Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Comprometidos com o desporto

08 de Agosto, 2019
Angola é um país do desporto. Quanto a isso não podem existir dúvidas. E caso persistam, que sejam dissipadas pelo furor feito por Jordão, Brinca N’areia, Barceló de Carvalho, Rui Mingas, José Carlos Guimarães, Jean Jaques, Paulo Bunze, Mantorras, Akwá, e tantos outros que na diáspora, cada um ao seu tempo, trataram de confirmar isso mesmo, com os seus dotes.
A exiguidade de espaço para “publicitarmos” todos os grandes feitos de Angola e de angolanos, que elevaram bem alto as cores e símbolos da pátria-mãe, nas mais variadas cimeiras do desporto mundial, serve de suporte para aqueles que ousam, no alto de alguma arrogância, macular o valor supremo que o desporto sempre teve no contexto social angolano.
Mesmo em tempos em que a gestão do país pareceria resumir-se nos esforços tendentes a estancar os focos de conflito armado que durante décadas dilacerou o país sem poupar as suas infra-estruturas, o desporto esteve sempre presente e apto para cumprir a sua vocação social, que fazia dele, de facto, uma das alegrias do povo. Longe de interesses materiais e humanos que mais se encaixam na ambição humana que de um tempo à esta parte, interpretando “mal” certas características da sociedade de mercado liberal, o desporto sempre mobilizou angolanos comprometidos com a causa, que optavam o servir e servirem-se dele, este substrato que adjectivamos de “parasitas desportivos”.
No universo de “parasitas” estarão aqueles que alguém, certa vez, acusou de entrarem descalços e “deskwanzalizados” no mundo do dirigismo desportivo e saírem ao volante de Mercedes, BMW e outras tantas marcas topo de gama, assim como calçados de marcas das mais caras no mundo da moda francesa, italiana e etc.
Por atitudes como estas, o desporto foi marchando em sentido regressivo, e quando entrecruzou com o fenómeno da crise económica e financeira que de um tempo a esta parte assola o país, pareceu que o dilúvio relatado na bíblia sagrada encontrou a máxima e perfeita semelhança com o que decorre no desporto doméstico angolano.
Com alguma paixão e verdadeiro sentimento de amor à camisola, resistem pessoas como o Carlos Queirós do Atlético, o Julião Dias do Clube Desportivo 1º de Agosto, o Tony Sofrimento, os irmãos Mário Rosa e Mariano de Almeida, António Ferreira “Aleluia”, etc, cujas abordagens tendem a prestar tributo para a melhoria do quadro do nosso desporto. Na passada, os aproveitadores, sempre atentos ao mínimo apagão nos corredores dos iluminados, fazem de tudo para aparecer, como se diz na gíria, e mais grave que isso, é encontram uma plateia que se presta a estender o tapete vermelho para que aqueles desfilem o fel da sua ignorância, ou para sermos mais \'soft\', falta de compromisso com a coisa séria chamada desporto.
Talvez assim se aceitam os recentes fracassos da Selecção Nacional, vulgo Palancas Negras, que nem ao CHAN irá, eliminada pela eSwatini que, verdade seja dita, não tem o mesmo curriculum desportivo que Angola, que deve ter cuidado para não se tornar o saco de pancada de todos.
E não nos venham cá com discursos de que os Palancas Negras perderam a eliminatória porque a Federação Angolana de Futebol (FAF) não consegue ter a propriedade do Hotel Palanca ou por falta de uma política desportiva nacional, como alguém andou a insinuar, com a tendência de sacudir a água do capote pelos inúmeros e sucessivos desaures da equipa nacional e, por conseguinte, da FAF.
Aliás, aos “cientistas” desportivos que evocam tais teorias, devem ser recordado que a questão do Hotel Palanca é de fórum administrativo, se preferirem, de gestão corrente da Federação, e não de um qualquer outro órgão com competências limitadas, a exemplo às questões de disciplina.
Aborrecidos com o muito de errado que está a acontecer no nosso universo desportivo, e porque não se deve chorar pelo leite derramado, encerramos esta prosa com uma nota de felicitação ao Clube central das Forças Armadas Angolanas, cuja equipa sénior masculina de andebol sagrou-se, recentemente, campeão mundial, feito que de forma indelével vai perdurar na história do andebol universal. Bem-haja, campeãs. Carlos Calongo

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