Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

DAgosto a caminho do tri

23 de Agosto, 2018
O clube central das Forças Armadas Angolanas, 1º de Agosto, está muito próximo de voltar a fazer história no campeonato nacional de futebol, vulgo Girabola, conquistando por três vezes consecutivas o campeonato.
Dos 11 títulos que ostentam, os militares venceram os três primeiros campeonatos depois da independência, entre os anos de 1979 a 1981, na época com jogadores como Ângelo Silva, Napoleão Brandão, Lourenço, Pedro Garcia, Sabino, Luvambo, Sansão, Chimalanga, Mateus César, Amândio, Zeca, Alves, Ndunguidi, Ndongala, Tandu, Nsuka e outros.
Depois disso, passou por um dos períodos mais negros da sua história, ficando em jejum de títulos até 1991, por culpa do Petro de Luanda, que “colonizou” o futebol nacional de 1984 a 1990.
Assim, o grande 1º de Agosto, o clube com mais adeptos no país, ganhou os campeonatos de 1992, 1996, 1998, 1999, 2006, 2016 e 2017. Portanto, vemos que conheceu outro período mau, entre 2006 a 2016. Dez anos sem ganhar um campeonato.
Graças a uma grande reorganização interna, muito bem iniciada por Raúl Hendrik e muito bem seguida por Carlos Hendrik, o 1º de Agosto fez um grande investimento, há cerca de dez anos atrás, cujos frutos estão a colher agora.
Portanto, foram necessários, cerca de dez anos, para se colher o que foi plantado. Isto pode servir de lição, para os dirigentes da Federação Angolana de Futebol e outros, que, normalmente, preferem apostar no imediatismo. A faltarem duas jornadas para o fim do Girtabola Zap 2018, os militares estão a apenas três pontos da conquista do campeonato, pela terceira vez consecutiva e o décimo segundo do seu historial.
Caso a vitoria se consuma, o que é muito provável, a geração dos jogadores como Tony Cabaça, Neblú, Dani Massunguna, Bobó, Paizo, Isaque, Ibukun, Bwá, Mingo Bilie, Geraldo, e outros, que contaram com a ajuda de Gelson Dala e Ary Papel, farão história e será uma grande homenagem a nomes como o de Sansão, Ângelo, Tandú, Comandante Orlogue, Mesquita, Dongala, Ambrósio Narciso, Comandante Iko Carreira e muitos outros, que já não fazem parte do mundo dos vivos e os daquela geração, que ainda estão em vida.
A conquista do tri-campeonato, 37 anos depois, é praticamente um facto relevante, porque mesmo que os militares percam na Lunda Norte, diante dos diamantíferos, o 1º de Agosto recebe o Cuando Cubango, no 11 de Novembro, na última jornada e aí, a menos que “Deus” jogue pelo Cuando Cubango, a vitória é um facto e termina o campeonato em igualdade pontual com o Petro de Luanda, caso este vença os últimos dois jogos, mas em desvantagem com relação aos militares, no confronto directo.
É interessante destacar aqui, a forma como a direcção do 1º de Agosto está a gerir o clube desde 2011. Sem desprimor para os anteriores presidentes, Carlos Hendrick tem estado a gerir o clube de uma forma pouco comum na nossa sociedade, onde normalmente a ideia de quem tem a “faca e o queijo nas mãos”, por assim dizer, é primeiro a saciar-se e ...depois que venha o resto. Com Carlos Hendrick no comando, o progresso do clube está à vista de todos.
Tanto a nível de construção de infra-estruturas. O campo de futebol para cerca de 30 mil lugares; o pavilhão desportivo Paulo Bunze; os dois campos de treino para as camadas jovens; o centro de internamento para jogadores de futebol, andebol e não só.
Em termos de jogadores, futebolisticamente falando, das mãos de Carlos Hendrick, o 1º de Agosto já colheu jogadores como Ary Papel, Gelson Dala, Nelson da Luz, Gogoró , Mário e outros, cujo nomes não me vêm a mente, neste momento
Além disso, com a actual direcção, economicamente o 1º de Agosto ganhou muita estabilidade, graças a grande campanha de mobilização de sócios activos (entenda-se os que pagam regularmente as suas contas, sem compulsão), que aumentou significativamente, chegando mais de cem mil.
Sim, com este nível de trabalho exemplar, por parte da direcção do Clube Central das Forças Armadas, o resultado só pode ser um: Vitórias atrás de vitórias. Agora que venha o tri-campeonato, porque os demais continuarão na alça de mira.
Augusto Fernandes


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