Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Consenso determinante para o xito do Girabola (II)

05 de Setembro, 2019
“Assim sendo, em primeiro lugar, e atendendo a importância que o Girabola Zap tem para a sociedade, para que um clube jogue na I Divisão a Federação Angolana de Futebol (FAF) deve exigir idoneidade financeira ou um avalista, se é que este termo pode ser aplicado neste assunto. Deve ficar provado que o clube em causa bem ou mal vai cumprir com as suas responsabilidades, quer em termos salariais como com outras obrigações. Caso contrário, não faz sentido punir tal clube porque até certo ponto permitiu-se que o mesmo chegasse onde chegou mesmo sabendo que não estava a altura das responsabilidades que lhe cabem”.
Foi desta forma que terminei o artigo precedente. Entretanto Sendo o órgão reitor do nosso futebol, a FAF não deve dar margens a aventureiros ou seja aos que se aproveitam da importância do Girabola para meter as mãos nos bolsos de pessoas ou instituições de boa vontade.
Dentro do espírito da razoabilidade, a FAF pode autorizar ou não que determinado clube avance ou não para a competição a que se propõe não importa se seja na I ou II Divisão. Permitir que um avião sem combustível suficiente para chegar a determinado local planificado para depois cair em pleno voo significa cumplicidade de quem permitiu que o avião seguisse viagem.
Vamos tentar esclarecer bem este ponto. O clube “y” pretende jogar na I Divisão. Mas para o efeito ele, o clube, deve apresentar um depósito de “x” milhões de kwanzas. Entretanto, o clube não dispõe do referido valor na totalidade. Assim recorre ao avalista, ou seja a alguém com idoneidade financeira reconhecida (quer seja uma empresa ou pessoa particular) que assuma a responsabilidade de pagar o restante.
Resolvido o assunto com o órgão reitor do futebol, então o clube pode avançar para os acordos com os seus funcionários (jogadores, treinadores e outros), também na base do consenso e formalizar os contratos. Deve ficar bem patente como as coisas vão funcionar. O mais importante é que a atitude da esperteza do “macaco velho” ou seja, o espírito de ludibriar os outros não tenha lugar no nosso futebol.
Com tudo bem resolvido, os clubes até podem também chegar a consenso com as transportadoras e assim terem a sua vida calma e sossegada no campeonato onde estiverem envolvidos. Não custa absolutamente nada. É uma questão de se experimentar. Por exemplo, o custo dos bilhetes de passagem de avião estão muito elevados. Por isso, a maior parte das vezes as aeronaves viagem completamente vazias ou seja com menos de 25% da sua capacidade. Porque não chegar-se a um consenso com os clubes no sentido de passarem a cobrar 50% dos custos dos bilhetes?
Por outro lado independentemente da crise financeira que assola o país e não só, creio que em função da importância do desporto na nossa sociedade, o Estado deve estudar mecanismos que funcionem para ajudar os clubes menos favorecidos por se calhar retirar algumas fatias nos orçamentos dos chamados clubes grandes com apoio estatal.
É verdade que os clubes privilegiados têm a responsabilidades de serem os viveiros do futebol nacional e devem justiçar o que sorte que lhes oferece com bons resultados a nível doméstico e internacionalmente. Resumindo, podemos dizer que ao fazermos o exercício de corrigir o que está mal, temos de olhar para a nossa realidade. Durante os últimos 42 anos, nós vivemos situações muito anormais. Fizemos muitos sacrifícios e vivemos de uma espécie de entendimento entre o Estado e o povo.
Nos casos em que o Estado não pudesse dar ou seja cumprir com as suas responsabilidades para com o povo ou as instituições, o povo fazia um sacrifício aceitando a situação e vice-versa. Este período vai levar ainda algum tempo. Não é uma questão de mimos, mas sim de realidades próprias de países que se tornaram independentes de seus colonizadores.
Sim, se haver vontade, e todos olharmos para o futebol como realmente é em termos de importância, acredito que se apostarmos no consenso para evitar ou ultrapassar os problemas que surgirem a família do futebol nacional sairá ganhando. Augusto Fernandes

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