Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Consagrao no foi desta!

25 de Agosto, 2018
No habemus campeone, todavia! Não foi desta que tivemos o campeão do Girabola Zap 2018. O 1º de Agosto não conseguiu desfeitear o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, no Dundo, chegando apenas a um rigoroso empate, depois de estar a perder por 2-0 ainda antes dos primeiros 30 minutos da contenda. Em consequência disso, teve que se aplicar a fundo e apostar todas as fichas para lograr alcançar, no mínimo a igualdade.
O título ficou, assim, adiado para a última jornada da prova onde a luta deverá continuar conjuntamente com o seu arqui-rival, o Petro de Luanda que, nesta ronda, frente ao Interclube, conseguiu triunfar por 2-0 e alimentar esperanças para a conquista do título. O seu entender, as escorregadelas do rival podem ser consequentes, não vá o diabo tecê-las para que os agostinhos sejam vergados na jornada derradeira diante dos rapazes de Abel da Conceição, o Cuando Cubango Futebol Clube.
No fundo, a festa do segundo “tri” na história do clube e do 12º título ficaram adiadas. As garrafas de champagne que viajaram para o Dundo na caixa térmica geladinhas a estalar, acabaram por voltar fora dela e quentes.
Os agostinhos adiam assim um feito relevante. Persistentes e resilientes, o d’Agosto vem fazendo, convenhamos, uma autêntica travessia tortuosa que possibilitam que o campeonato se torne mais apetitoso.
O título de campeão desta época, pelo andar das coisas acabará por ser, em caso de efectivação, bastante meritório, muito pelo esforço que vem empreendendo, com algum sacrifício à mistura. Uma prova disputada a um ritmo anormal. A “Speed Gonzalez” conforme apelidou o jornalista da Rádio 5, Vaz Kinguri Alfredo Dias. Tudo para se acertar os calendários em função igualmente das exigências “impostas” pela CAF.
Pelo menos eu, tinha a pequena desconfiança de que os militares não passariam no Dundo. Por um lado, fazendo recurso ao histórico pois, há cerca de três anos que os militares, na qualidade de visitantes, não conseguem vencer no Dundo (apenas empataram e perderam) e, por outro, pelo facto de que estava a vir de uma maratona de jogos sem descansos e mais ainda, com a pressão e ansiedade de conquista do ceptro, ante o Petro que, subindo de rendimento na competição, torcia por uma escorregadela, já que matematicamente ainda tinha alguma possibilidade.
Na verdade, o 1º de Agosto não conseguiu fazer bem o seu trabalho de casa. Geriu bem o esforço e as adversidades mas não conseguiu contornar o adversário de ocasião, o Sagrada Esperança, nem tão-pouco “ofuscar o brilho dos diamantes”.
Porém, há aspectos que conferem todavia alento aos campeões em título e que, nos levam a aferir que tem maiores probabilidades de repetir a proeza alcançada na época passada. Repara-se por exemplo, no facto de nos confrontos com os directos adversários ter feito uma gestão inteligente, com particular destaque em relação aos petrolíferos (principal rival), aquém venceram por duas bolas sem resposta, no jogo referente a segunda volta da prova, quando na primeira já haviam empatado a zero.
Neste quesito, o Agosto esteve bem. Aliás isso se reforça se juntar ao facto de que, com o Interclube, que esteve relançado à determinada altura da prova, aconteceu a mesma coisa, repetindo-se nos confrontos com Kabuscorp do Palanca, Recreativo do Libolo e Sagrada Esperança. O segredo, em minha opinião, está precisamente aí. E acho que não foi feito por acaso. Foi sim com o propósito de sorrir, ao lavar dos cestos. O título afigura-se como objectivo sacramental. Tem sido construído. Foi projectado.
Em relação às questões de fundo, claro que haverão outros espaços de debate para escalpeliza-los e aprofundar os elementos essenciais para se chegar às conclusões devidas de como o 1º de Agosto conseguirá chegar ao título numa época em que, por aquilo que temos estado a ver, tem tido mil e um constrangimentos e peripécias.
Começou por ver suspensos os seus principais activos, devido algumas quezílias, pouco comuns, refira-se, com a Federação Angolana de Futebol (FAF), por consequência de não terem atendido à convocatória; participação nas Afrotaças, enfim. Contas feitas, efectuou até agora, cerca de 45 jogos em pouco menos de cinco meses.
O 1º Agosto vem se cosendo entre o Girabola e a competição africana, estando prestes a conseguir outro feito relevante a nível continental, que é o apuramento aos quartos-de-final na “Champions” Africana”. Temos que reconhecer que isso é obra!Obra, também se pode dizer aos feitos dos clubes que conseguiram se manter na fina-flor do futebol nacional. Mesmo com imensas intempéries, qual “tsunami”, aguentaram a “bombordo” a nau que, diante da concorrência, eram dadas por perdidas. Que o digam os que “naufragaram”, como o “histórico” 1º de Maio de Benguela que, mais uma vez desce ao escalão secundário. O JGM do Huambo, por exemplo, outro despromovido, tão logo se apercebeu da “aventura das arábias” em que se tinha mergulhado, “abandonou o cavalo na travessia do rio” manchando todavia a verdade desportiva e o seu próprio percurso que podia ser até airoso e auspicioso.
Morais Canãmua

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