Jornal dos Desportos

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Opinio

Cortar o mal pela raiz

09 de Março, 2015
Ao contrário das edições passadas, que aconteciam mais ou menos depois de cumprido um terço da prova, o Girabola 2015 já leva quatro jornadas disputadas, está a subir de tom o nível das críticas e acusações que a classe dos árbitros tem sido alvo, apontadas por alguns dirigentes, responsáveis, técnicos, atletas e outros elementos ligados à modalidade.

Reconheça-se que algumas dessas críticas têm razão de existir, outras nem tanto. Também é importante ter em linha de conta, que a quantidade que se fazem sentir, devia alertar os responsáveis do futebol nacional e da arbitragem em particular, a proceder a um inquérito para o apuramento da veracidade das acusações. Depois de alguns dirigentes o terem feito, em épocas passadas, como por exemplo, os presidentes do Recreativo da Caála e do Progresso do Sambizanga, que afirmaram publicamente que existe corrupção na arbitragem, as declarações do porta-voz para o futebol do 1º de Agosto, na semana passada, a este diário, a solicitar uma investigação por quem de direito.

Uma investigação a “casos” ligados à possível corrupção na arbitragem, não devem passar despercebida aos responsáveis do futebol nacional. Devido a gravidade das acusações, é necessário que os membros da direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), para se acabar com este tipo de insinuações, accionem os órgãos da Investigação Criminal da Polícia Nacional e do Ministério Público. Já é tempo de acabar com esse tipo de rumores, que directa ou indirectamente, lesam o desenvolvimento do futebol nacional.
Pela quantidade de falhas que neste início de Campeonato têm sido cometidas por algumas equipas de arbitragem, aliadas ao número cada vez maior de reclamações de dirigentes, técnicos, responsáveis e outros elmentos ligados à modalidade, indicia que algo de anormal está a acontecer no seio do futebol. O que não deve ser descurado, é o facto de algumas dessas falhas, serem cometidas por alguns dos melhores árbitros que actuam no futebol nacional, que quando indicados pela Confederação Africana de Futebol (CAF), para ajuizarem jogos fora de Angola, exercerem o seu trabalho com o melhor profissionalismo, que leva muitas vezes a receberem rasgados elogios do órgão que coordena e rege o futebol continental.

Certo é que a maioria das reclamações que se fizeram ouvir no presente Girabola, não se distanciam muito das que se ouviram nos campeonato passados. Grandes penalidades, expulsões de jogadores e treinadores, foras-de- jogo, forjados ou não, que influenciam nos resultados dos jogos, são o tipo de reclamações que mais se fazem ouvir e que são males que provêm dos campeonatos passados. Alguns desses casos, conforme frisámos, que se arrastam de alguns campeonatos anteriores, verificam-se em embates entre as mesmas formações, com ou sem a mesma equipa de arbitragem. Por razões óbvias, era fastidioso mencionar aqui os inúmeros exemplos que existem à mão de semear.

Numa primeira fase, em que ainda não existe uma Liga de Clubes, em Angola, em que com a criação da mesma, a arbitragem deve ser assumida pelos clubes, que devem ser os responsáveis pela organização de todas as competições, continuamos a partilhar a ideia das pessoas, segundo a qual, o problema da arbitragem, não deve ser tratado fora dos meandros do futebol nacional. Com a criação da Liga de Clubes, à Federação angolana da modalidade, fica acometida, entre outras, as tarefas concernentes as selecções nacionais e a organização da Taça de Angola.
Leonel Libório

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