Jornal dos Desportos

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Opinio

Congresso de futebol ?

01 de Dezembro, 2014
Se vasculharmos os arquivos notaremos que o assunto primeiramente mereceu tratamento sério num amplo encontro ainda promovido no limiar da Primeira República, por iniciativa de figuras ( até mesmo políticas) ligadas o desporto rei, um deles o respeitado general na António dos Santos França "Ndalu" que no outro tempo foi jogador de nomeada a ponto de jogar no grande Sport Lisboa e Benfica, meu clube de coração.O referido encontro aconteceu em 1979, três anos depois da nossa independência e o mesmo produziu resultados porque. Isto não é peta, porque, visto em termos práticos, tínhamos futebol de qualidade em todos os sentidos. Isto porquê?

Porque tínhamos jogadores que, com a sua técnica e táctica, tratavam esférico por tu. Equipas de se lhes tirar o chapéu, como o Progresso ou o Escola daquele tempo. E não era só em Luanda, também no interior. Clubes com muita organização, com dirigentes com visão, formadores com olhos para lapidar craques. Até adeptos altamente motivados com tudo isto havia para não deixarem os campos ou estádios às moscas.Tudo aquilo o tempo levou. E levou porquê? Porque os craques desaparecerem em qualidade e quantidade. As equipas arrastam-se de crise em crise, os dirigentes são mais carolas em vez de profissionais e, enfim...

É por tudo isto que temos tido selecções a praticar mais futebol de pantufas, quase com pés de paus, digo isso sem hostilizar. A recente campanha sem culminar com o apuramento à fase final do CAN de 2015 não desmente o que aqui recordo e levanto. E porquê?Porque se assim não fosse não se falaria de novo da necessidade de grandes eventos para se achar caminhos que possam dar corpo ao resgate da mística do futebol nacional. Fala-se, ora em encontros nacionais, ora em congressos. Já houve no ano 2001 o que se designou de 1º Encontro Nacional de Futebol. O primeiro foi mesmo o de 1979.

Nesse de 2001 o então ministro da Juventude e Desportos, Marcos Barrica, disse que o momento que a modalidade vivia (referia-se já à crise de organização, de talentos e de resultados), se devia, vou recordar as suas palavras, " à escassez de recursos financeiros ao aliado ao mau estado de infra-estruturas". Era verdade?

Não sei se em relação a isso estava certo o ministro. Mas no meio de trezentos delegados nacionais e estrangeiros que estavam naquele acto, o ministro sublinhou que " o futebol é uma manifestação cultural que desperta, apaixona e envolve homens e mulheres de todos os grupos sociais e etários" e acrescentava que ter dito que a Federação Angolana de Futebol e as associações provinciais da modalidade eram chamadas a investir no domínio da prática orientada e sistematizada porque era ( e é mesmo) uma forma o crescimento sustentado do futebol nacional. Isto aconteceu?

Só sei, só constato que passaram anos e este sustento não foi cristalizado. Não foi materializado, mas a grande verdade é que o actual ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba voltou a falar há dias da necessidade de um outro conclave. Usou o termo, a designação de realização de uma Conferência Nacional sobre o Futebol em 2015 e até o secretário-geral da Federação Angolana da modalidade (FAF), José Cardoso de Lima, aplaudiu a ideia. É por isso que digo que a ideia não é nova. E também essa do ministro Gonçalves Muandumba não é nova porquê?

Porque em Dezembro de 2013, na última Assembleia-Geral da Federação Angolana de Futebol, ficou dito que em Maio de 2014, portanto deste ano que - vejam só ! - já está a terminar, seria realizado o 1º Congresso nacional de Futebol.É para quê? Para nele pretensamente se dissecar toda a sorte de problemas que vive neste momento o futebol angolano, a nível dos clubes, selecções, arbitragens, infra-estruturas formação, etc. E isto tem solução nestes encontros?

Eu particularmente anotei ao longo destes anos que nestes encontros, excepto o de 1979, há mais retórica floreada, safra boa não. As acções praticas ficam por se fazer.Sendo assim faço a apologia de que o futebol angolano tem o seu futuro os pés dos miúdos que nas escolas podem despontar, aprendendo o ABC de jogar à bola. Porquê? Porque lá há teoria prática, não se fala muito como nos grandes conclaves. É a minha modesta opinião.
ANTÓNIO FÉLIX

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