Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

\"Conversas\" do Petro coragem do d Agosto

20 de Junho, 2017
Depois de ter visto na sexta-feira passada o Petro de Luanda a fazer, digamos, gato-sapato, ao Progresso do Sambizanga, com vitória, por 2-0, então para mim, até prova em contrário, sou da opinião de que a direcção do Petro de Luanda - e por arrasto toda a sua equipa técnica - continuam a \"esconder o jogo\", ao firmarem reiteradamente que este ano têm um plantel longe da luta pelo título.

No domingo, segui a entrevista que o técnico espano-brasileiro Beto Bianchi concedeu ao meu camarada Carlos Pacavira da Rádio Cinco durante a qual reafirmou a mesma posição mesmo vendo a sua equipa a ganhar jogos atrás de jogos. Já no ano passado a \"história\" foi a mesma e a verdade foi que o Petro de Luanda deu luta ao 1º de Agosto até à ultima jornada, mostrando que queria de facto o título.

Na referida entrevista, domingo, o treinador considerou que o Petro continua a ser uma grande equipa, mas desculpou ser apenas de nome, porque financeiramente, na sua visão, já não é como no tempo em que os \"cofres\" garantiam a contratação de jogadores de nomeada e, assim, de peito aberto a direcção afirmar que a equipa é candidata.

Agir assim por palavra, mas vitoriosamente bem fazer em campo não será apenas mera estratégia, escondendo o \"jogo\", para atirar a pressão aos seus concorrentes, no caso 1º de Agosto, Kabuscorpo do Palancas e recreativo do Libolo? Sei que essa \"conversa\" que vem de há três anos, concretamente desde 2015, quando ouviu-se o presidente, Tomás Faria, a dizer que o clube não apostará em título algum até 2018, dando mais primazia à formação.

E naquela altura essa posição não foi tomada de bom grado pelos adeptos tricolores, por terem então considerado que o clube tem tradição e capacidade de investimento para enfrentar qualquer concorrente. Se a direcção diz que a capacidade financeira escasseou, como é que os adeptos reconhecem e batem palmas à capacidade competitiva da equipa onde o brasileiro Azulão está a \"pintar\" a lista de marcador de \"cor azul\"?...

Tomás Faria, na altura - e a imprensa tem este registo - disse que o clube optaria por uma política de austeridade durante três épocas em que apenas continuaria a jogar nas provas nacionais, e no Girabola ZAP em particular, com o propósito de dignificar o nome do clube. Só que já depois da contratação do actual técnico Beto Bianchi, a direcção para o futebol do Petro veio dizer que estava determinada a resgatar a sua mística, efectuando, para tal, apostas em meios humanos e técnicos.

Quem não se recorda de o presidente de direcção dizer em conferência de imprensa que a contratação do treinador hispano-brasileiro, Beto Bianchi, que rendeu o brasileiro Alexandre Grasseli, resultaria na \"missão\" de já em 2016 conquistar o Girabola e a Taça de Angola e desta forma reabrir o mesmo caminho que conduziu a equipa a 15 campeonatos? E vimos com olhos de ver que na verdade esteve quase a lograr os dois feitos...

Quem não está com \"fintas\" é o grande 1º de Agosto. E agora que o campeonato recomeçou, dando curso à segunda volta, acho
que a equipa técnica da formação militar ganhou , e muito bem, a primeira batalha na \"guerra\" das seis vitórias imediatas projectadas nesta fase, sendo que a primeira foi a goleada de 4-0 infligida à \"fraquita\" equipa do JGM do Huambo.

Ivo Traça e Dragan Jovic recomeçaram com uma linha de ataque que em boa verdade muitas vezes espreitou o sitio do golo e acertou na mosca como soe dizer. A equipa falhou poucas vezes, ao contrário do que se viu na primeira volta em que ora as bolas passavam ao largo das balizas, ora beijando os travessões adversários

Quer dizer que depois da paragem de cerca de mais de um mês devido ao jogo dos Palancas Negras com o Burkina Faso, o 1º de Agosto , mesmo não tendo recomeçado diante de um \"prato forte\", pelo menos mostrou que pontaria não vai faltar nesta segunda volta. E assim \"disse\" em campo que sonha e tem a possibilidade de poder vir a ser campeão, uma \"pressão\" que vai acompanhá-lo até à última jornada, porque vai sentir a luta de outros grandes, como desse mesmo Petro de Luanda, Kabuscorp do Palanca e Libolo.
António Félix

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