Jornal dos Desportos

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Opinio

Craques que buscam afirmao alm-fronteiras

21 de Setembro, 2019
É por demais sabido, que a história do futebol angolano regista o nome de ex-jogadores, que ajudaram a elevar o nome do país além-fronteiras. Muitos desses, além de brilhar por diferentes latitudes e marcarem uma época, influenciaram as gerações seguintes. Joaquim Dinis “Brinca n’Areia”, Eduardo Laurindo, Domingos Inguila e Arlindo Leitão, foram alguns dos que deram cartas a nível do futebol europeu e da metrópole portuguesa, a título particular.Mesmo não sendo hoje um “paraíso” para muitos jogadores angolanos, que buscam a sua afirmação como futebolistas além-fronteiras, Portugal vai sendo, ainda assim, uma porta de entrada para alguns talentos oriundos do país.
Num passado não muito distante, vimos jogadores como Jesus, Mendinho, Abel Campos e outros, a darem continuidade a esta empreitada de futebolistas angolanos, que tentaram na Tuga a oportunidade para reafirmação do seu talento e qualidade.Quer Jesus, como Mendinho, que saídos do Petro de Luanda e do Interclube, respectivamente, jogaram em Portugal pelo Varzim e Alverca, mostraram a sua raça no futebol luso, apesar de rumarem para pátria de Luís de Camões já na casa dos 30 anos.
Abel Campos, por seu turno, teve a oportunidade de ir mais cedo para Portugal, e também não deixou os seus créditos por mãos alheias. Tendo se destacado ainda com a camisola do Petro de Luanda, onde actuou entre 1982 e 1988, altura em que despertou o interesse do Sport Lisboa e Benfica. Na equipa da Luz ficou entre 1988 e 1990, quando rumou para o Estrela da Amadora e depois para o Braga, Benfica CB, Gelora Dewata e Alverca, até terminar a carreira em 1998, pelo PSIS Semarang da Indonésia.
Fazendo ainda mossa ao facto de a Tuga constituir uma porta de oportunidade, para muitos jogadores angolanos se afirmarem a nível do desporto-rei, pode-se ir buscar também o exemplo de Akwá, o “goleador-mor” dos Palancas Negras. Como muitos outros talentos de futebol, o então “menino bonito” de Benguela deu os primeiros toques na bola nas ruas, onde o campo imaginário era delimitado com pedras e em que todos os mini craques ansiavam por uma oportunidade nas escolas dos grandes clubes da província, como o Nacional, Sporting, Gaiatos ou o 1º de Maio.

Porém, fruto de uma parceria que existia entre o Nacional de Benguela e a Empresa de Construções Militares (Ecomil II), foi aberto o caminho para ida de Akwá para a escola dessa equipa, onde evoluiu até rumar para o Sport Lisboa e Benfica em 1994. Fruto da chegada ao clube da Luz, o ex-capitão da Selecção Nacional teve oportunidade de actuar, por empréstimo, em outros emblemas lusos como o Alverca e Académica de Coimbra.Fabrice Alcebiades Maieco, de seu nome oficial, Akwá, representou ainda o Al Shabab de Riyadh da Arábia Saudita, Al Wakrah do Qatar, Al Etehad, Al Qatar Sport Clube e o Al Wakrah SC, até terminar a carreira em 2008, ao serviço do Petro de Luanda.
Mantorras é outro dos jogadores que passou pelo futebol luso e pelo Benfica. Iniciado no Progresso do Sambizanga, o mesmo clube que lançou para a ribalta o outro ex-internacional angolano Vata (que é recordado por, ao serviço deste, na meia-final da Taça dos Campeões Europeus a 18 de Abril de 1990, frente ao Olympique de Marselha, ter ditado o afastamento da equipa francesa, com golo marcado com a mão), o menino do Sambila despertou a cobiça de alguns clubes, indo inclusive estagiar no Barcelona.Mantorras teve ainda curta experiência, em 1999, na Académica de Coimbra, então na segunda liga lusa, até abraçar a oportunidade de integrar o Alverca (I Liga), naquela que foi a oportunidade da sua vida e aproveitada “ao máximo”, como ele mesmo dizia.
Antes de seguir para Luz, Mantorras foi sondado” pelo AC Milan de Itália, um dos seus sonhos, quando tinha apenas 19 anos. O Alverca, então equipa satélite do Benfica, serviu de trampolim de Mantorras para a Luz em 2001, após brilhar contra o Sporting, com uma exibição selada com um “hat-trick”, numa deslumbrante goleada por 4-1.Assim consumou-se a ida de Mantorras para o Benfica, que anos depois viu-se acossado com uma arreliadora lesão no joelho direito, que o afastou em definitivo dos relvados.
Hoje, felizmente, o futebol nacional continua a contar com a disponibilidade no estrangeiro de angolanos, como Eduardo Camavinga (Rennes de França) e Wilton Amoroso Domingos, que actua desde a época 2017/2018 nos ingleses de Heybrige Swifts FC, equipa satélite do Crystal Palace da Inglaterra. Ambos possuem 17 anos.
O primeiro, nascido em Miconje, na província de Cabinda, é um dos jogadores cadastrados pela Federação Angolana de Futebol (FAF), que pode jogar em Outubro próximo no Mundial de Sub-17 pela Selecção Nacional da categoria, ao passo que o segundo, natural da pátria de Sua Majestade Rainha Isabel II, é filho de pais angolanos.
Qualquer um desses jogadores angolanos que evolui na diáspora, a par do avançado Gelson Dala, do Antalyasport da Turquia, equipa onde também evolui o internacional angolano Alfredo Ribeiro “Fredy”, do lateral-esquerdo Núrio Fortuna (RSC Chraleroi da I Divisão belga), Manuel Cafumama “Show” (Lille de França), Vladimir Etson António Félix “Vá” (Pafos FC Chipre) e outros tantos talentos com menos de 24 anos, podem, num futuro não muito distante, revelarem-se como mais-valias para o futebol nacional.
É só uma questão de se lhes abrir uma oportunidade para tal, como se fez muito recentemente com Fábio Abreu, avançado do Moreirense FC da I Liga Portuguesa, a par de Bartolomeu Jacinto Quissanga “Bastos”, da Lázio da Itália, dois jogadores que apesar de estar acima dos 24 anos, têm boa margem de progressão. Sérgio V. Dias


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