Jornal dos Desportos

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Opinio

Como manter o ciclo vitorioso

02 de Outubro, 2013
No meio de uma euforia total, natural para um país que até há pouco tempo era apenas uma potência do basquetebol no sector masculino, descortinei uma mensagem do seleccionador que gostava de maximizar. Sou dos que pensa ser esta a altura para uma reflexão sensata e não esperar apenas pelos momentos das derrotas. Ou seja, este momento de alegria é uma boa oportunidade para nos recolhermos e fazermos uma reflexão profunda sobre como manter o ciclo.

É, aliás, essa a mensagem do seleccionador nacional, Aníbal Moreira. Investir na formação para mantermos o ciclo vitorioso, tal como aconteceu ou acontece com o basquetebol masculino.

Infelizmente, esse recado do treinador nacional, que fala com autoridade e sem emoção, não foi tido em conta. É importante que nos perguntemos como manter esse ciclo. Qual tem sido o investimento dos clubes no basquetebol feminino.

A realidade diz-nos que o basquetebol feminino vive dos esforços de duas equipas, 1º de Agosto e Interclube (a ordem não tem qualquer importância), sem descurar outras equipas menores, sem grandes condições. O volume do investimento feito no basquetebol masculino é de longe superior ao do feminino.

Quando se gastam cem mil kwanzas no basquetebol masculino, para o feminino vai apenas dez mil. Essa diferença abismal nos investimentos explica, de certo modo, por que razão as senhoras começam a ganhar apenas neste momento.

A própria Federação de Basquetebol Angolano sempre tratou com muita diferença os masculinos e femininos. Talvez estas vitórias alterem esse comportamento. Talvez estas vitórias sensibilizem mais as direcções dos clubes para um maior investimento.

Só maior investimento, primeiro na formação, e depois nas condições de trabalho das equipas principais, bons salários aos treinadores, quer sejam angolanos ou chineses, é que garantem mais conquistas. De outro modo, não é possível mantermo-nos no topo do basquetebol feminino. É necessário que a Federação Angolana de Basquetebol também faça a sua parte. Estabeleça programas para oferecer maior maturidade competitiva à equipa, e melhor entrosamento com atletas novas que forem chegando à equipa nacional. É necessário encontrar dinheiro que permita à selecção participar em torneios internacionais, não apenas na véspera dos mundiais, mas muito antes.

É necessário ocupar os períodos “mortos” ou sem competição para dar à equipa jogos competitivos. Pode-se organizar torneios em casa, com a participação de equipas ou selecções fortes, e só assim a equipa pode jogar desinibida e fazer bons resultados, não só em África como na Europa ou a nível internacional. O recado de Aníbal Moreira convida a uma reflexão neste momento de alegria.
Teixeira Cândido

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