Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Contratempos no basquetebol....

03 de Julho, 2015
Há evidências de as coisas não irem bem dentro da pré-selecção nacional de basquetebol. Primeiro colocou-se situação da ausência a concentração de algumas unidades convocadas pelo seleccionador nacional, situação que depois ficou sanada, para amainar os ânimos daqueles que só esperam o bem, e nada mais do que o bem, para o "cinco" nacional neste momento decisivo.

Mas, se a apresentação do grosso de jogadores convocados para a "operação" Tunísia, constitui uma espécie de lufada de ar fresco no circulo, não tardou o despoletar de outra situação, que, de alguma ou de outra forma, também não deixa de criar certo constrangimento ao grupo de trabalho, sendo capaz de provocar algum desarranjo ao programa de preparação inicialmente esboçado pela equipa técnica.

Fala-se na falta de verbas para custear a viagem para o estagio pré-competitivo, programado a partida para o Reino de Espanha. E enquanto isso, a equipa prossegue a sua preparação interna. Não sendo uma situação alarmante, porque quem de direito está, de certeza, a conjugar esforços no sentido de ultrapassá-la, porem não se devia colocar nesta altura do campeonato.

Há situações previstas que já não devem dar lugar a contratempos de última hora. O Afrobasket da Tunísia está agendado desde 2013. Ou seja, quando terminou a edição da Costa do Marfim, onde o nosso país teve a honra de resgatar o título que havia escapado para a Tunísia em Antananarivo, ficou marcado o outro encontro da nata do basquetebol africano para Agosto do presente ano na Tunísia. Portanto, nada é surpresa.

Logo, é de todo descabido que nesta altura em que a Selecção Nacional arregaça as mangas de camisa para o trabalho, surjam contratempos do género. Ê verdade que estamos numa fase de austeridade.

Mas isto não pode e nem deve servir de justificativo para todas as situações que envolvam financiamento. Afinal quando o pais assumiu as primeiras conquistas estávamos numa situação pior que a de hoje, e ate onde vai o meu conhecimento, não se colocavam embaraços financeiros.

Os dinheiros para este compromisso deviam estar reservados há muito. O mais que se podia acrescer é aquilo que se relacionasse a alguns extras que a própria direcção da Federação quisesse proporcionar aos atletas na esteira de incentivos que afinal ajudam sempre na criação de uma estrutura psicológica sólida no seio do grupo de trabalho, cuja captação seria da sua inteira responsabilidade.

Esperamos que esta situação que está a tirar algum sono à direcção da FAB, ao seleccionador nacional e a outros integrantes do grupo, seja ultrapassada com celeridade, de modo que a equipa possa cumprir o seu programa de preparação e o pais por sua vez se ache na condição de exigir dela resultados, e mais do que isso, cumprimento das metas competitivas que venham a ser estabelecidas.

Sabemos que nesta febre da tal crise económica que se vai falando de boca em boca, acabamos todos penalizados. Mas há sempre que se encontrar um meio termo para certas situações, particularmente para o basquetebol, a nossa "galinha de ovos de ouro". Na maior das vezes em que Angola rejubilou por conta do desporto, foi com o basquetebol. É esta disciplina desportiva que a par do andebol feminino ainda nos permitem fazer alguma "banga" quando sentimos elevado o nosso ego de angolanidade.

E por aquilo que nos deu a ver o BIC Basket, sobretudo a final, estamos em condição competitiva de prosseguir a nossa saga vitoriosa pelo continente. Mesmo que o facto de a prova se disputar na Tunísia dê lugar a alguma reserva, Angola pode lá chegar e voltar a levar a África a render-se ao fascínio do seu basquetebol. Para tanto, é preciso que se crie um clima salutar no seio da equipa. Os contratempos de última hora não concorrem para o sucesso.

Enfim, não se pode perder de vista que o basquetebol é a nossa bandeira. E devemos nos dar por feliz por haver a nível desta modalidade uma passagem de testemunho de geração para geração que não se verifica por exemplo no futebol. Jean-Jacques, José Carlos, Aníbal, Neca, Herlander Coimbra, Vítor Carvalho, Ângelo Vitoriano, Lutonda, Baduna e outros, não vivem o pesadelo de Ndunguidi, Napoleão, Jesus, Garcia, Akwa, Castela etc., etc., porque não tem motivo para tanto.

De resto, foram bem substituídos. As gerações que os precederam tem sabido seguir o mesmo trilho, para conservar o extenso rosário de glorias que cimentou no solo africano a nossa honra, a nossa dignidade. Devemos nos dar por felizes a nível do basquetebol. Mas se nos descuidarmos, podemos mergulhar na mesma crise em que estão hoje países que já foram verdadeiros impérios do basquetebol africano. Perguntem-me: onde anda a RCA dos temíveis Frederick Goporo e Anicet Lavodrama?
MATIAS ADRIANO

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