Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Como se desperdia o dinheiro do Estado

23 de Dezembro, 2019
Em 2007, na sequência da febre dos grandes eventos a que o País se propôs organizar, o Estado gastou cerca de cinquenta milhões de dólares para erguer três pavilhões e reabilitar o anexo principal da Cidadela. Os três pavilhões construídos de raiz nas cidades de Cabinda, Huambo e Lubango, custaram perto de doze milhões cada um, concretamente onze milhões e 800 mil dólares. Esta semana visitei a cidade do Lubango, e vi o Pavilhão da Nossa Senhora do Monte a cair aos pedaços, como se de uma obra colonial se tratasse. Estão decorridos doze anos apenas desde a construção daquele recinto. Porém, se o Estado quisesse, hoje, organizar qualquer competição naquele recinto, seguramente não gastaria menos do que o valor da obra, de tanto destruído que está o pavilhão. Ou dito de modo mais cru, Lubango já não tem recinto para acolher uma competição continental. Como foi que se deixou degradar-se uma estrutura daquela? É a pergunta que se segue. Sem dúvidas, é a falta de respeito que se tem sobre o dinheiro público. Um concurso de negligência das entidades competentes, em particular o Ministério da Juventude e Desportos, proprietária da obra. Sim, negligência na ausência de uma qualificação mais dura, à dimensão da displicência. Quão útil seria gastar estes cerca de cinquenta milhões num hospital ou numa escola? Foi utilizado em infra-estruturas desportivas, uma ideia nada disparatada se reconhecermos os efeitos do desporto. Socialmente pode ser escape para muitos cidadãos. E tem ainda o lado da saúde. Por isso não foi uma opção descabida. O incompreensível no meio de tudo isso, é a displicência de quem devia encontrar um gestor para manter o recinto utilizável, garantir o aproveitamento dos milhões gastos, e não o fez. É nessa entidade a que devem recair as responsabilidades. É esta que deve explicar aos cidadãos, porque razão assiste solenemente a destruição do património do Estado e nada faz. É assim que o Estado gasta milhões para fazer as mesmas coisas em tão pouco tempo. É a expressão mais lata da incapacidade de gestão.
Teixeira Cândido


Últimas Opinies

  • 07 de Abril, 2021

    Ida ao Mundial marcou o futebol

    Em 2018, a nossa selecção de futebol adaptado trouxe-nos o primeiro troféu de cariz Mundial, ao vencer o campeonato do Mundo.

    Ler mais »

  • 07 de Abril, 2021

    Ganhos que podem ir ao ralo

    A circulação de pessoas e bens, apesar das dificuldades das estradas, faz-se com segurança.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Um toque ao desenvolvimento

    O país comemorou ontem mais um ano de paz. Foi a 4 de Abril de 2002 que a Nação angolana presenciou a cerimónia que marcou o fim de um período de guerra que deixou inúmeras cicatrizes.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Os ganhos da nossa vaidade

    Ao assinalarmos 19 anos, desde que o país começou a desfrutar do alívio que só a paz proporciona, não há como não reconhecer os ganhos havidos no sector desportivo neste lapso de tempo.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Um retrocesso em alguns casos

    O desporto foi o grande embaixador do país, algumas modalidades assumiram-se como verdadeiros porta-estandartes, dado os feitos protagonizados por algumas selecções nacionais.

    Ler mais »

Ver todas »