João Mário, William e outros por conta dessa atitude da FAF, de esperar que sejam os jogadores a manifestarem esse interesse. O Camacho que está no Liverpool é filho de angolano. Aliás, o pai jogou basquetebol no 1º de Agosto. O avô tem estado aí, escrevendo inclusive opiniões para o Jornal de Angola. Como ele há muitos outros. Esqueceram-se do Wetokele, que joga na segunda liga inglesa. Há muitos filhos de angolanos em equipas espanholas. Porque não indicar alguém, como Paulão, Abel ou outro capaz de abordar estes jogadores, construir uma base de dados, e facilitar a vida dos seleccionadores. Não é este um trabalho da FAF. Acreditam que poderemos ter selecções fortes apenas com o que militam em Angola? A única selecção que podia fazer isso era o Egipto. Mas ja se sabe. Conquistava títulos em África mas não conseguia ir aos mundiais. E uma vez posto lá, saía pelas portas dos fundos, ao contrário dos Camarões, Nigéria, Ghana e Senegal por exemplo, todas repletas de jogadores que actuam na Europa. E a maioria regressam apesar das condições precárias que os respectivos oferece. Portanto, a diplomacia da FAF tem de ser palpável. Ir ao encontro dos jogadores, dos pais. Mas tudo isso preciso de dinheiro? Sim, mas quem disse que a TAAG, companhia aérea de bandeira em Angola, não era capaz de patrocinar a FAF neste questão. Quem disse que não há bancos capazes de disponibilizar cinco ou sete mil dólares por cada viagem, devidamente programada. A história de dizer que eles não aceitam, preferem os países nos quais vivem não pode ser absoluta nem válida para todos. É preciso mostrar aos jogadores angolanos que eles terão sempre mais valores e importância em Angola do que em qualquer outro país, em particular Europeu, salvo raras excepções. Matuidi e William quando acabarem as carreiras serão mais uns. Nem para comentadores nas televisões poderão ser chamados. Assim como muitos países europeus agradecem. Gil Gomes, campeão mundial de Sub-20, por Portugal, que valor lhe dão? Edgar, à época principal jogador do Sport Lisboa e Benfica, jogou uma vez pela selecção portuguesa e depois arrependeu-se por toda a vida. Alguém sabe onde anda?
Teixeira Cândido

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