Jornal dos Desportos

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Opinio
por ANTNIO FLIX

De Herv Renard a Srdan Vasiljevic !

28 de Maio, 2018
Também doeu-me ouvir o nosso seleccionador nacional de honras, o senhor Srdan Vasiljevic, lamentar-se sobre a colossal falta de condições materiais, e por isso mesmo, motivadoras quanto à realização do seu trabalho em prol dos Palancas Negras, sobretudo, a partir de amanhã, na Taça Cosafa.
Falando a verdade, o que o treinador disse, obrigou-me a recuar no tempo e recordar as mesmas lamentações, as mesmas reclamações do treinador francês, Hervê Renard, que quase foi \"abandalhado\" por muitos dos supostos iluminados, que hoje, vergonhosamente, vêem-no brilhar à frente de selecções de outros países africanos.
E, porque recordei Hervê Renard, deixem-me recapitular dez \"pontos\" levantados, por si na altura, e que não diferem muito das questões despoletadas há dias pelo senhor Srdan Vasiljevic
1-\" Penso, que o primeiro objectivo é a nossa qualificação para o CHAN. É uma boa competição, muito importante para os atletas jovens e pode ser muito importante para o próximo CAN\".
2- \"Angola já provou, com a ida ao Mundial de 2006 na Alemanha, que tem potencialidades e alguma coisa de bom podemos fazer. Quando alguém é treinador de uma selecção, e num país grande como é Angola que tem boas infra - estruturas, só pode pensar em ganhar \".
3 - \" Mas, ainda não focamos o objecto principal que me trouxe cá. Ou a FAF se organiza, ou vou-me embora \".
4- \"Não acredito, que da forma como estamos organizados, possamos preparar algum jogo para competir ao mais alto nível. Assumo as responsabilidades(...), os aspectos de desorganização não têm a ver com falta de dinheiro\".
5 - \"Quando assinei o meu contrato, houve esse compromisso, que pudéssemos fazer de facto uma selecção, efectivamente nacional\".
6 - \"Se não pudermos efectuar esse processo de captação de talentos, em todo o país, nunca poderemos ter uma selecção efectiva. Se nós tivermos 95 por cento dos jogadores, apenas a nível de Luanda, não teremos então a selecção nacional da forma como entendo e pretendo\".
7- \"Sempre disse ao presidente ( na altura referia-se a Justino Fernandes) que não vim para Angola atrás de dinheiro, mas para realizar o meu trabalho e que podíamos naquele momento, cortar o nosso vínculo laboral, amigavelmente, e não pediria nada pelo fim do contrato\".
8 - \"Quero continuar. Se as pessoas me quiserem manter tudo bem”.
9- \"Tentei trocar algumas coisas a nível da equipa principal, mas em função da não realização da captação de alguns talentos, que pudessem enriquecer a nossa equipa, não o fizemos e acredito que está a começar a ser tarde\".
10 - \"O primeiro aspecto que temos de corrigir, é a escassez de infra-estruturas para o treino, o principal problema é a falta de um Centro de treinos da Federação, que possa servir as selecções nacionais. Estou com receio de que a gente corra tão rápido que nem Titanic, mas depois vamos direitos à uma parede. Não pretendo confusão, mas é o que sinto\".
Portanto, depois de Hervê Renard passaram como seleccionadores muitos outros treinadores - nacionais e estrangeiros - com lamentações oportunas sendo assim, quase nada mudou em termos de condições e atitudes.
Têm razão os que aludem que o seleccionador está surpreendido, com o tratamento que se dá à principal selecção nacional, particularmente, por falta de campo. Anotemos, este lamento:
\"A Cidadela não é um dos melhores campos em Angola. Estamos a falar da selecção nacional de Angola. Esta, não é a minha selecção. Estou a trabalhar com vocês, trabalho e desejo o melhor, com grande dedicação. Estamos a trabalhar para os melhores resultados, que nos vai dar uma grande felicidade e satisfação a todos\".
Este seu desejo, está ameaçado. E, para mim, se houver fracasso, a culpa só deve ser imputada à gente do futebol, igual a que desencadeou a sabotagem naquele triste filme de...\"Hervê Renard\".
De modo - acrescento eu - daqui para a frente, temos de mudar de mentalidade, senão não vamos a lugar algum e continuamos a ter os problemas que temos hoje. Acho que há determinadas pessoas que quando não estavam na Federação, criticavam e estão lá hoje, mas não conseguem assumir-se. Antes, usavam a imprensa para dizer que a Federação é isso e aquilo, todavia, hoje não conseguem fazer melhor.

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