Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Policarpo da Rosa

DAgosto dignifica futebol nacional

22 de Março, 2018
O 1º de Agosto, depois de 21 anos, vai disputar a fase de grupos da Liga dos Campeões. A última vez foi em 1997, quando integrou o Grupo B da referida competição, juntamente com as equipas do Raja de Casablanca, USMA da Argélia e Orlando Pirates da África do Sul.
O espírito de sobrevivência, de entre-ajuda, de união entre os jogadores, equipa técnica e direcção, guiou os militares a este feito, depois da vitória caseira por 1-0 e uma derrota igualmente por uma bola sem resposta, superiorizou -se ao adversário na marcação de grandes penalidades, dignificou, assim, o futebol nacional. Diga-se, que o adversário, no caso o Bidvest Wits, dominou o jogo durante mais tempo, todavia, o 1º de Agosto demonstrou muita resistência e coesão durante os 180 minutos, face à diferença abismal de jogo nas pernas, para suster o período de mais assédio do campeão sul-africano.
Na marcação das grandes penalidades a equipa do Rio Seco agigantou-se e não teve medo de ser feliz, para satisfação e orgulho dos seus adeptos que de Cabinda ao Cunene festejam com muito entusiasmo.
Por mais conquistas que um clube tenha, há sempre um número restrito de momentos que definem a sua história, que marcam gerações. O 1º de Agosto tem alguns desses momentos, porém, no sábado dia 10 de Março ganhou mais um, quando os seus jogadores vestiram a pele de heróis e escreveram a dourado mais uma bela página da história do clube.
O Bidvest Wits, face à derrota tangencial nos primeiros 90 minutos no reduto do adversário, entrou para a derradeira fase da eliminatória com favoritismo e nos dez minutos iniciais parecia confirmar. O 1º de Agosto logo equilibrou as contas e começou a mostrar que também era equipa a ter em conta.
Quem presenciou, pela primeira vez, os jogos do 1º de Agosto (no caso os adeptos da equipa sul-africana), rendeu-se às qualidades do colectivo militar, pela sua intensa garra e dedicação ao jogo dos seus jogadores. Factores que no entanto, não foram suficientes para impedir que o Bidvest Wits se adiantasse no marcador e empatasse a eliminatória.
O 1º de Agosto acabou por “acalmar” o jogo e chegou a um dos mais importantes feitos da sua história, na marcação de grandes penalidades. Tony Cabaça rendeu de forma propositada o seu colega Neblú, transportou para a baliza militar o querer e a força de vontade, defendeu duas grandes penalidades que colocou um estádio, embora com número reduzido de angolanos, e um País a festejar.
Se virmos bem, o 1º de Agosto teve a grande oportunidade para corrigir a imagem distorcida, que ficou nos olhos de quem viu a sua prestação na época passada, em que foi eliminado na fase preliminar da competição. Este ano, a integração na fase de grupos da Liga dos Campeões, recupera parte do prestígio internacional, hipotecado na altura. Pode não ser muito, contudo, o prestígio e a forma como defendem, é que separa os grandes clubes de outros.
Este texto foi escrito na terça feira, por isso, desconhecia os adversários saídos do sorteio de ontem realizado no Egipto, em que a equipa angolana esteve representada pelo seu vice-presidente, Paulo Maqueijo, e pelo técnico-adjunto, Filipe Nzanza.
Ao manter-se nas competições continentais, o 1º de Agosto fica engajado em duas frentes: Girabola e Liga dos Campeões. Os militares não podem adormecer. Quem está à chuva é para se molhar, por isso, tem de entrar para cada jogo como se fosse o último, como se estivesse na decisão. Nada está ganho, e nada está perdido. Cada jogo tem de ser uma final. Na competição com as características da Liga dos Campeões, vencer todos os jogos em casa e ir buscar um ou outro ponto fora de casa, é a alternativa que dá resultados positivos. Se o 1º de Agosto conseguir isso, pode ter meio caminho andado para atingir os objectivos que definiu: atingir as meias-finais.
Mais vale tarde que nunca. Um provérbio que assenta perfeitamente no termo deste meu texto. Uma palavra de simpatia à Selecção de futsal de Sub-18, que alcançou a derradeira eliminatória de acesso aos Jogos Olímpicos da Juventude, ao afastar a de Marrocos. Deu um claro sinal de evolução, de maturidade e de certeza, que a presença na última eliminatória não foi obra do acaso. O próximo e último obstáculo chama-se Egipto.
A primeira mão disputa-se em Luanda, no dia 14 de Abril. Espero que os problemas vividos antes do jogo com o Marrocos não se repitam. Espero, que tenham um futuro de glória!

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