Jornal dos Desportos

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Opinio

Como assobio "malandro"

24 de Junho, 2016
Não pretendo fulanizar a questão aqui levantada, mas sou daqueles que há dois anos não deu credito àquela tirada do presidente do Kabuscorp do Palanca, Bento Kangamba, quando publicamente disse que no futebol não há corrupção, mas apenas batota. Lembram-se? Na altura esta questão das leis ou regras de jogo tinha levantado uma discussão nacional.

As leis de jogo, sobretudo com as novas teorias e tecnologias, aprendem-se dos regulamentos e das formações que os árbitros recebem para poderem orientar jogos, subir de categoria nacional, continental ou internacional. Então para mim se não são cumpridas é como se alguém estivesse a fazer um "assobio malandro", usando o apito, fazendo, digamos, "ouvidos de marcador".

Acho que enquanto não houver punições exemplares contra árbitros e dirigentes que desvirtuam o "jogo limpo", continuarei a pensar igualmente nos termos desse velho ditado “os cães ladram mas a caravana passa”.

Sou obrigado a pensar assim porque, pelo que me lembro, até agora apenas registei algum interesse na punição ditada em 20012 pela Federação Angolana de Futebol, através do seu Conselho central de Árbitros, devido a actuações contestadas de sete árbitros de categoria internacional, nomeadamente, Manuel Francisco, Osvaldo Félix, João Figueira ( todos de Luanda), Venâncio Daniel (Namibe), Figueiredo da Costa, João Bastos (Benguela) e Romualdo Baltazar, da Huíla. Porquê só estes?

De lá para cá ainda vejo e oiço treinadores e dirigentes a vociferarem devido às más arbitragens, porém, sem castigo dos visados, mesmo diante de situações de "vista grossa" a faltas evidentes, o que não se justifica.

Porque todos, mas todos os anos mesmo, antes da abertura da época os árbitros são submetidos a acções de superação, de actualização, de assimilação das regras.

A verdade é que mais uma vez neste campeonato de 2016, que agora conhece uma pausa, as queixam-se continuam "em dia", como se diz. Por isso, Tomás Faria não foi o primeiro a queixar-se de supostas "roubalheiras" à equipa do clube de que é presidente, o Petro de Luanda.

E é por causa do mau trabalho em campo que muitos árbitros chegam até a ser desvalorizados, não apenas pelos treinadores, mas também pelos dirigentes, como foi o bombástico caso levantado em 2015 pelo presidente do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, com aquela denúncia em que chegou até a dizer, de boca cheia, que "eu já paguei árbitros internacionais lá fora e alguns árbitros aposentados, mas hoje não o faço, porque rapidamente percebi como isto funciona, a partir do momento em que recebi uma denuncia de um árbitro internacional".

Só que como está tudo na mesma, algo como se ninguém tivesse "aberto já o livro", voltamos então neste ano de 2016 a viver uma espécie de "Fogo Cruzado" que aquece a arbitragem. De um lado os treinadores e dirigentes a acusarem os árbitros de estarem a "fechar os olhos" às leis de jogo, favorecendo esta ou aquela equipa, do outro os próprios árbitros a criticarem os treinadores e dirigentes.

O 1º de Agosto ao averbar a sua primeira derrota (2-1) diante da "atrevida" equipa do Porcelana FC do Cuanza Norte apresentou queixa sobre uma alegada manipulação do José Sebastião. O Benfica de Luanda ao ver-se derrotado (1-0) já na ponta final do jogo com o Libolo, em Calulo, também reclamou de um alegado arranjo do árbitro Benjamim Andrade, mas, paradoxalmente, foi o próprio presidente Rui Campos dessa equipa campeã quem saiu a terreiro com uma adjectivação/acusação fortíssima: "há uma gangue na arbitragem nacional".

A Associação de Árbitros reagiu de primeira com um comunicado a "contra atacar" o presidente do Libolo. Até apelou à Federação Angolana de Futebol, Confederação Africana de Futebol e Federação Internacional de Futebol Assiociado (FIFA), no sentido de levá-lo a apresentar provas da existência de uma "gangue" entre os homesn do apito.

Ignoro se esta pretensão terá pernas para andar. Só sei que - e posso aqui recordar - o 1º de Agosto há anos prometeu fazer chegar também uma "maka" à FIFA. Não passou disso!

Os leitores não se lembram do alegado mau serviço do árbitro internacional António Caxala, num grande jogo 1º de Agosto- Kabuscorp para os quartos-de-final da Taça de Angola, em que a equipa militar saiu derrotada, por 1-0,e logo prometeu enviar um relatório à Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), no sentido desta instituição de peso aplicar um duro castigo ao juiz?

Muito sinceramente não sei se neste Girabola Zap bastarão os cerca de 11 milhões e 377 mil e 238 Kwanzas das equipas para o pagamento das despesas de alojamento, alimentação, transporte e prémios de jogo aos árbitros, para fazerem prevalecer as leis de jogo, e assim darem-nos a ver jogo limpo, desafios sem "batota".

De resto, se as leis de jogo existem, se regras devem ser aplicadas, não podemos ter juizes fora-da-lei. Eles é que devem estar sim fora de jogo!
ANTÓNIO FÉLIX

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