Jornal dos Desportos

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Opinio

DAgosto inicia odisseia africana

05 de Maio, 2018
Precisamente hoje, sábado, dia 5 de Maio, o nosso 1º de Agosto inicia mais uma odisseia na liga dos campeões africanos onde pensa, tal como tem sido apregoado nas suas hostes, “chegar o mais longe possível”.
No historial do clube central das Forças Armadas Angolanas constam várias participações nesta competição de cariz continental em que, em pelo menos duas ocasiões poderia ter arrebatado o ceptro, não fosse a chamada “unha negra” do azar que se interpôs no seu caminho. Mas, voltemos a odisseia que arranca hoje, em que, os pupilos de Zoran Maki têm mais uma vez em mãos, a oportunidade de elevar o futebol angolano à patamares que podem, muito bem, devolver alguma dignidade desta modalidade rainha que move paixões mil entre nós e não só.
O nosso D’Agosto inicia a sua campanha hoje, dia 5 de Maio, diante do Etoile Sportive Du Sahel, da Tunísia. Um jogo de enorme significância, se quisermos apontá-lo como o possível marco que virará a história do nosso futebol neste tipo de competições. A equipa militar angolana, campeã nacional em título, tem em mãos a soberba oportunidade de fazer jus às nossas apetências e enfrentar, olhos nos olhos e com bastante competência, as equipas do seu grupo, o “D”, nos jogos subsequentes, nomeadamente, o Zesco United F. C. da Zâmbia e o Mbambane Swallows da Swazilândia.
O segredo que se pode apontar para esta empreitada será sem dúvidas, fazer dos jogos em casa a garantia da totalidade de pontos e, nos jogos extramuros ir com plena intenção de, no mínimo, pontuar ou não perder. Ou seja, o nosso único sobrevivente angolano nas Afrotaças, terá que jogar de calculadora na mão e fazer contas sucessivas. Antevendo que todos os adversários da série são fortes, deve perceber igualmente que as restantes formações do grupo, também o encaram desta forma. Portanto, todos estão ao mesmo nível e as possibilidades de cada um se qualificar para as fases avançadas, estão repartidas de forma equitativa.
Com base nisso, no jogo de mais logo diante dos tunisinos, o 1º de Agosto deve entrar de rompante no sentido de arrecadar, cá em casa, os primeiros três pontos para conferir força anímica, moral e confiança na busca e concretização dos seus objectivos que, no fundo, identificam-se com os do futebol nacional. Sabe-se que o Etoile du Sahel, à semelhança dos outros componentes do grupo, tem igualmente pretensões de vir buscar aqui pontos para, no lavar dos cestos, puder conferir a sua safra. Mas, o nosso D’Agosto tem força suficiente para evitar que o seu adversário neste primeiro jogo, venha aqui “garimpar”, sob risco de começar a comprometer os seus anseios.
É preciso que sejamos leões dentro e fora das nossas fronteiras. Em nada vale ser “todo-poderoso” no Girabola, feito Rei da Selva e, nas Afrotaças, onde se deve confirmar essa “petulância, se tornar um “mero gatinho” rafeiro que leva pancada de todos. É imperioso que sejam agora confirmadas as competências do nosso campeão nacional a nível de África, para que voltemos a ser respeitados como força futebolística regional e continental.
Quando em 2006 Angola se apurou para o Mundial de Futebol da Alemanha, acredito que ninguém imaginou que a partir daquela altura, os passos subsequentes para revitalizar e relançar o nosso futebol fossem dados à rectaguarda. Infelizmente foi isso que aconteceu. Ao invés de irmos para frente, capitalizando àquele momento alto, regredimos. Voltamos. Recuamos. Não aproveitamos as circunstâncias.
Hoje, a realidade é crua e nua, com crises financeiras e económicas à mistura e com o futebol a ser o chamado “parente pobre” sem contudo forças para se puder erguer. Quer em clubes como em selecções, Angola não consegue se afirmar por falta de políticas estruturadas e um pensamento estratégico que assente as suas bases na formação. Revitalizar a formação. Trabalhar na base e, de forma sustentada, conferir pernas aos projectos que, nesta base científica podem resultar em sucesso. Oliveira Gonçalves arriscou assim e, conseguiu “petiscar”.
Voltando ao nosso D’Agosto que inicia a sua “odisseia” hoje, 5 de Maio, é imperioso encarar esta participação na “Champions” como um desafio do futebol angolano. Não pode falhar nem fracassar. Acho que a equipa, avisada da empreitada, preparou-se convenientemente e tem estado a fazer uma devida gestão do seu plantel com vista à este desiderato. A vitória diante do Interclube na jornada passada do Girabola, deve servir de grande incentivo.
Por isso, quando mais logo entrar em campo para defrontar a formação tunisina deve pensar que carrega nos ombros os anseios de uma nação ansiosa em gritar golos a seu favor e comemorar a vitória convincente no final do desafio. O factor casa deve ser capitalizado. Deve ser “bem explorado” em todas as vertentes como o fazem todos os clubes intervenientes.
Esta deve ser a pretensão do 1º de Agosto para de uma vez por todas possa fazer ecoar bem alto, o seu nome na África do futebol…
Morais Canãmua

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