Jornal dos Desportos

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Opinio

Crucificar porqu o treinador dos Palancas?

28 de Novembro, 2015
Após o afastamento dos Palancas Negras, pelos Bafana Bafana, das eliminatórias africanas de acesso à fase final do Campeonato do Mundo-2018, na Rússia, vários são os comentários de pessoas ligadas à modalidade e não só, que contestam a continuidade do seleccionador nacional, Romeu Filemon, à frente do comando técnico da Selecção Nacional principal de futebol de Angola.

É natural que as pessoas tenham o direito de concordar ou não com a continuidade de Romeu Filemon, como seleccionador nacional “A”, mas longe da intenção de defender quem quer que seja, somos de opinião de que nesta etapa em que se começa a projectar a participação da Selecção Nacional “doméstica”, na fase final do CHAN que em Fevereiro e Março do próximo ano vai ocorrer no Rwanda, “crucificar” o seleccionador nacional, algumas vezes de forma ridícula, constitui um exercício extemporâneo e fora do contexto.

Em tudo quanto é canto, onde se incluem alguns órgãos de comunicação social, emitem-se comentários cujos autores chegam ao ponto de solicitar a substituição de Romeu Filemon, numa altura em que se aproxima a realização da competição no Rwanda, onde a selecção angolana, depois do segundo lugar alcançado em 2011, no Sudão, tem uma palavra a dizer.

Ao pedir-se a “cabeça” do seleccionador nacional, considerado como um dos treinadores nacionais mais estudiosos e o “ mestre da táctica”, não é um bom presságio para a estabilidade organizativa, emocional e competitiva que se pretende.

Independentemente do facto de Angola estar arredada de participar na fase final do Mundial-2018, na Rússia, que a acontecer era a segunda vez que os Palancas Negras estariam na maior montra do futebol mundial, não constitui matéria suficiente para “crucificar” o seleccionador nacional. Está a ser “condenado” de forma precipitada, o que demonstra um certo grau de imaturidade que ainda reina junto de algumas franjas dos fazedores directos ou indirectos do futebol angolano.

Não nos assumimos como defensores de Romeu Filemon, mentor de algumas opções com as quais não concordamos. Como ser humano, também deve ter falhado e a ele pode ter faltado tacto para lidar com algumas situações com algum grau de complicação, que acontece em qualquer selecção nacional.

A questão relacionada com a não convocatória de Danny Massunguna (1º de Agosto) não obstante reconhecermos a autoridade e competência ao seleccionador nacional para convocar quem achar conveniente, é uma delas.

Os problemas vêm de longe, com a qualidade abaixo da média de alguns atletas que são chamados, sobretudo vários que actuam na diáspora; outros relacionados com a organização administrativa não só da área das selecções nacionais, como do próprio sector administrativo do órgão reitor do futebol nacional, entre outros.

A continuação de Romeu Filemon, que implicação pode ter para o futebol nacional? Há ambiente salutar para prosseguir com o projecto? Que identidade ou estilo de futebol Angola vai apresentar no CHAN? Que jogadores vão ser chamados? O que a FAF lhe pediu ou vai pedir? Quais as condições de trabalho que vai dispor (estágios e jogos de preparação)? Quais os objectivos a serem atingidos no CHAN?

Estas são, entre muitas, algumas questões que devem ser respondidas por quem de direito e quanto antes, para se evitar que algumas pessoas comecem a emitir juízos de valor de forma precipitada e desajustada da realidade dos Palancas Negras.

Os problemas que afectam a selecção nacional não devem ser tratados de ânimo leve. De convir que depois dos problemas que afectam os Palancas Negras, aliás já faz tempo, e por diversas vezes mencionados publicamente, como salários em atraso que os membros da equipa técnica têm por receber e alguns prémios de jogos que a FAF deve aos atletas, são empecilhos que devem ser contornados com a maior brevidade possível. É assim que em vez de atacar a pessoa do seleccionador nacional, o mais racional é centralizar as atenções onde radicam os problemas e arranjar formas para os solucionar de forma correcta e séria. Indagado sobre como os jogadores e a população do Moxico estão a reagir à provável extinção do clube Maquisard, Nando disse que “ a situação é realmente triste, pois muitos jovens vão para o desemprego.

A população está paralisada com esta possibilidade. Muitos até acham que em função da importância histórica do Moxico para a Paz em Angola, o Governo central devia ajudar para que a extinção do clube não se efective.Entretanto, o filho do antigo capitão do 1º de Agosto, Lourenço Caquinta Chilombo, acredita que o governo central ainda pode fazer alguma coisa.

“ Vamos esperar e ver o que vai realmente acontecer. Estamos a viver um momento de dificuldades financeiras, é verdade, mas a situação do nosso clube pode ser incluído dentro das prioridades do Estado.”

Referindo-se ao ultimo Girabola, Nando afirmou que “ a cada ano que passa o nível do nosso campeonato esta a subir satisfatoriamente. Este ano o campeão só foi encontrado na última jornada, os últimos a serem relegados à segunda divisão idem".
LEONEL LIBÓRIO

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