Jornal dos Desportos

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Opinio

Contornar a crise do petrleo

26 de Janeiro, 2016
Em função do reajuste dos preços dos combustíveis, da água e da energia eléctrica, determinado pelo Governo, em função da queda do preço do petróleo, o principal produto angolano de exportação, no mercado internacional, que continua a “mexer” com os bolsos dos cidadãos de todos os estratos sociais e condição financeira, os adeptos das várias modalidades desportivas estão preocupados com o incremento nos preços que os ingressos registam.

Tal facto começou a ganhar consistência, com o aumento que se registou nas primeiras jornadas do BIC – Basket, que iniciou recentemente, principalmente nos clássicos 1º de Agosto - Recreativo do Libolo e Recreativo do Libolo – Petro de Luanda, onde, oficialmente, o bilhete foi comercializado a 2 mil kwanzas, chegando a atingir no mercado paralelo, a cifra de 3 a 4 mil. Se no primeiro dérbi, a arena do Kilamba registou casa cheia porque algumas pessoas estavam desprevenidas, no segundo, o recinto que tem capacidade para cerca de 10 mil espectadores, registou algumas clareiras.

É certo que nem todas as modalidades levam a efeito os respectivos campeonatos provinciais e nacionais. A realidade é que as pessoas começam a preocupar-se com o futebol, cuja época arranca no próximo mês, que pela sua especificidade, movimenta a maior quantidade de atletas e adeptos e decorre no contexto mais nacional, envolvendo deslocações de pessoas que acarretam custos.Essa pretensão acontece pelo facto dos dirigentes dos clubes considerarem diminutos os seus orçamentos financeiros para cobrirem as despesas de uma época, cujos gastos têm aumentado a medida que as mesmas acontecem.

É de se concordar que o propósito dos mandatários dos clubes, está protegido pela razão. Em nossa opinião, deve ser ponderada de forma séria, obedecendo a critérios de razão, ao mesmo tempo que deverão ser acauteladas as suas consequências.O que está na base da apreensão de uma considerável quantidade de adeptos das diversas modalidades, na sua maioria jovens e adolescentes, alguns dos quais são estudantes, se nos atermos a média dos salários praticados e ao custo do nível de vida dos angolanos, cuja maioria possui agregados familiares superiores a cinco elementos, é a forma como tais incrementos estão a acontecer.

A “saúde” financeira que já não era boa para os jovens, que na sua maioria dependem dos pais, tutores ou encarregados de educação, começou a agravar-se há cerca de dois anos, em função da crise económica internacional, em função da baixa do preço do barril do petróleo no mercado mundial, ao qual Angola não está isenta. É assim que, pelo facto de a maioria das modalidades ainda não terem iniciado os seus campeonatos (provinciais ou nacionais) e torneios, não esquecendo que a implementação dos preços de qualquer produto em Angola, à excepção dos espetáculos desportivos, é da exclusiva competência do Gabinete de Preços do Ministério das Finanças.

O que recentemente ocorreu com o preço das tarifas dos táxis, em Luanda, encaixa-se nesse preceito, com a Associação e a Nova Aliança, organismos que defendem os interesses da classe dos taxistas, a entenderem-se com o Gabinete de Preços do Ministério das Finanças, não obstante, a atribuição dos preços dos ingressos para os espetáculos desportivos, por se tratar de actividades liberais, serem da competência dos organizadores. Em nossa opinião, representantes das federações, associações provinciais e do Ministério que tutela o desporto devem encetar contactos, à respeito, com aquele Gabinete.

Deve primar o bom senso para não se enveredar pela anarquia, estabelecendo-se os preçários sem critérios, sob a vontade de cada um. Apenas devem obedecer algumas exigências, para não atingirem preços especulativos, longe do que é normal em Angola. Convém recordar que não é de agora que nos batemos sobre o facto, que em relação ao desporto, cujo tecto máximo deve constar nos regulamentos de competições das federações nacionais, que estão desajustados em relação a realidade actual. Tais propostas devem ser analisadas depois de consultadas as associações provinciais, na qualidade de mandatárias dos clubes.

São do conhecimento geral, as dificuldades por que passam os clubes, para cobrirem as despesas decorrentes de uma época. A pergunta que se impõe, prende-se com o facto de se demorar a encontrar-se uma solução consensual sobre o assunto, se o público vai continuar a ocorrer aos estádios, para o caso dos ingressos sofrerem um incremento.

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