Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Deixem a Marximina regressar

20 de Janeiro, 2020
Olhei para o tempo que já passou desde a suspensão da árbitra Marximina Bernardo, acabou penalizada pela Federação Angolana de Futebol (FAF), sobretudo porque, em minha opinião, este órgão hesita em não condescender exagerada decisão que então tomou, quando para “homens do apito” as punições quase que sabem a flores.
Não pretendo ressuscitar fantasmas ou ser advogado do Diabo como se diz. Recordo que Marximina Bernardo teve uma muito imediata e aplaudida reacção.
O assunto sobreveio aos holofotes da imprensa desportiva e não só, e disse, logo-logo... que se trata(va) de uma calúnia e defendeu-se que, alegadamente, nunca esteve envolvida em corrupção na época de 2014.
Vou reproduzir as suas lamuriosas palavras : “É tudo calúnia o que dizem a meu respeito. Não estou associada a algum caso de corrupção. Já constituí um advogado e, por isso, já não me pronuncio sobre o caso. Quem quiser mais informações contacte o meu advogado”.
O paradoxo, porém, é que no seu recurso à decisão da FAF, que chegou à imprensa, a árbitra implicitamente acabou por dar a “mão à palmatória”, ou seja, admitindo ter sido alvo de corrupção.
Nos pontos 1.2 e 2 do recurso, que tinha apresentado ao presidente do Conselho Jurisdicional da FAF, face à deliberação do Conselho de Disciplina do órgão federativo, Marximina Bernardo reconheceu ter agido apenas num tal jogo de modo “involuntário”, e, por tal razão, clamou por atenuantes plasmados na legislação em vigor, pelos serviços prestados ao País Desportivo, à pátria....
“A recorrente lamenta o sucedido e retrata-se perante os agentes desportivos, por ter agido involuntária e inconscientemente, roga atenciosamente os benefícios atenuantes plasmado na legislação em vigor, em atenção aos serviços prestados à Pátria e por tratar-se de infractora primária”, lê-se ainda no seu recurso.
Inclusive Marximina Bernardo rememora(va) no seu recurso, que certos aspectos sobre a sua actuação em campo ocorridos em 2014, permitia-lhe, se bem ponderados, ser perdoada nos termos da Lei 11/16 de 17 de Agosto (Lei de Amnistia)”.
Fazia sim o seu clamor. Afinal, Marximina Bernardo é (era) dona de uma carreira de 20 anos de carreira e se nunca teve alguma infracção disciplinar ou ilícito penal, mas esteve sempre pronta para o cumprimento da missão, com humildade, determinação, disciplina e pontualidade, a federação já devia repor em campo esta árbitra, que sabe apitar quando é hora de lindamente o fazer.
Portanto, é hora de, a favor de Marximina Bernardo e sempre na esteira do seu recurso, reverem-se as alegações expostas na deliberação do Conselho de Disciplina da FAF, se estão desajustados com a matéria produzida na fase de instrução do processo disciplinar. Na altura, confesso, gostei do comunicado e posição da direcção da Associação de Árbitros de Futebol de Angola (AAFA).
O seu presidente, Vicente Domingos Garcia, tinha considerado que não foram verificados os princípios contidos no regulamento de disciplina, para um justo procedimento disciplinar e extinção da responsabilidade de Marximina Bernardo.
António Félix

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