Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Contornos de uma Liga

26 de Fevereiro, 2016
O tema não é de hoje. Remonta de há muitos anos, e já foi objecto de debates acalorados, que atingiram a exaustão. Falo da pretensão da criação de uma Liga de Clubes de Futebol- LCF, que podia ou não ter a mesma configuração do Girabola, e que pudesse conferir maior valor e expressão à competição, com a atribuição de um prémio monetário ao seu vencedor.

Pois, o campeonato nacional da primeira divisão, ao que é de domínio público, desde a sua primeira edição, em 1979, que se limita à entrega de uma taça simbólica ao vencedor, sem qualquer valor adicional, sendo um torneio apenas dispendioso, já que os clubes que lhe dão corpo acabam, em regra, por não ter qualquer retorno do capital aplicado, quer no potenciamento das equipas, quer nas despesas correntes.

A Liga de Clubes de Futebol serviria também como forma de desafogar a Federação Angolana de Futebol, que deixaria neste caso de ter responsabilidade com a principal competição futebolística nacional para centralizar as suas atenções noutras acções relacionadas ao fomento da modalidade e a competições de índole internacional, aquelas que envolvem as selecções nacionais em todos os seus escalões.

Vai-se lá saber se a ideia ficou definitivamente enterrada ou está apenas em "banho Maria", como algo de menos importância e que não deve, por esta via, roubar tempo aos pensantes do futebol. Só assim se percebe que pela FAF passem direcções e direcções sem que nenhuma se decida em atacar o caso com maior seriedade, traduzindo-o de meras ideias para a acção. Talvez seja apenas consequência de um desejo inusitado de sermos diferentes aos outros.

Por exemplo, em termos de calendarização também faz tempo que se vem defendendo que o nosso campeonato passe a começar mais cedo, adaptando-o à realidade de outros países africanos. Esta é outra música que melodicamente tocou, tocou, tocou até encher os nossos ouvidos e sair da moda. E o que se constata são as nossas equipas nas competições continentais entrarem sem rotina, quando os adversários já vão com muitos jogos nos pés.

Às vezes escapa a sensação de que no comunismo os homens pensavam melhor. Pois, se foi no dia 8 de Dezembro de 1979, longínquo mas memorável dia, que teve início a primeira edição do Girabola, por que razão vieram as alterações que nos remetem à actual condição? É que estando identificadas as consequências deste desfasamento era sem tempo de se partir para as correcções que se impõem.

De volta à Liga de Clubes de Futebol, também se entende, com menor ou maior dificuldade, que pode ter faltado patrocinador que pudesse assegurar a prova por várias edições. Nestes casos, às vezes, há que se rever um conjunto de factores. Pouco interessa , por exemplo, ter um patrocinador para a presente época e não ter para a próxima. Este é um passo muito determinado pela reacção do sector empresarial do país.

E agora que ficou vencido o período das vacas gordas, esta pode ser uma conversa a jogar para as calendas gregas. Surgiu a Zap a estabelecer uma parceria com a Federação Angolana de Futebol, o que acabou por ser uma vitória bem conseguida do elenco directivo de Pedro Neto, se não um golo de antologia. Não se sabe para quanto tempo vai vigorar, sendo que o acordo é apenas de dois anos, embora renováveis. Pelo menos nesta e na próxima época temos garantia de campeonatos no verdadeiro sentido da palavra, em que as equipas - nem todas - poderão embolsar algum capital e em que o campeão nacional para além da taça de metal vai ver também entrar para os seus cofres alguns cifrões. Mas pode ser apenas para uma curta fase, já que os contratos chegam sempre ao fim. Há que enaltecer o espírito competitivo como a principal vantagem que ganha a prova na luta pelo título.

Chegado aqui, e vincando o meu ponto de vista sobre o tema em abordagem, a Liga de Clubes de Futebol é assunto enterrado. Pois se na anterior realidade financeira do país não foi possível a sua implementação, não é agora que todos andamos a contar tostões que tal será possível. Já era sem tempo...
MATIAS ADRIANO

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