Jornal dos Desportos

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Opinio

Corrigir o mau comeo

05 de Dezembro, 2019
O 1º de Agosto e o Petro de Luanda, nossos representantes na fase de grupos da Liga dos Campeões de África, voltam a jogar este fim-de- semana, com o objectivo supremo de corrigirem o mau começo que tiveram na primeira jornada da prova.
Os petrolíferos vêem de uma pesada derrota diante do Mamelodi Sundowns da África do Sul por 3 bolas a zero, enquanto os militares do Rio Seco empataram em pleno Estádio 11 de Novembro, com o Zesco United da Zâmbia a uma bola.
A equipa de Toni Cosano, recebe no Estádio 11 de Novembro, o USM da Argélia, que vem do empate a uma bola com o Casablanca de Marrocos. Com 8 títulos conquistados no campeonato Argelino, o USM de Argel, é um clube com cerca de 82 anos de existência, fundado em 5 de Julho de 1937.
Portanto, o adversário do nosso Petro, tem bastante experiencia nestas andanças e de certeza absoluta que vira a Luanda como objectivo de pontuar. Em função do que vimos dos tricolores da capital diante do Mamelodi Sundowns, o Petro, terá de mudar radicalmente de postura.
Entretanto, independentemente do valor do seu adversário, os rapazes do Catetão, podem contornar o USM de Argel, pois o factor casa e o facto de ter sido derrotado na primeira jornada, obrigam os angolanos a terem que vencer a partida, sob pena de complicarem ainda mais a sua pretensão de passar para a segunda fase desta competição.
Os militares deslocam-se ao Egipto para enfrentar o Zamalek local, que vem de uma derrota de 3 bolas a zero diante do TP Mazembe da Republica Democrática do Congo, na primeira jornada, e por isso estão com o orgulho ferido e tudo irão fazer para chamar a si a vitoria
Só por isso advinha-se um jogo muito difícil para o 1º de Agosto. Além disso, sabemos que as equipas do norte de África são terríveis, quando jogam no seu “habitat”, recorrendo muitas vezes ao anti- jogo ou intimidando as arbitragens, para fazerem o seu “jogo”, transformando-os no decimo segundo jogador.
Apesar destes pressupostos o 1º de Agosto, pode muito bem fazer um excelente resultado diante dos Egípcios. Isto implica dizer, que o nosso representante deve jogar para ganhar e não para empatar. Para isso é importante, que a equipa técnica consiga transmitir este pensamento aos jogadores.
Resumindo, para corrigirem o mau arranque que tiveram, os nossos representantes terão de revestir-se de uma nova postura ou atitude competitiva e honradez. Estes dois elementos são determinantes, para o êxito de qualquer equipa em alta competição. Em minha opinião, a falta destes dois elementos tem sido o motivo dos desaires das nossas equipas e até mesmo das selecções nacionais.
O breve histórico do nosso futebol a nível de África e não só, indicam claramente isto. Foi assim quando chegamos ao nosso primeiro CAN em 1996, ganhamos o CAN de Sub-20 em 2001, com o mesmo espírito fomos ao Mundial da Alemanha em 2006, o Inter de Luanda jogou a final da Taça Nelson Mandela em 2001, o Petro esteve próximo de o fazer em 2002, o 1º de Agosto idem em 2018 e muito recentemente a selecção de sub-17 fez o mesmo no Mundial do Brasil.
Portanto, podemos dizer que o nosso grande problema não reside na qualidade do nosso campeonato ou do nosso futebol, mas sim dos momentos dos nossos jogadores, dirigentes e outras forças, que influenciam positiva ou negativamente nos resultados. Daí este intermitente no comportamento das nossas equipas em competições internacionais.
Isto implica dizer, que os nossos representantes este fim de semana podem muito bem mudar o curso da situação, fazendo resultados positivos. O Petro, precisa de vencer e tem jogadores com qualidade para o fazer. Do mesmo modo o militares também podem vencer o Zamalek em sua casa, desde que apliquem a receita: atitude competitiva, profissionalismo e honradez.
Sim, quando um jogador encara uma partida como sendo um combate de vida ou morte (passe o termo) e que a derrota significa ”morte”, então tem outra postura ou atitude dentro das quatro linhas, sem recorrer ao anti-jogo, é claro. A honradez, também é um grande tónico, para vitórias. Quando o jogador está em campo e pensa no privilégio que tem de representar milhões de pessoas e que estas depositam total confiança em si, então este privilégio transforma-se em responsabilidade e nada o detém.
No entanto, cabe as direcções dos dois clubes criarem as condições para que os seus jogadores tenham um comportamento guerreiro e consigam arrancar a vitória a ferro e fogo como soe-se dizer. Sim, queremos acreditar que, desta vez, os nossos representantes nos brindarão com vitorias. Augusto Fernandes

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