Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Leonel Librio

Conteno de gastos?

03 de Dezembro, 2014
Como é normal, em situações como a que se está em presença, depois de a direcção do Atlético Petróleos de Luanda ter anunciado que nas próximas três épocas a sua equipa de futebol não se vai assumir como candidata ao título do Girabola, que se deve primar por uma gestão mais racional dos seus recursos financeiros, começam a surgir interrogações relacionadas com a maneira como vai ser feito o manuseamento dos recursos monetários do clube.

Tais interrogações ganham corpo, após a informação inserida na edição de ontem, deste diário, que dava conta que a sua equipa principal de futebol, vai efectuar um estágio pré - competitivo, de 20 dias, a Joanesburgo, República da África do Sul, em Janeiro.

Depois dos últimos movimentos em torno do clube petrolífero, com principal incidência para o futebol, dado o facto de os orçamentos financeiros e gastos dos clubes e Federações, principalmente os que recebem apoios do Orçamento Geral do Estado (OGE) e de patrocinadores, nem sempre serem levados ao conhecimento dos associados, surge a interrogação se a realização de tal estágio no estrangeiro, com os custos que se conhecem, tem razão de existir, quando, de acordo com a contenção de gastos que a direcção pretende implementar, no país existem províncias com infra-estruturas, condições climáticas e de acomodação, que podem produzir os mesmos efeitos que o país de Nelson Mandela. Referimo-nos às províncias do Huambo, Namibe e Huíla.

Para que o leitor construa uma ideia sobre o quanto com a realização do estágio na África do Sul pode “arrombar” os cofres da colectividade, até há cerca de quatro anos, a deslocação por um período de oito dias de uma comitiva futebolística nacional composta por 25 elementos, conforme recomendação da CAF (Confederação Africana de Futebol) à vizinha República Democrática do Congo, custava cerca de 150 mil dólares americanos. Nunca é demais recordar que em Angola, as comitivas desportivas quer de clubes quer federativas, incluem sempre uns “penduras” que vão em turismo.

Como factor positivo, deve-se realçar o facto de a vice-presidência do clube para o futebol, optar por trabalhar com um número reduzido de pessoas, fundamentalmente no escalão sénior, que ao que se diz existe “gente à mais e que pouco faz”, no desenvolvimento das suas funções. Ao que se sabe, vão ser distribuídos quadros qualificados por todas as áreas administrativas e técnicas, com o propósito de conferir maior dinamismo e destreza na execução das tarefas.

Não é de agora, que em diversas situações a quantidade excessiva de pessoas colocadas numa determinada área, nem sempre contribui para o desenvolvimento a preceito das tarefas a si acometidas. Ao procederem desta forma, os futuros gestores do futebol dos tricolores contribuem para a redução de gastos financeiros, que se traduzem no pagamento de salários, do consumo de energia e de água, de telefones, aquisição de combustível para as viaturas e outras despesas pontuais.

Estamos certos que este tipo de medidas, para além de evitar os “habituais” choques de competências e o espírito do “empurra, empurra”, vai acabar ou contribuir para a diminuição da inércia, que infelizmente, ainda é usual com alguma frequência em determinados serviços, sobretudo nos públicos. Perdura igualmente numa quantidade significativa de organizações, de organismos e de empresas, a todos os níveis, onde existem trabalhadores que trabalham muito e outros que nada fazem, senão “darem à língua”, como soe dizer-se.

Ao encontro de que acima está referenciado, desprovidos de sentimentos de interferência nos métodos de trabalho da direcção do Petro de Luanda, a realização do estágio na África do Sul, constitui um contra- senso, tendo em conta o período de austeridade financeira e de contenção de gastos, anunciado pelo seu presidente, Tomás Faria.

É evidente que as medidas em questão, não podem e nem devem estar dissociadas da dinâmica de crescimento e de resgate da mística do clube, cuja dimensão e grandiosidade, ultrapassam as fronteiras angolanas.

Últimas Opinies

  • 18 de Julho, 2019

    Final interessante

    Um mês depois de fortes emoções vividas nos estádios e em outros espaços fora e longe dos centros de disputa,  vamos ter,  finalmente,  amanhã dia 19, o cair do pano da XXXII edição do Campeonato Africano das Nações de futebol, organizado pelo Egipto.

    Ler mais »

  • 18 de Julho, 2019

    A dvida de Akw

    O dia 8 de Outubro de 2005, ficará para sempre gravado na história do desporto angolano e do futebol em particular.

    Ler mais »

  • 18 de Julho, 2019

    Assim no est nada bom

    Depois da decepção que foi a participação dos Palancas Negras no Campeonato Africano das Nações, que ainda decorre no Egipto, com encerramento previsto para amanhã, 19 de Julho, pensei que a paz voltaria, quanto antes, a reinar no “quintal” do futebol doméstico, de si já prenhe de problemas.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    Uma seleco coxa sem craques de elite

    A qualidade  dos jogos dados a ver pelos Palancas Negras no CAN do Egipto, mostrou, mais uma vez, que não temos um estilo que nos identifica em termos de estilo.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    O real papel do gestor desportivo

    As funções de um gestor desportivo não são mais do que as funções de um gestor de empresas, adaptadas e ajustadas às particularidades de um clube ou federação desportiva.

    Ler mais »

Ver todas »