Jornal dos Desportos

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Opinio

Como parar o surto?

29 de Setembro, 2017
Desistência do Girabola? É alguma novidade? Seguramente que não. É a música das últimas edições da prova maior do futebol nacional. Seria se estivéssemos já a reflectir em torno da solução encontrada. Pois o calvário de equipas que se apresentam na prova, e meses depois põem-se a chorar aos quatros ventos é de longa data. Do topo a base, se considerarmos o ASA uma equipa do topo, ainda que circunstancialmente, seja hoje uma equipa híbrida.
É ainda de memória fresca a falta de comparência da Académica do Soyo, em casa, numa altura em que o seu adversário (Interclube) disputava com o 1º de Agosto o título do Girabola. Portanto, essas cólicas cíclicas prejudicam não apenas a imagem da competição, como a sua verdade desportiva. O exemplo da Académica fala por si.
O 1º de Agosto sentiu-se gravemente prejudicado, assim como os adeptos defraudados com a atitude dos estudantes.
JGM anunciou estar incapaz de terminar a prova por incapacidade, uma situação que poderá ter outras consequências na classificação das equipas. Uma prova que se preze não pode dar uma imagem de falta de seriedade, amadora e todas outras conotações negativas.
A Federação Angolana de Futebol, órgão que tutela a prova, tinha obrigação de encontrar uma resposta para pôr termo a essa situação. Primeiro, considero ser necessário alterar o regulamento da prova, impondo condições prévias para se participar no Girabola. É necessário exigir-se garantias, que podem ser pessoais ou não. Mas terá de haver garantias, como condição prévia.
Ou então a FAF deve entregar a prova à Liga de Clubes, que terá de encontrar solução mágica para se coser. É necessário e urgente que se faça essa reflexão, de outro modo, os potenciais patrocinadores arriscam-se a desistir de associar a sua imagem, e mais importante do que isso a colocar o seu dinheiro.
A outra perspectiva é da inteira responsabilidade dos clubes. Coerência e sensatez é o que se exige dos dirigentes aspirantes ao Girabola.
O Benfica de Luanda deu um exemplo disso mesmo. Quando se sentiu incapaz para continuar na competição, atirou a toalha ao tapete, protegendo a competição como a sua dignidade. É desses exemplos que os adeptos precisam.
Não se pode encher o balão apenas porque se quer ir ao Girabola, quando não se tem na conta nem em lado algumas garantias de existir orçamento para sessenta por cento das despesas de que o clube precisa.
É bonito estar no Girabola, mais é-o ainda quando se termina com dignidade, quando se compete efectivamente. É um trabalho prévio, que se faz antes de colocar as carroças na estrada, e não como se faz por cá, primeiro tenta-se e depois é que se fazem as contas. Há, nesta altura, alguma euforia de clubes da segunda divisão que querem a todo custo disputar o Girabola. Com que garantias? Que condições têm os tais clubes para fazer face às despesas.
Quem vai ao mar, avia-se em terra, diz o velho adágio. É uma lição secular, que os dirigentes do Girabola tanto ignoraram, o que se traduz depois nesses estragos que vimos assistindo.
Teixeira Cândido

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