Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Corrigir o mal no dirigismo desportivo

12 de Abril, 2018
O objectivo supremo do governo, saído das eleições de 2017, é corrigir o que está mal e melhorar o que está bem. Já passaram mais de seis meses, desde que os primeiros membros do actual executivo tomaram posse.
Desportivamente falando, como podemos avaliar o trabalho dos dirigentes desportivos, tendo em atenção o lema “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem?” Podemos dizer, que já existem alguns sinais de mudança.
Entretanto, em primeiro lugar vou debruçar-me sobre as dificuldades que algumas selecções dos países experimentam, ao longo destes mais de 180 dias de gestão do novo executivo. É ponto assente, que o pais vive uma crise económica desde 2015, que afecta grandemente na execução de planos traçados e daí por diante. Todos sabemos que as selecções nacionais são propriedade do Estado e por isso, cabe ao Estado a responsabilidade primária de organizar as condições para as manterem vivas.
Também é tarefa do Estado elaborar o programa das actividades anuais das selecções nacionais, através das respectivas Federações e definir prioridades. Portanto, isto implica dizer, que nenhuma Selecção Nacional participa numa competição, sem a anuência do Ministério da Juventude e Desportos.
Assim, cada Selecção Nacional tem um orçamento em função de sua grandeza e importância, quer a nível do país, como do continente. Por isso, é de esperar, por exemplo, que as selecções de Andebol e de Basquetebol tenham uma fatia robusta no orçamento dirigido ao desporto, por serem selecções que justificam o que o país gasta com elas.
No entanto, é triste e até vergonhoso, quando uma Selecção Nacional ande de mãos estendidas, a mendigar esmolas e os seus dirigentes a contraírem dívidas, para cumprirem os compromissos.
Várias são as vezes, que algumas das Selecções Nacionais passam por situações desagradáveis, por falta de dinheiro, quando até existem clubes que o Estado é quem apoia, que se encontram muito bem financeiramente e fazem a sua vida normalmente.
É inconcebível, que uma Selecção Nacional que representa o povo e o país, ande a mendigar esmolas. Isto, implica dizer, que é imperioso que os dirigentes desportivos, no caso os do Minjud, comecem a corrigir este grande mal.
Não esqueçamos que o desporto é dos principais, se não o principal factor de unidade nacional, e que promove fortemente a paz. Quando qualquer Selecção Nacional está em campo, todos se revêem nela, e até as diferenças que às vezes nos separam, são esquecidas.
O poder que o desporto tem de influenciar pessoas, para manter a paz, pode ser visto numa declaração que certo oficial superior de uma das partes que fizeram a guerra civil em Angola, disse: “Quando jogava a Selecção Nacional, um Petro – 1º de Agosto ou um jogo a envolver estas equipas com o 1º de Maio de Benguela, parávamos os combates para ouvir e viver os jogos..”
A prática do desporto, ajuda a juventude a manter-se longe dos maus caminhos e atingir a selecção nacional, em qualquer modalidade, é o sonho de todo jogador ou atleta. Por isso, as selecções nacionais merecem o apoio de todos, especialmente do Estado. A forma como o Minjud trata a selecção de futebol salão de Sub 18 é inaceitável. É como se o Minjud dissesse aos rapazes: “ quem vos mandou chegar até aí? Desistam.” Estão a desencorajar os jovens, de terem a atitude vencedora!
Depois dos rapazes atingirem a última fase, as dificuldades aumentaram, significativamente, quando devia ser o contrário. Esta atitude desencorajam os dirigentes desportivos, não só da FAFUSA como das demais modalidades, pois, todos se revêem nesta situação.
Temos de ter em mente os danos que causam aos jovens jogadores da selecção, e as consequências que advenham disto. Foi com tristeza que ouvimos as lamentações de um dos dirigentes da FAFUSA, na Rádio 5, no dia 10.04.18, dizer que “só irão disputar os dois jogos com o Egipto por respeito ao povo e à nação, pois, não existem condições para a selecção prosseguir”.
A continuar assim, podemos dizer que a nossa selecção vai morrer na praia, para tristeza dos bravos rapazes que mesmo a lutarem contra todas as dificuldades, chegaram com mérito e bravura até à eliminatória, com cerca de 60 por cento de hipóteses de chegarem às Olimpíadas da Argentina, que podia ser uma grande vitória do desporto angolano.Faltam dois dias, para o jogo da primeira mão, que vai disputar-se no Pavilhão Gino - Desportivo da Cidadela. A grande questão é: vale a pena estarmos presentes para apoiar os nossos rapazes? Somente o Minjud pode dar-nos a resposta à esta pergunta.
Creio ser a altura do órgão que superintende o nosso desporto começar a definir a vida das Selecções Nacionais. Para o efeito, o Minjud e as Federações nacionais devem estar em sintonia, para determinarem os passos que cada uma deve dar em função do orçamento.
Deve ficar determinado, quais são as selecções que podem competir a nível do continente, com probabilidades de avançar para uma competição Mundial, e para isso, recebem um crédito adicional.
É hora de se corrigir o que está mal, no dirigismo desportivo. Acredito, que não exista muita ciência para se resolverem assuntos idênticos aos que me referi. Queremos acreditar nas pessoas, a quem foi confiada a missão de fazer as necessárias correcções, para bem do nosso desporto.
Augusto Fernandes


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