Jornal dos Desportos

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Opinio

Consenso determinante para o xito do Girabola Zap

29 de Agosto, 2019
Nos últimos anos, a maior parte dos clubes que disputam o campeonato nacional de futebol, vulgo Girabola, tem feito das tripas coração para completar as 30 jornadas agendadas do início ao fim, por motivos sobejamente conhecidos por todos os amantes do futebol nacional.
Clubes como 1º de Agosto, Interclube, Sagrada Esperança e Petro de Luanda (?) fazem parte da restrita lista de equipas, cujos orçamentos permitem-lhes “cavalgar” durante os 2.700 (dois mil e setecentos minutos) minutos, equivalentes a 30 jornadas sem sobressaltos.
Por causa da crise financeira, clubes como Recreativo do Libolo, que diga-se de passagem, foi dos melhores clubes que o país já teve, Recreativo da Caála, Progresso do Sambizanga, 1º de Maio de Benguela e outras, transformaram-se em autênticos animadores de festa.
Mesmo assim, tais clubes continuam a fazer tudo para se manterem na alta roda do futebol angolano. Alguns dirigentes de clubes, provavelmente o fazem mais por aventura, do que propriamente por amor à modalidade, por que quem o faz por amor deve calcular a responsabilidade que pesa sobre si.
Tudo isto acontece, porque reconhecemos e aceitamos que o futebol é um factor de inclusão social e o desporto mais popular do país, por isso, “acolhe” o maior número de pessoas, especialmente a camada jovem.
Podemos ver a importância do futebol, ao analisar o número de empregos que as 16 equipas que disputam a prova fornecem à sociedade. Partindo do princípio que uma equipa normalmente é composta por 23 jogadores, três treinadores, um massagista, um roupeiro, corpo médico, pessoal da cozinha, motoristas, estafetas e assim por diante…
Só em termos de jogadores, treinadores, massagistas e roupeiro, os 16 clubes empregam cerca de 368 jogadores, 48 treinadores, 16 massagistas e igual número de roupeiros, totalizam cerca de 448 empregos, isto falando apenas do pessoal que tem contacto com a bola, por assim dizer, sem falar do pessoal de direcção, cozinha etc. etc.
Estamos a falar só das equipas da 1ª Divisão. Portanto, não restam dúvidas que o Girabola funciona como um parceiro do Estado, no que respeita a atribuição de empregos. Assim, implica dizer que este “meio” ou activo, deve ser protegido.
Diz-se que “o pior cego é quem não quer ver”. Desconsiderar essa verdade, pode resultar muitos problemas. Entretanto, temos de reconhecer que estamos a viver momentos de grandes mudanças na nossa sociedade, que visam melhorar a nossa situação social e isso, pode implicar certa dureza na gestão dos assuntos.
Em função dessa realidade, a FAF, também, vê a necessidade de ser mais rígida em alguns assuntos, para impor a ordem. Por exemplo, sabemos que muitos clubes devem salários e outras benesses a treinadores e jogadores, e recusam-se a pagar. Assim, a FAF, tem de intervir para pôr ordem na situação.
Uma das medidas, é que os clubes com dívidas com relação ao seu pessoal ou para com a FAF, sejam responsabilizados e dentre as medidas confrontam-se com o impedimento de efectuarem os seus jogos e ainda outras mais severas. Qual tem sido o resultado? Podemos dizer que os resultados não são nada bons.
Então, como podemos resolver tais problemas? Citando uma outra máxima popular, “não devemos ir nem muito ao mar nem muito a terra”, o que significa ser razoável, podemos encontrar mecanismos que funcionem e um deles, em minha modesta opinião, está o consenso. Pois, está mais do que provado que em algumas situações, a rigidez não resolve cabalmente os problemas.
Assim, em primeiro lugar e em atenção a importância que o Girabola tem para a sociedade, para que um clube jogue na 1ª Divisão, a FAF deve exigir idoneidade financeira ou a apresentação de um avalista, se é que o termo pode ser aplicado neste assunto. Deve ficar provado que o clube em causa bem ou mal vai cumprir com as suas responsabilidades, quer em termos salariais quer com relação a outras obrigações.
Caso contrario, não faz sentido punir tal clube, porque até certo ponto permitiu-se que chegasse onde chegou, mesmo a saber-se que não estava a altura das responsabilidades que lhe cabem . Augusto Fernandes

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