Jornal dos Desportos

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Opinio

Corrupo vai conferncia

26 de Abril, 2018
Corrupção no futebol não é assunto de hoje. Vem, a dizer, desde a existência do próprio campeonato nacional da primeira divisão, lá isto no nosso caso particular. Já nos anos 80, havia dirigentes que sempre se opuseram ao trabalho dos árbitros, e, consequentemente, às \"engenharias\" de certos gestores desportivos.
Entretanto, nunca o \"boi foi agarrado pelos cornos\", como soe dizer-se. Ao longo dos anos, sempre se passou um penso quente sobre o assunto, como se não inserisse nenhuma gravidade. Equipas há, que foram despojadas de troféus, por manobras de alguns homens do apito, todavia, tudo acabou sempre por ser minimizado, como se fosse algo normal e pacífico, que a plateia deve aplaudir com urras.
Claro está, que, desmascarar manobras que envolvem a corrupção no nosso futebol, acaba por ser algo delicado, porque os seus efeitos podem ser arrasadores e envolver meio mundo, que vai de dirigentes a árbitros e passa se calhar por alguns atletas. Pode ser este aspecto que inibe certas pessoas de denunciar casos, o que ia ajudar a desmantelar toda a tramóia e higienizar a modalidade.
Há poucos anos, Horácio Mosquito, enquanto presidente do Recreativo da Caála, veio à praça pública denunciar o que se escondia por entre as quatro paredes do nosso edifício futebolístico. Mi, como é conhecido pelos mais próximos, foi alvo de holofotes.
Diga-se de passagem, o homem agitou a tribo do futebol por alguns dias, provavelmente criando insónias a muita gente. Pois, se assumia alguém em prontidão e disposto a incendiar a pradaria.
Hoje, podemos concluir que acabou por ser apenas uma intenção. As provas, que disse ter entregue à Procuradoria Geral da República, jamais foram divulgadas. Ou se tratou de uma mera “operação” de charme, ou avaliados os estragos que a explosão da bomba ia causar e o peso de figuras envolvidas, se tenha optado pelo silenciamento do caso para salvaguardar a imagem e o nome de certas pessoas, em detrimento da verdade desportiva.
É, realmente, delicado falar dos contornos da corrupção no nosso futebol. A novela é antiga e os seus capítulos foram vistos e revistos até à exaustão. Num passado mais recuado, um alto funcionário da própria Federação Angolana de Futebol, em pleno exercício das suas funções, afirmou publicamente que \"o futebol angolano era uma mentira.\" Esta afirmação, vinda de quem veio, devia ter espevitado a actuação do Ministério Público.
Hoje, a FAF promove uma conferência de imprensa, para esclarecer os castigos aplicados nos últimos dias pelo seu Conselho de Disciplina a gentes desportivos, em que o mais duro foi a suspensão da árbitra Marximina Bernardo, por três anos, por corrupção. Paira cá por fora alguma expectativa. Será hoje que se vai destapar o véu? Esclarecerá o órgão reitor da modalidade a existência de outros gatos escondidos com rabo de fora?
Pois, quer queiramos ou não, Marximina Bernardo não é o único caso. Ela pode ser só a ponta do “iceberg”. Outros casos, talvez mais bicudos, porque envolvem mais cifrões, existirão por ai, devendo estar apenas ocultados. É preciso que as punições não se resumam a pessoas mais fracas ou de menor influência...
Matias Adriano


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