Jornal dos Desportos

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Opinio

Corrupo: um mal a combater

21 de Abril, 2018
Numa altura em que o combate à corrupção, ao nepotismo e à impunidade é um assunto em voga no país, no mosaico desportivo angolano e no futebol, particularmente volta a despoletar-se um caso que \"mexe\" com o organismo reitor da modalidade-rainha.
No meio de várias suspeições que se têm levantado em torno de corrupção, ao longo destes anos, no seio do nosso futebol, na semana passada mais este caso veio à tona, envolvendo a árbitra internacional angolana Marximina Luzia Bernardo.
A juíza, quadro da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), foi suspensa por três anos pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), supostamente por favorecer o Benfica de Luanda num jogo com o Sporting de Cabinda.
Pesou sobre a árbitra que ascendeu ao quadro FIFA há 16 anos a acusação de suborno com 1 milhão e 500 mil kwanzas neste jogo referente à edição de 2014 do Campeonato de Futebol da I Divisão, que ganhou nos últimos tempos o cognome de Girabola Zap.
É um aspecto que a confirmar-se a sua veracidade acaba por manchar o nome da arbitragem e do futebol angolano.
Tal como se prevê actuar hoje em relação à corrupção, ao nepotismo e a impunidade, males que têm causado vários prejuízos ao povo e que estão a contribuir para agravar a imagem de Angola no exterior, neste caso não pode haver meias contemplações.
Lembro-me que por ocasião da cerimónia de abertura do ano judicial, em Março último, o Chefe de Estado falou da intenção de se tornar a justiça nacional cada vez mais capaz de responder aos grandes desafios tendentes ao combate a estes males.
João Manuel Gonçalves Lourenço garantiu, na altura, estarem a ser tomadas, pelo Executivo, algumas medidas que, embora importantes, se afiguram ainda insuficientes, mas que assinalam, de forma clara, o caminho sem retorno a seguir, para esse efeito.
O caso que envolve Marximina Bernardo surge numa altura em que se propalou muito, na nossa imprensa, a eleição do angolano Jerson Emiliano no leque de 33 árbitros principais e 63 assistentes, de 46 países, que marcarão presença no Mundial da Rússia.
De 34 anos de idade, o juiz internacional angolano tem se destacado não só no país, mas como a nível de África, razão pela qual muitas vezes é indicado para apitar jogos que acontecem em países do continente.
Jerson Emiliano torna-se, desse modo, no segundo árbitro angolano a marcar presença na mais alta-roda do futebol mundial, depois de Inácio Cândido ter estado em 2010 na África do Sul, naquela que foi a primeira organização de um país do continente.
A presença desses dois jovens e conceituados árbitros do país não é mais senão do que o reconhecimento do trabalho que se vem fazendo a nível do nosso país.
Aliás, depois da conquista da nossa Independência, a 11 de Novembro de 1975, e do pontapé de saída da maior prova do nosso futebol quatro anos depois, que muitos nomes sonantes foram surgindo a nível da arbitragem no país. Desde o tempo da \"outra senhora\" aos nossos dias nomes como os de Manuel Pimentel, Dionísio de Almeida, Jorge Mário Fernandes, Muluta Prata, Jacinto Félix, Hélder Martins, Pedro dos Santos e outros, procuraram sempre dignificar a arbitragem do país.
Por tudo isso, há a premente necessidade de se acabar como todos males que beliscam o bom nome e o prestígio que Angola já grangeou a nível do futebol e da arbitragem.
Não sendo um caso isolado o que se despoletou agora com a Marximina Bernardo, há três anos fez também eco o manifesto público e categórico do então proprietário e presidente de Direcção do Clube Recreativo da Cáala do Huambo.
Horácio Mosquito alegara, na ocasião, e de viva voz, ter provas de casos de corrupção, e de que ele fora também já protagonista de acções do género, enquanto dirigente desportivo.
O assunto, encaminhado para a Procuradoria Geral da República (PGR), foi muito propolado por pessoas ligadas ao futebol angolano e não só, que aguardam expectantes pelo desfecho a ser dado por este órgão de soberania do país.
Porém, o caso foi sentenciado com a suspensão do dirigente desportivo, acompanhada de uma multa de 300 mil kwanzas, resultante das denúncias que o mesmo havia feito em Maio de 2015, sobre alegada existência de corrupção no futebol nacional.
Após análise do relatório do instrutor do processo levantado logo na altura, a FAF considerou que Horácio Mosquito não fez prova das acusações, sendo por isso suspenso de toda a actividade na modalidade durante 360 dias e ao pagamento da referida multa.
O caso levantado por Horácio Mosquito envolvia além de dirigentes de clubes, árbitros e responsáveis do Conselho Central de Arbitragem do órgão reitor do futebol no país.Na sequência disso, o responsável que assumia a presidência do grémio recreatista da Caála desde 2008 acabou por apresentar a demissão das funções em Junho do mesmo ano, pelos alegados actos de corrupção no futebol angolano.
Independentemente dos supostos casos de corrupção da arbitragem no seio do futebol, em tempos idos e pela voz do seu secretário-geral, José Cardoso de Lima, o órgão reitor da modalidade no país, trouxe à baila, também, um outro assunto: o da falsificação de identidade de jogadores estrangeiros para actuarem com a nacionalidade angolana nos Campeonatos Nacionais da I e II Divisão.
A FAF declarou, para o efeito, “guerra” à falsificação de identidade por parte destes jogadores estrangeiros, apontado como um assunto “melindroso” pelos seus contornos.Para esse efeito, foi criada uma fórmula eficaz para detectar, até sem denúncia, quando ocorresse irregularidade na inscrição de um atleta, através de um sistema que acompanha o historial de todos os jogadores que evoluem nas provas nacionais.A Federação de Futebol almejava, assim, que o desporto-rei no país, no seu todo, fosse disputado no espírito do “Fair-Play”.
E essa deve ser a divisa reinante no seio da modalidade, contrapondo, assim, a todos os males como a corrupção e outros que em nada abonam o bom nome do nosso futebol.
SÉRGIO V.DIAS

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