Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

De volta a febre pelo futebol!...

17 de Agosto, 2019
Para a alegria dos seus aficionados, está de regresso a maior festa futebol nacional, o Girabola Zap. Uma prova que inflama paixões e leva alegria para os vários estádios espalhados pelo país. É, enfim, a febre pelo desporto-rei que volta à ribalta.
Em 1979, quando foi instituída esta maior prova do nosso “association”, previa-se, incicialmente, fazer a sua disputa num mês de Outubro, algo que não foi efectivado, devido à morte inesperada do saudoso Presidente Doutor António Agostinho Neto, a 10 de Setembro. Por esse facto, o Campeonato Nacional da I Divisão, que nos últimas anos passou a designar-se Girabola Zap, teve início apenas num mês Dezembro e mais concretamente num dia 8, por força também dos 45 dias de luto decretados, na altura, pelo Bureau Político do MPLA-Partido de Trabalho pelo passamento físico de Neto. Depois, na sua segunda edição, em 1980, ao invés do começo em Outubro, como era de esperar, o campeonato passou a ter início entre os meses de Fevereiro e Março, uma situação que se arrastou até à época de 2018, que se disputou contra-relógio.
A referida temporada teve início em Março e disputou-se por um período de pouco mais de seis meses. Os motivos da disputa contra-relógio, foi motivada pela premente necessidade que havia de se ajustar o calendário do Girabola Zap ao dos demais países africanos. Ao cabo das épocas em que o Campeonato Nacional arrancava entre Fevereiro e Março e, por conseguinte, terminava entre os meses de Outubro e Novembro, os nossos embaixadores iniciavam as provas sob a êgide da Confederação Africana de Futebol (CAF) sem qualquer ritmo competitivo. Este motivo levava, em muitos casos, a que estes tombassem logo na primeira esquina, extorvando, de certo modo, a ascensão do nosso desporto-rei no ranking da da Federação Internacional de Futebol Assiociado (FIFA). Hoje, felizmente, com a disputa entre Agosto e Maio, essa questão de falta de ritmo das equipas, já não se coloca.
Noves fora os factores aqui arrolados, em relação a história do nosso Girabola Zap, é relevante focar também alguns aspectos que têm beliscado o curso da competição, ligados sobretudo às desistências, que têm ocorrido nas últimas épocas.
A poucas semanas do arranque da presente época, a direcção do Benfica do Lubango anunciou a indisponibilidade da sua participação por incapacidade financeira, ao que a Federação Angolana de Futebol (FAF), como medida de precaução, deliberou a sua substituição pelo Wiliete Sport Clube de Benguela. Contudo, depois dessa deliberação da “repescagem” do emblema da cidade das Acácias Rubras, a direcção do clube da águia huilana tentou recuar na posição, algo que não foi viabilizado pelo órgão reitor do futebol nacional, que já havia colocado o “preto no branco” em relação ao assunto. Desse modo, a Huíla vê coarctada da possibilidade de voltar a desfilar no carrossel do Girabola com dois representantes.
A onda de desistências vêm já desde a época de 1998, quando o Kabuscorp do Palanca, que na época passada foi rebaixado da I Divisão, por um diferendo com o antigo campeão do mundo pelo Brasil, Rivaldo, decidiu abandonar o Girabola, por alegada incapacidade financeira. Depois do emblema palaquino, ocorreram as do Grupo Desportivo da EKA do Dondo, 1999; Sécil Marítima e do Cambondo de Malanje, 2000; Benfica de Luanda, em 2017 e JGM do Huambo, em 2018, pelas mesmas razões. Como se pode ver, é uma situação que vem beliscando o Girabola Zap e que se deve, todavia, corrigir.
No entanto, voltando a transcorrer no leito daquilo que vai ser a época 2019/2020, que deu o pontapé de saída ontem com o duelo entre o Clube Desportivo da Huíla (CDH) e FC Bravos do Maquis do Moxico, é importante dizer que temos um Girabola Zap a estender-se por 10 das 18 províncias do país. Em termos percentuais, isso corresponde a 55,55 de todo território nacional. Já em termos de representatividade, por província, Luanda, com quatro equipas, continua a liderar a fasquia nesse quesito, correspondendo a 25 por cento. Segue-se-lhe Benguela, com três, por força da “respescagem” do Williet Sport Clube, tendo, nesse caso, um percentual de 18,55, e Huambo, com dois, com uma cifra de 12,5. Já as demais sete províncias que desfilam no certame, no caso Uíge, Cuando Cubango, Lunda-Norte, Huíla, Moxico, Cabinda e Cuanza Sul, com um equipa cada, têm uma cifra correspondente a 6,25 por cento.
De resto, estão assim lançados os dados para mais uma edição da maior prova do futebol nacional, em que o Petro de Luanda e 1º de Agosto, com 15 e 12 títulos cada, assumem-se como “grandes papões” e mais sérios candidatos ao título. Na discussão, como não podia deixar de ser, entram outras equipas como o CDH, terceiro classificado da época transacta, o Interclube e Sagrada Esperança da Lunda Norte, que também saíram-se bem na fotografia na época 2018/2019. As ver vamos!!!...
Sérgio.V.Dias

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