Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

De boas intenes o inferno (da FAF) est cheio

19 de Novembro, 2018
Entre confiar ou não confiar nas promessas que as pessoas fazem, aprendi desde a infância uma lição valiosa de vida da parte dos meus pais.
“Meu filho” diziam eles, “quando as pessoas fazem promessas temos de esperar sempre o melhor, mas também estar preparados para o pior”.
Um conselho, que cheguei a dar com os pés, quando a dado momento comecei a ter a esperança sagrada, acreditando piamente que com início da época 2018/2019, a Federação Angolana de Futebol (FAF) com a faca e o queijo na mão, iria arrumar definitivamente o bagunçado e desorientado Girabola, que de resto hoje o que sobrou mesmo é só o nome.
Prezado leitor, ”me enganei mbora eh”, aliás fomos todos enganados pela própria FAF, que acabou ela mesma por beber do remédio que havia receitado a um doente que se encontra nos cuidados intensivos em estado de coma profundo!
O que a FAF fez com o futebol nacional, foi um atestado clarividente de que o adágio popular segundo o qual, de boas intenções o inferno anda cheio, se aplica hoje da mesma forma e em todos os contextos, como na altura em que foi escrito!
Repito, “me enganei mbora eh”, porque no dia 26 de Outubro (segunda-feira) coincidentemente na semana em que teve início o presente Girabola, cheguei a afirmar neste espaço, debaixo do artigo intitulado “Desta vez qual será o truque ou o jajão?” que neste edição do Girabola, a FAF na aleluia e na graça de Deus, já não iria embarcar no hábito de fazer disparates em cima de absurdos, pois chegou a se dar conta que até agora os Girabolas giravam em sentido único, pois com o mal dos outros, alguns teimosamente ainda podiam, mandavam e queriam!
Assim como muito boa gente, eu também compreendo que o Girabola chegou a situação em que chegou (desculpem o pleonasmo) onde quase todos devem todos e ninguém paga ninguém, por causa de poderosos interesses cruzados instalados no futebol nacional.
Mas sabemos todos também que gerindo e administrando o nosso Girabola, ou melhor o Girabola da FAF nos actuais moldes, futebolisticamente nunca vamos chegar lá, nem tampouco ir muito mais longe do que sonhamos.
Com a recente medida da FAF, de empurrar o Girabola com a manta curta, rota e rasgada, o futebol nacional, o tal dito de primeira água acaba de atingir os píncaros do ridículo e da hipocrisia, sendo que é previsível que os casos mais caricatos, com destaque para a corrupção continuarão a empanturrar a já tão desgastada imagem de um campeonato que foi idealizado, para arrastar multidões e inflamar as nossas paixões.
Por isso é que não me canso de afirmar que a corrupção no futebol nacional, está tão presente como o pão nosso de cada dia.
Dito de forma telegráfica: a corrupção no futebol nacional está no nível em que nunca deveria estar, porque é TOLERADA pela FAF, é FACILITADA por todos os clubes nacionais, e é DESVALORIZADA pelo MINJUD!
É preciso que alguém faça lembrar a FAF, que mais do que encenar o papel de vítima das circunstâncias e do contexto, que a lei da vida é clara, há um limite para todo o absurdo feito em cima de disparates!
Por mais vontade que haja de se acomodar no cadeirão da FAF por mais 5 anos, não há vontade que resista os ciclos que queiram se dilatar ao ponto de corroem as bases em que se fundaram e se alicerçaram o futebol nacional, que diga-se a custo de muito suor, sofrimento e lágrimas.
Que o diga o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na maneira em que tem batido de frente contra uma tendência que se havia instalado em todos os sectores da vida corrente do país, com a aceitação e banalização de práticas que nos últimos anos não foram saudáveis tampouco recomendáveis para a gestão da vida de Angola, e que pela sua prática reiterada estavam a criar um sentimento de total impunidade.
Como chegou a afirmar o estadista norte-americano John F. Kennedy: “A mudança é a lei da vida e aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com toda a certeza perder o futuro”.
Por isso a FAF, recomenda-se: Jikulumessu e juízo, porque hoje a onda já leva também o camarão que está acordado.
*Mentor e Gestor Executivodo Fórum Marketing Desportivo
NZONGO BERNARDO DOS SANTOS |*


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