Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dcimo lugar reflecte sentido do dever cumprido

14 de Dezembro, 2019
O décimo-quinto lugar conseguido na 24ª edição do Campeonato do Mundo disputado na cidade japonesa de Kumamoto, melhorando o 19º conquistado há dois anos, na Alemanha, constitui uma safra boa.
Boa por vários factores. Por termos tido um desempenho bom, no cômputo geral e porque soubemos interpretar, da melhor forma, os fundamentos do jogo, essencialmente nas quatro partidas que o combinado nacional brilhantemente venceu.
Devemos reconhecer, no entanto, que a empreitada não foi fácil de toda, se tivermos em conta que, competitivamente, não houve um estágio que poderia dotar as atletas de maior capacidade e sentido de competição, bem como devido a quesitos que se ligam às finanças, a programação foi feita de tal forma, que as “Pérolas Negras” acabaram chegando em Kumamoto já em cima do dia do primeiro confronto.
Prova disso, foi a descaracterização que vimos nos primeiros dois desafios, nomeadamente diante da Sérvia, em que perdemos por 25-32; diante da Holanda, baqueamos por 28-35, vindo apenas a “acordar” no desafio frente à Noruega, em que vencemos por 30-24.
Dissemos “acordar”, porque literalmente foi isso que aconteceu nos primeiros jogos em que as nossas atletas, diante de um quadro de cerca de 8 horas de diferença, viram-se envolvidas na competição, principalmente nos dois primeiros confrontos, em períodos que estariam a dormir, se estivessem no país.
As mudanças biológicas abrupta provocaram que o organismo de cada uma das atletas se recusasse a adaptar-se ao ambiente de Kumamoto onde, no tal plano A do elenco de Pedro Godinho, o Boss da Federação Angolana da modalidade, constava chegarem cedo para efeitos de adaptação, o que não veio a acontecer por razões de desequilíbrios cambiais e disponibilidade tardia dos valores para as operações logísticas, nomeadamente compra de bilhetes de passagem, sustentabilidade e liquidação das despesas inerentes antes do período de competição, etc, etc.
Sendo assim, arrisco a qualificar a participação do combinado nacional na prova mundial de Kumamoto de positiva. A Selecção Nacional de Andebol Sénior Feminino honrou de facto o nome e a bandeira da Pátria.
A prestação das raparigas de Morten Soubak criou várias interpretações, quer quando a equipa perdia, como quando vencia. Muitos aludiam que a Selecção de Angola perdeu a sua essência de jogar em contra-ataque rápido e eficaz, como fazia bem recentemente e com outros treinadores no comando.
O certo é que as jovens em campo demonstravam estoicismo, bravura, patriotismo e sobretudo galhardia, honrando e suando a camisola com as cores da Nação.
Veja-se como se revelou a jovem Helena Paulo, uma guarda-redes de mãos cheias que se destacou, principalmente nas partidas onde Angola triunfou, nomeadamente diante da Eslovénia (33-24); Cuba (40-30) e Argentina (30-27).
Para além daquela, há igualmente o destaque das evoluções de Albertina Cassoma, duas vezes distinguida como Jogadora Mais Valiosa; de Isabel Guialo, que marcou na competição 40 golos, não esquecendo o desempenho de Azenaide Carlos e outras componentes do conjunto.
Dum modo geral, Angola saiu do Campeonato Mundial de Kumamoto com o sentimento do dever cumprido e com um largo sorriso nos lábios, igual ao que exibiram as atletas ao chegarem à Luanda e recebidas em apoteose. Muito obrigado pela vossa coragem, desempenho e patriotismo. A Pátria vos reconhece.
MORAIS CANÂMUA

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