Jornal dos Desportos

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Opinio

Complicar o que parecia fcil

27 de Agosto, 2013
Uma Selecção Nacional de Angola de futebol sénior algo transfigurada empatou domingo em Maputo, sem golos, diante da sua congénere de Moçambique, em partida pontuável para a última jornada de acesso à fase final do CHAN, que no próximo ano terá como palco a África do Sul.

O que acima está descrito, independentemente de reconhecermos soberania nas suas escolhas, está ligado ao facto de, mais uma vez, algumas opções da equipa técnica de Angola, quanto a nós, não terem sido as mais correctas, ao optar por algumas improvisações, colocando jogadores em posições a que não estão habituados nos seus clubes, assim como alguns sem ritmo competitivo.

Referimo-nos à colocação do central Fabrício, a lateral direito, do lateral direito Mussumari na ala esquerda, assim como de Ari Papel, a ala direito, sem ritmo por se encontrar sem jogar no seu clube (1º de Agosto), há cerca de sessenta dias, por ter saído de uma lesão. No banco de suplentes, Gustavo Ferrím e seus pares deixaram Mingo Bil, que poderia fazer com maior destreza as funções do lado direito, e no lado esquerdo Amaro, em boa forma, e Nataniel, enquanto no meio campo, Adawa, possuidor de bom poder de passe e de remate, entrou para o lugar de Job, que estava a ser uma das melhores unidades angolanas, cuja opção foi baste questionada.

Com a entrada do atleta do Kabuskorp do Palanca, o meio campo de Angola, cuja selecção mesmo assim denotou ser tecnicamente superior aos moçambicanos, ficou confinada a quatro jogadores de contenção, designadamente, Ito, Pirolito, Adwa e Manuel. É lógico que o empate conseguido no reduto do adversário abre boas perspectivas de Angola alcançar a sua presença na fase final do CHAN, mas, quanto a nós, não deixa de ser um resultado traiçoeiro, pelo facto de, se a 31 do corrente, em Benguela, no jogo da segunda mão, os moçambicanos alcançarem um empate com golos, “carimbam o passaporte” para a África do Sul.

É justo reconhecer que mesmo assim, os Palancas Negras não estiveram completamente mal. Antes pelo contrário, para além de recorrerem por alguns períodos à sua já tradicional capacidade de sofrimento, em função do que ocorreu no interior das quatro linhas, superou as expectativas.

É lógico que o desafio de Maputo, onde Angola, por intermédio de Guilherme Afonso, viu um golo seu ser anulado de forma fraudulenta pelo trio de árbitros zimbabweano, aos 9 minutos, serviu para a equipa técnica angolana tirar as devidas ilações com vista à preparação do jogo da segunda mão, que será de capital importância para as duas selecções.

Um jogo é insuficiente para tirar ilações, mas deve-se reconhecer que Gustavo Ferrín trabalha em Angola há tempo suficiente que lhe permite saber com que linhas se há-de coser. Efectivamente, fica difícil entender as opções da equipa técnica, pois durante grande parte do encontro, ficou patente que os moçambicanos estão uns “furos” abaixo dos angolanos que, além do golo anulado, se tivessem sido mais ousados, poderiam ter saído de Maputo com um resultado mais tranquilizador, porque quem tem classe não pode jogar daquela forma. É que muitas vezes, mesmo sem intenção, pode-se estar a “queimar” um atleta.

Assim, para o jogo da segunda mão”, independentemente de jogarem com o apoio dos benguelenses em representação de Angola, os angolanos deverão suar as estopinhas e não complicar o que parece fácil. Longe da intenção de interferirmos no trabalho da equipa técnica, aguarda-se por uma selecção angolana mais audaz para não ser surpreendida. Uma defesa coesa, um sector intermediário funcional capaz de municiar de forma conveniente o ataque que deve ser o menos perdulário possível, é o que se espera dos Palancas Negras, tendo em conta que os Mambas não vêm a Angola fazer turismo. Tal como os angolanos, também possuem os seus trunfos e objectivos.
Leonel Libório

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