Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Decisivo 2 de Setembro

30 de Agosto, 2018

Tenho quase certeza que os adeptos do 1º de Agosto chamaram nomes ao Sagrada Esperança, pela ousadia que teve em adiar a comemoração do tão ansiado \"tri\". Mesmo os próprios jogadores militares e o seu treinador não escaparam à criticas felinas e mordazes, próprias de quem viu traído os seus propósitos.
No desejo da massa adepta do clube militar a questão do título devia ser definida na penúltima jornada no Dundo, forçando o outro concorrente, no caso o Petro de Luanda, a cair no conformismo de que para ele se tinham apagado as estrelas do céu. Não foi o que aconteceu, não sendo sem razão que dizem alguns entendidos, que hoje no futebol já não se acham adversários permeáveis.
Ainda assim, algo me vai dizendo que há um segmento, daqueles que acompanham a evolução do torneio, que se opõe ao desejo das gentes agostinas. Aqueles que se assumem defensores de um campeonato cuja disputa vá até ao limite. Isto é, que não define as coisas antes da derradeira jornada, maculando-lhe a qualidade e anavalhando-lhe a honra.
Longe de me identificar com as cores petrolíferas, porque há muito que ando \"casado\" com a agremiação do meu dilecto Sambila, diria que também sou a favor de um torneio que leve a disputa até à última jornada, sendo afinal esta a forma da sua valorização e, por tabela, dos seus principais protagonistas. Certo que ao 1º de Agosto não se retiraria mérito se comemorasse o título na jornada passada. Mas a prova ganha, pelo sim pelo não, outra pitada de alegria conforme ficaram as coisas.
E mais: encontrada a terceira equipa que tinha de se juntar ao JGM do Huambo e ao Domant FC, para o quadro de despromovidos, que foi o 1º de Maio de Benguela, já não teríamos campeonato. Pois, com o campeão também já encontrado, a última jornada seria aquilo que, em linguagem popular, dissemos da \"xaxa\", porque nada mais teria a definir. Em bom rigor, o campeonato estava terminado.
Felizmente(infelizmente para alguns) não foi o que aconteceu. Temos suspense e emoções a rodos até ao último dia da prova. A questão sobre quem entre os dois candidatos levará o troféu à sua galeria, domina as tertúlias sobre futebol ao longo da semana que estamos a atravessar. Aliás, é deste modo que o futebol deve ser vivido: à exaustão, mas sempre privilegiando o fair-play, ao invés de se dar terreno a rixas, resultantes de um fanatismo doentio.
É certo que matematicamente, uma das equipas está mais próxima da consagração em relação à outra, que, para além da sua própria força, ainda precisa de uma \"mãozinha\" alheia. Mas, como já o dissemos mais atrás hoje por hoje no futebol já não acham \"bombôs\", e com base nesta lógica tudo é possível. O dia 2 de Setembro é, pois, aguardado com redobrada expectativa.
Matias Adriano


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