Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Da causa ao efeito deve haver castigo

14 de Fevereiro, 2017
Dos nossos Estádios, nos últimos anos, acontecem tragédias que me têm assustado. Já morreu um adepto do Petro de Luanda, por acção da claque do 1º de Agosto. Os treinadores Djalma Cavalcante e Viktor Bondarenko já quase foram linchados pelas claques certa vez. Dos árbitros então já não digo, e...agora, - vejam isto, caros leitores - surge esta inopinada no Estádio 4 de Janeiro, no Uige. É grande a dor e luto. O país está condoído, está consternado!

Mas ainda bem que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, instruiu o Governo da província do Uige no sentido das autoridades competentes procederem à abertura de um inquérito, para se apurar as causas da tragédia no Estádio 4 de Janeiro.

E por esta razão, ainda bem também que o Ministério da Juventude e Desportos solicitou à Federação Angolana de Futebol, e esta por sua vez à Associação, no sentido de dar explicações convincente sobre o que levou à morte de 17 adeptos que ontem foram a enterrar, e o elevado número de feridos que podem viver a vida inteira com marcas e traumas do sucedido.

A Federação Angolana de Futebol, por exemplo, uns dias antes da tragédia enviou alguns inspectores ao Uige, com o fito de avaliar se o Estádio 4 de Janeiro tinha condições, particularmente as de acesso facilitado e de segurança, para acolher os jogos em que o Santa Rita ia defrontar os seus visitantes.

Os oficias regressaram a Luanda com um relatório a dizer da conformidade. Mas como conforme ?
Agora, o presidente da Associação Provincial do Uige, Agostinho Neves António, tratou de sublinhar que "o momento que vivemos não é para acusações, mas de reflexão sobre o sucedido". Como reflectir, apenas!
Se toda a causa tem um efeito, então, as mortes e ferimentos tiveram uma causa, e esta tem de ter culpados. A culpa, essa, não pode morrer, não senhor... solteira.

A dor e luto resultantes da tragédia não está só entre nós, ou particularmente, sobre as famílias enlutadas. O triste acontecimento correu mundo. Chegaram notas de condolências e de consternação, vindas dos quatros cantos do mundo; do presidente de Portugal, dos reis de Espanha, do presidente da China; de jogadores de renome, como Sérgio Ramos, do Real Madrid. Houve minutos de silêncio em muitos campeonatos.
A própria Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), certamente espera que as autoridades desportivas, sobretudo a sua filial, - Federação Angolana de Futebol - e políticas também, recebam o resultado do inquérito, da sindicância, com dados suficientes para se saber onde esteve a falha, e para evitar tragédias do género, futuramente...

Há um adepto sobrevivente - Sebastião Vuvu - que por A mais B contou como dramaticamente aconteceu a tragédia:" Quando os agentes da polícia decidiram abrir o portão, a população desatou em correria e que diante da algazarra, os agentes da Polícia Nacional tentaram travar os elementos da frente e os que então estavam atrás fizeram pressão" , revelou.

Depois, o director do Hospital Geral do Uíge, Miji Ernestro, tratou de também explicar. “Os mortos confirmados chegaram ao hospital já sem sinais vitais, cujo diagnóstico sobre a causa da morte foi a asfixia. Os cinco feridos grave estão sob vigilância médica permanente, e a direcção do hospital e a equipa médica estão a fazer tudo para salvar-lhes as vidas”, disse o mesmo aos jornalistas.

Devido a estas explicações, aparentemente, aponta-se o dedo à Polícia. Desejo da minha parte, neste espaço, se assim for, que a nossa Polícia, no porvir , com a Federação, com as Associações devem fazer um patrulhamento intensivo em todos os acessos ao Estádio. O trabalho dos efectivos deve começar nos lugares marcados para concentração dos adeptos, até à chegada ao Estádio e com entrada ordeira.

De resto não se compreende como é que, mesmo depois desta má notícia já estara a correr o mundo, por que razão a Federação Angolana de Futebol não impediu que houvesse jogo no sábado e domingo.

Se as mortes e o luto iniciaram na sexta-feira, fazia sentido, jogar sábado e domingo? Não requeria adiamento?
Oxalá, repito, a culpa não morra solteira.
António Félix

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