Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Como melhorar se eles no querem mudar?

15 de Abril, 2019
O Executivo angolano, liderado pelo Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço deve ou não continuar a canalizar mais dinheiros públicos para a sustentabilidade financeira das federações e clubes desportivos?
O conceituado poeta português José Régio escreveu no famoso poema Cântico Régio, o seguinte trecho: “ Não sei para onde vou, sei que não vou por ai” (por sinal cantado por muitos artistas conceituados do music hall da lusofonia). Faço propositadamente recurso ao referido poema, para sugerir aos nossos dirigentes e gestores desportivos que por favor não vão mais por ai!
Porque quando ainda vai se dando ênfase de que o Executivo angolano deve continuar a ser o “pai, o filho e o espírito santo” para o desporto nacional, isto é deve continuar a canalizar mais dinheiros públicos para a sustentabilidade financeira das associações desportivas, apesar de ser clarividente os constrangimentos económicos e financeiros que o país atravessa, mostra-se que se quer continuar a ir por um caminho que já se sabe, “que não, é por ai “.
Essa foi a fórmula, que já deu tudo o que tinha que dar, nestes últimos 40 anos. Agora, pergunto eu: haverá alguma razão, para obstinadamente se insistir num modelo que ficou mais vulnerável a determinados riscos, na sua matriz estrutural, devido à crise que estamos com ela?
Apercebendo-se que a crise que o país atravessa não é apenas de ordem conjuntural mas também estrutural, o próprio Executivo, entendeu que o país deve seguir outros caminhos, invertendo o “sentido da marcha”, que até agora ia seguindo, ou seja em vez de ser o O.G.E dar sustentabilidade a economia, é a economia a montante e a jusante que deve trazer dividendos ao O.G.E, tal como reza os preceitos de base de uma economia ao serviço de um país.
Seguindo o exemplo acima, os dirigentes e gestores desportivos têm de seguir o caminho que coloque os elementos económicos ao serviço do desporto nacional.E no nosso caso porquê não explorar o marketing no desporto? Ferramenta de gestão voltada para a promoção, divulgação e vendas de serviços e produtos desportivos.
Mas por que razão, venho insistindo, insistindo no marketing? Porque observem a forma como o marketing está presente e integrada na nossa música!Observem como as marcas nacionais (quer sejam ligadas aos Bancos, bebidas, seguros, telecomunicações, grande distribuição, entre outros) e até internacionais apostam nos nossos badalados músicos para suas campanhas e estratégias de marketing e comunicação para atingir de forma mais eficaz e com eficiência o seu público-alvo.
Dito isto, pergunto: será que no mercado desportivo, um segmento que “vende” muita visibilidade e notoriedade para as marcas, não deveria no nosso caso haver mais sensibilidade para a importância, de colocar o marketing, como parte integrante da gestão desportiva nacional?
No caso de Angola, o marketing integrado ao desporto, pode ser mais desenvolvido, desde que a sua abordagem passe por um diagnóstico, cujas suas recomendações sirvam não para criar um segmento, mas a identificar um segmento atractivo, bem como a não conseguir um lugar no mercado, mas a criar o seu próprio lugar e espaço no mercado. E já que estamos falando de diagnóstico do mercado desportivo, segue a minha modesta contribuição;
Pontos fortes- hábitos e costumes da população angolana quanto ao consumo do desporto, dimensão territorial do país ( pois as marcas precisam fazer chegar a mensagem ás localidades fora de Luanda e dos grandes centros), espaço publicitário muito concentrado e com a crise o sector empresarial estar mais focado no cliente do que no desempenho do negócio.
Pontos fracos-recursos humanos, fraco associativismo sectorial, modelo de gestão amadora e sem transparência, além dos custos do contexto, fraca interactividade com os consumidores.
Oportunidades-aumento da oferta de produtos e serviços ajustado ao nível de vida das populações, especialização de produtos e serviços desportivos com foco nas famílias e nos jovens, restyling dos logótipos e rebranding das marcas desportivas, aposta em acções de comunicação e campanhas de proximidade com o público- alvo e parceiros através das plataformas digitais e redes sociais.
Ameaças -capacidades de investimento público, concorrência regional, com os países vizinhos da SADC, percepção externa do país, morosidade em mitigar riscos e fragilidades para os investidores.
A título de exemplo, numa sondagem de opinião conduzida por mim, com apoio voluntarioso de pesquisadores experientes, (cuja margem de erro era de 4,5% e com intervalo de confiança de 95,5%) conclui-se que os adeptos do desporto em Luanda, entre os 15-40 anos de idade, de uma forma geral escolhem suas equipas por influência dos pais ou familiares, numa proporção de (80,25% homens), e (49,24% mulheres). Na mesma senda 90,34% dos homens e 72,76% das mulheres, consideram a paixão e rivalidade Petro vs 1º de Agosto, como factores que ainda tornam o desporto nacional único e incomparável.
Porém o actual debate em torno do marketing ao serviço do desporto (como marca registada, já é comumente conhecido como marketing desportivo) não se esgota neste artigo. *Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo.Zongo Bernardo dos Santos



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