Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Custa pouco subir ao Girabola

22 de Setembro, 2018
Muito se tem falado do nosso Girabola, a alegria do povo pela sua competitividade, pelo factor de inclusão social que proporciona e, sobretudo, pela tamanha emotividade que transmite a cada jogo e, também, pelos muitos “problemas” que, por vezes, proporciona aos seus concorrentes, principalmente quando o assunto é arranjar meios para sustentar uma prova como esta.
Muitos dos clubes militantes na competição, se vêem à nora para sustentar o período de competição, quer na liquidação das despesas inerentes à competição, como fundamentalmente na manutenção dos respectivos planteis com pagamento de salários, prémios de jogos e afins.
Em virtude de a situação económica do País não ser das melhores e, igualmente, em consequência disso, as equipas com pouco poder financeiro e despidas de patrocinadores potenciais, se verem a contas para saldar as suas respectivas contas, se torna difícil perspectivar o próximo Girabola como sendo saudável, se, porventura, continuar nos mesmos moldes de disputa.
É que, se tornou meramente insustentável os moldes actuais, se tivermos em conta os níveis de despesa dos concorrentes. Manutenção dos planteis, contratações, material e equipamento desportivo, estágios, viagens, jogos, enfim toda uma gama de itens logísticos, que tornam exorbitantes a estrutura de custos da prova.
Mas ainda assim, muitos são os que enveredam numa luta renhida, para entrarem neste “imbróglio”. Falo dos clubes que agora ascenderam à divisão maior. Não gostaria de referir aqui os métodos como o conseguiram.
Ou seja, com apenas dois e três jogos, em séries pouco competitivas, adquirem logo o passe para o escalão superior, sem a estaleca competitiva requerente. Isso provoca que depois, para além de outras nuances, claudiquem numa prova de 30 jogos, que requer uma gestão apertada.
Por isso, Atlético Sport Aviação (ASA), Santa Rita de Cássia do Uíge e Bikuku Futebol Clube da Lunda Sul, me parecem avisadas pelas intempéries que irão encontrar na competição. Aliás, praticamente as três equipas regressam ao convívio dos grandes. O clube do aeroporto, como se sabe, é um tradicional “inquilino”, que acabou despromovido em 2017 e que agora regressa, mas ainda assim com os mesmos problemas de sempre. Os “católicos” do Uíge também são “regressados”. Voltam à fina-flor do futebol nacional, depois de caírem para a Segundona em 2015.
Do mesmo modo, atrevo-me a dizer que o “refundado” Progresso da Lunda-Sul, agora com a designação de Bikuku Futebol Clube, apura-se, num confronto com o Ferroviário do Huambo, em que não conseguiu ganhar a aposta.
Por aquilo que nos temos apercebido, ao se manterem os mesmos moldes de disputa do Girabola, será muito difícil essas equipas acompanharem a passada, com particular excepção à equipa da Lunda-Sul, cujo patrono já veio à terreiro “gabar-se” que tem dinheiro, até para “oferecer” e, por via disso, não terá dificuldades desta índole, durante o desenrolar da prova que, pelo que sabemos, será disputado igualmente a cinco velocidades. Em relação ao ASA e ao Santa Rita de Cássia, corre-se o risco de vermos repetir a história do “elevador”, senão mesmo desistência ao longo da caminhada, por manifesta falta de capacidade financeira, para suportar os encargos da prova.
Quem ousa assumir a sua presença na prova, deverá medir “as consequências” do acto e ter plena consciência de que em nada valerá “chorar” no ombro do governador provincial, para agilizar verbas para sustentabilidade.
Necessário se torna arranjarem e arregimentarem fontes credíveis de financiamento e rendimento, para que possam aguentar a empreitada. Não adiantará muito, se essa fonte for (…) vender fuba. Tenho dito! Morais Canãmua

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