Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

DAgosto a noventa minutos do feito indito

04 de Outubro, 2018
O 1º de Agosto, deu um passo importante para se fazer presente, pela primeira vez, na final da Liga dos Campeões da CAF, ao vencer o Esperance de Tunis, por uma bola a zero, no Estádio 11 de Novembro, em jogo da primeira mão com golo de Buá, que saltou do banco para substituir Mongo.
Em função do que vi do Esperasse de Túnis, posso concluir que o tri-campeão angolano só depende de si mesmo para chegar à inédita final , porque os tunisinos estão ao alcance da nossa equipa, apesar da diferença entre ambos, em termos de ranking e o segundo jogo disputar-se em casa do adversário.
Para o efeito, o D’Agosto, terá de, primeiro, precaver-se contra o jogo de bastidores que, normalmente, as equipas do norte de África, fazem para conseguir resolver o seu problema. Aliás, em pleno Estádio 11 de Novembro com cerca de 40 mil espectadores, o arbitro senegalês, teve a coragem de mostrar claramente que estava do lado do Esperance.
Normalmente, estas equipas, em sua casa, recorrem ao anti-jogo, suborno à arbitragem e, se possível, até pessoas influentes da CAF, especialmente no tempo de Issa Hayatou. Hoje os tempos são outros, a CAF é liderada por outras pessoas e com nova mentalidade.
Mesmo assim, todo o cuidado é pouco. O nosso campeão deve partir paraTúnis, com o espirito militar e com o arsenal bem preparado para todas as adversidades que, de certeza, encontrarão.
Voltando a nossa atenção para o desafio em si, a melhor forma que os militares do \"rio seco\" têm para parar o adversário, será jogar por cima deles. Isto é, não deixá-los jogar. A titulo de exemplo, podemos buscar aquele período de ouro, que o Barcelona atravessou entre 2007 á 2011 onde conseguiu, inclusive, bater o Real Madrid, por cinco bolas a zero.
A única forma que o Real Madrid, e outras equipas tinham para ganhar ao Barcelona, era por não permitir que o \"tic-tac\" funcionasse. Uma equipa que está habituada a ter a posse de bola, quando se vê impedida de o fazer, durante uma boa parte do tempo, enerva-se e praticamente sente-se perdida em campo.
O 1º de Agosto tem de preparar-se para jogar assim. Isto pode implicar iniciar o jogo com Tony Cabaça, Isaque, Massunguna, Bobo, Paizo, Issa (ou Guelor ), Show ( ou Macaia), Bwá, Mongo, Geraldo e Jacques.
A missão principal de todos os jogadores em campo, é não deixar o adversário ter a bola nos pés por muito tempo, nem ter tempo de pensar. Todas as jogadas perigosas devem ser interrompidas, se possível com faltas cirúrgicas, logo depois do meio campo.
Naturalmente, à medida que o tempo for passando e o golo do empate não surgir, os nervos tomarão conta do adversário e aí as coisas começam a ficar mais facilitadas, para o nosso campeão.
Mas tudo isto só será possível se, mais uma vez, o técnico militar continuar a bater no sitio principal: na mente dos jogadores. Eu tenho estado a dizer, que a principal arma de combate ou do sucesso do 1º de Agosto, nesta campanha, tem sido o elevado nível moral, que a equipa vai atingindo de jogo para jogo.
Não sei quais foram os prémios de jogos, que os rapazes já receberam por parte da direcção do clube, mas a forma como os jogadores do 1º de Agosto, se têm comportado indica que, psicologicamente, está a fazer-se um grande trabalho no “laboratório” do Estádio França Ndalu.
Depois do jogo do dia 2, ficou mais do que evidente que o Esperance, não é tão forte assim como se esperava. Aliás, ao eliminar o TP Mazembe, em plena cidade de Lubumbashi, o campeão angolano, tornou-se num colosso de África, pois quem destrona o gigante, passa ocupar a sua posição, por mais franzino que este seja.
Assim, o Esperance de Tunis e o próprio Al- Ahly, que bateu o Setif da Argélia por duas bolas a zero e está mais próximo da final, já veem o 1º de Agosto, com outros olhos e com muito respeito. Este D’Agosto, é totalmente diferente daquele, que só jogava para participar. Agora, é participar para vencer o torneio.
Portanto, está tudo em aberto. Mesmo que o nosso campeão seja eliminado, podemos alegrar-nos de, pela primeira vez no historial do nosso futebol em termos de clubes, termos sido bem representados, sem desprimor para o feito do Petro de Luanda, em 2001, quando também chegou as meias finais.
Mas, não queremos pensar em derrota. Queremos acreditar e porque até a nossa equipa já nos deu motivos para isso, que vamos chegar a final. Podemos até considerar, que esta batalha poderá ser mais fácil de vencer do que as demais.
Neste momento, a pressão está do lado dos tunisinos. Eles é quem são considerados mais fortes que o 1º de Agosto. Jogam em sua casa e diante de seu público. Mas estes activos podem ser fatais, para quem joga em casa.
É por isso que eu considero, que esta batalha pode muito bem ser vencida pelo nosso representante. Sim temos tudo, inclusive a pr410+essão que uma equipa sente por jogar em sua própria casa, quando o resultado lhe é desfavorável, para eliminar também o Esperance.
Agora, que venha o jogo da segunda mão no dia 23 de Outubro. Quanto ao nosso campeão, podemos ter a certeza de que lutará até a exaustão, para dignificar o nosso futebol, apurando-se para a final da Liga dos Campeões da CAF. Estamos juntos. Força D’Agosto!
Augusto Fernandes

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