Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Corrigir o mal no futebol (I)

22 de Agosto, 2019
A semana passada terminei o artigo com a seguinte sentença: “(…) é importante mudar de estratégia. Tendo em atenção que a Selecção Nacional é propriedade do Estado e por isso é o seu principal patrocinador, é somente normal e aceitável que seja ele a planificar a vida da sua equipa ou no mínimo aprovar os programas da Federação Angolana de Futebol (FAF)”.
Como assim? Em primeiro lugar o Ministério da Juventude da Juventude e Desportos (Minjud), na qualidade de órgão reitor do desporto angolano, deve assumir a responsabilidade de planificar ou fazer o projecto dos objectivos a atingir com as selecções nacionais de futebol, especialmente com os Palancas Negras.
Para o efeito, dever-se-ia criar uma espécie de “conselho nacional” composto por homens experientes e com conhecimento profundo sobre o futebol no país e a nível mundial, que funcionariam como assessores dos responsáveis de tal projecto.
Com estes elementos aprovados, a margem de erro do projecto seria muito diminuta e a maior parte da família do futebol nacional se reveria no assunto. Se for a FAF a assumir a responsabilidade do projecto, como é óbvio, o procedimento seria o mesmo mas deveria ter a aprovação do Minjud.
Com o desafio nas mãos de toda a família do futebol, por assim dizer, o projecto teria a “bênção” ou seja a aprovação de todos e consequentemente a margem de sucesso seria maior, porque todos estariam “remando” para a mesma direcção. Sim, praticamente não haveria oposição. É o que vemos na maior parte dos países, onde o consenso é a base para a solução dos problemas. Assim, atitudes ou situações vergonhosas, como as que vimos quando os Palancas foram estagiar em Portugal para o Campeonato Africano das Nações (CAN) do Egipto, onde o “Pai” (Minjud) não sabia como os seus “filhos” foram parar as terras de Camões, porque não havia dado o dinheiro para o efeito.
É importante aqui dizer, que este tipo de comportamento, o de forçar o Estado a pagar despesas para as selecções nacionais que não estavam na agenda, para compromissos internacionais e não só, não é de hoje, pois em anteriores direcções de várias modalidades, incluindo a FAF, esta táctica sempre imperou.
Por exemplo, quando a FAF contratou ou pediu a ajuda de Beto Biancchi, na altura treinador do Petro de Luanda, para também orientar os Palancas Negras, o presidente do órgão que superintende o nosso desporto-rei, afirmou que o CAN dos Camarões não era prioridade, pois o objectivo supremo das sua direcção era montar uma selecção a médio prazo e capaz de dar alegrais ao povo angolano. Mas na hora da verdade, tudo mudou. A FAF fez das tripas coração, para colocar os Palancas Negras no CAN. Consequentemente o resultado foi o que todos vimos. A Selecção foi”passear” em Portugal, fez um “treinozito” e chegou ao Egipto como simples turista. Deram o ar da sua graça contra a Tunísia e de resto… Assim sendo, se o Minjud (e toda família do futebol nacional) não tomar medidas, no sentido de corrigir este tipo de situações, então também não poderá pedir contas, quando as coisas andarem fora dos carris ou a FAF insista em colocar a carroça a frente dos bois. Não podemos permitir, que comportamentos nocivos do passado continuem a imperar, como por exemplo o de se gastar dinheiro público, para satisfazer a vontade de uma minoria em nome do desporto e especialmente do futebol angolano, que, diga-se em abono da verdade, é a modalidade que mais gasta.
Por isso, doravante o Minjud, deverá ser mais rigoroso no controle dos projectos destinados ao futebol, bem como no investimento a atribuir a FAF, para que se cumpra com os objectivos traçados. O que deve ser incluído em tal projecto?
Deve estar bem definido o objectivo, o valor a ser gasto, o tempo médio e máximo do projecto, o corpo técnico e assim por diante. Por exemplo, objectivo: chegar ao CAN de 2023 e estar entre os três primeiros classificados. Tempo de preparação: três anos e meio. Valor a ser gasto: x milhões de kwanzas… e assim por diante.
Portanto, com o programa aprovado, partir para a selecção dos jogadores em termos de idade, capacidade técnica e física e nível de escolaridade e outros dados importantes, para avançar com o projecto. Quando estivermos organizados mais ou menos assim, aí poderemos exigir qualidade e resultados.
O mais importante para nós é que já identificamos qual é o nosso problema. Este é apenas um exemplo, do que pode ser feito. Vamos aguardar pelos cérebros capacitados, de formas a encontrarem a solução mais viável. Enquanto isso não acontecer é melhor continuarmos calados e deixar que a carroça continue a puxar os bois. Augusto Fernandes

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